A ORAÇÃO DO AT - DE SALOMÃO A MALAQUIAS

Textos: II Crônicas 6 e 7; Salmo 72

 

Preciosas lições nós já temos aprendido com a vida de Noé, Isaque, Moisés, Josué, Samuel.


Chegou o momento de examinarmos a experiência de oração de mais um homem da Bíblia.


Vamos dar ênfase à oração que o rei Salomão fez durante a reunião solene com o povo, o culto de dedicação ao Senhor do templo que acabara de construir.

 

Esta oração está registrada no segundo livro das Crônicas, no capítulo 6.

 

Uma oração cuja profundidade espiritual nós já podemos sentir a partir do relato que a Bíblia faz sobre a atitude e a postura do rei Salomão, nos instantes que precederam a oração em si.

 

Inicialmente, com as costas viradas para o povo, já que depois irá voltar-se para a congregação, ele se dirige a Deus (v.2); em seguida, vira o rosto e abençoa o povo, a congregação de Israel, que estava em pé (v.3); bendiz ao Senhor (v.4-11); então sobe ao altar do Senhor e estende as mãos, permanecendo em pé por alguns instantes (v.12); por fim, ajoelha-se, ali no altar do Senhor, perante toda a congregação, permanecendo com as mãos estendidas.


O rei Salomão ajoelhou-se diante do Rei da Glória, o Rei dos reis. E, então, orou.

 

Desta oração, estamos destacando com maior atenção o trecho que vai dos versos 19 a 21: “Contudo, atende à oração e à súplica do teu servo, ó Senhor meu Deus, para ouvires o clamor e a oração que o teu servo faz diante de ti; que dia e noite estejam os teus olhos abertos para esta casa, para o lugar de que dissestes que ali porias o teu nome; para ouvires a oração que o teu servo fizer neste lugar. Ouve as súplicas do teu servo, e do teu povo Israel, que fizerem neste lugar; sim, ouve do lugar da tua habitação, do céu; e, ouvindo, perdoa”.

 

Trata-se da súplica que Salomão fez ao Senhor para que ouvisse todas as outras orações que viessem a ser feitas por ele e pelo povo, ali no templo. E ainda finalizou, dizendo: “Levanta-te, pois, agora, Senhor Deus, e vem para o lugar do teu repouso.” (II Crônicas 6:42).

 

Diz a Bíblia que tendo Salomão acabado de orar, a glória do Senhor encheu o templo, de tal modo que não podiam ali entrar. O Senhor confirmou que aceitara a dedicação do templo e que a oração de Salomão fora ouvida.


Os filhos de Israel, prostrados com o rosto em terra, adoraram ao Senhor e lhe renderam graças, dizendo: “Porque ele é bom; porque a sua benignidade dura para sempre” (II Crônicas 7:3).

 

Que experiência marcante, tremendamente gloriosa!

 

Contudo, devemos lembrar que o Senhor aceitou toda a oração de Salomão e não apenas este trecho. A oração feita por ele, na sua inteireza, inclui arrependimento e pedidos de perdão; desejo de andar pelos caminhos do Senhor e de guardar os seus estatutos; compromisso de fidelidade a Deus.

 

Porém, voltando ao trecho que estamos estudando, nos deparamos com algumas questões, das quais vamos nos deter em duas:


Qual a importância e o significado da oração feita no templo – na casa construída e consagrada para ser a casa do Senhor?


Somente as orações feitas na casa de Deus são ouvidas?

 

Quanto à primeira questão, encontramos a resposta nos versículos que se seguem, dentro do capítulo 7, especialmente os versos de 11 a 22, quando o Senhor aparece pela segunda vez a Salomão e lhe faz promessas.

 

O Senhor lhe diz, claramente, que ouviu a sua oração; que seus olhos estariam abertos e seus ouvidos atentos à oração que se fizesse naquele lugar e, mais ainda, diz o Senhor, “para que nele esteja o meu nome para sempre.” (II Crônicas 7:16).

 

Esta declaração do Senhor, de por o seu nome na casa que a Ele é consagrada, confere ao templo um significado especial, porém não místico: um lugar que passa a ser referencial de Deus, do nome do Senhor. Lugar exclusivamente separado para o culto e para o serviço do Senhor e que, por isso, Deus ali comparece.


Assim é que o Senhor referendou a consagração do templo, enchendo-o com a sua glória. A presença do Senhor ali foi a sua assinatura neste acordo.

 

Este significado é completamente diferente da ideia de que a expressão ‘Casa de Deus’ venha a ser um lugar restrito para a presença do Senhor e de que somente ali ele será encontrado.

 

Seria absurdo, para não dizer loucura, pensarmos que Deus pudesse ser confinado a uma construção arquitetônica. O próprio rei Salomão falou sobre isso em sua oração: “Mas, na verdade habitará Deus com os homens na terra? Eis que o céu e o céu dos céus não te podem conter; quanto menos esta casa que te tenho edificado.” (II Crônicas 6:18).
Sendo assim, o que faz do templo um lugar sagrado é a presença do Senhor. E, por isso, o profeta Habacuque diz: “O Senhor está no seu santo templo, cale-se diante dele toda a terra.” (Habacuque 2:20).

Ter isso em mente é fundamental. Caso contrário, correríamos o risco de cair em idolatria, confiando no templo e adorando o lugar, quando a nossa confiança e a nossa adoração devem ser exclusivamente em Deus e para Deus. É por causa da presença do Senhor que devemos ter uma postura reverente em sua casa.

Sendo assim, a importância e o significado da oração feita no templo que ao Senhor foi consagrado – na Igreja, como costumamos dizer- residem em dois pontos:
A presença do Senhor no templo, que é referencial do seu nome e lugar separado exclusivamente para o culto.

A caracterização espiritual das pessoas que ali comparecem. Pessoas que guardam um compromisso de fidelidade com Deus e que para lá se dirigem a fim de adorá-lo, de buscá-lo de todo o coração, de suplicar o seu auxílio, dando testemunho ao mundo de que Deus verdadeiramente está no meio do seu povo e de que só Ele é Deus. Pessoas que levam consigo o nome do Senhor, que assumem a identidade de povo de Deus.

Com essas, Deus estabelece o seu pacto. Pacto renovado e firmado permanentemente em Cristo, no qual está incluída a promessa de ouvir as orações feitas no seu santo templo, por tais pessoas.

 

Mas não somente no templo, porque a presença do Senhor não se limita a lugar algum, devemos sempre lembrar, porém em qualquer lugar de onde um servo seu clamar com o coração contrito, sincero e fiel.

 

São várias as provas que encontramos na Bíblia a esse respeito e que respondem à segunda questão levantada neste estudo. No entanto, vamos nos deter apenas nas experiências dos profetas Daniel e Jonas.

 

Daniel, servo fiel que habitualmente recolhia-se ao seu quarto, três vezes ao dia, e punha-se de joelhos e orava, e dava graças diante do seu Deus e que, por este motivo foi lançado na cova dos leões devido a um decreto vaidoso e impensado do rei Dario, teve as suas orações atendidas. O Deus Altíssimo, único e verdadeiro, com ele esteve no seu quarto enquanto orava e com ele esteve na cova dos leões para livrá-lo (Daniel 6).

 

Jonas, o profeta que fugiu da incumbência que Deus lhe dera, e que por isso foi duramente repreendido, arrependido orou ao Senhor de dentro do ventre de um grande peixe, nas profundezas do mar. E o Senhor ouviu a oração de Jonas (Jonas 2).


E assim é que diante de tantas maravilhas só nos resta exclamar: que bênção é servirmos a Deus e fazermos parte desse povo que se chama pelo seu nome! Povo que, em Cristo, está debaixo do pacto eterno de Deus com os seus filhos.


Quão grandioso e quão bondoso é o nosso Deus! Ele ouve as nossas orações, feitas no culto que prestamos em sua casa; em qualquer outro lugar de onde clamamos com o coração sincero, ali Ele também nos ouve.


Por isso, na Igreja e em todo lugar, façamos sempre as nossas orações.

 

Deus abençoe a sua vida, prezado leitor.

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