EVANGELHO DE JOÃO: ESTUDO 5 – O MINISTÉRIO SE AMPLIA

João 6 e 7

 

Diante de nós dois importantes capítulos. Para William Hull, temos aqui a obra-prima da teologia do Novo Testamento. O teólogo identifica elementos que nos mostram nova direção para as mesmas coisas. A partir do quarto sinal, Jesus enfrenta perguntas de ceticismo, murmurações, argumentos violentos e escândalos, tudo isso começando com o povo, seguindo-se os que lideravam o povo, depois muitos seguidores e, por fim, os doze. Quais seriam essas novas direções aqui encontradas?

 

O primeiro texto, 6,1-15, é a história do quarto sinal, o milagre da multiplicação dos pães, único que é mencionado nos quatro evangelhos. O cenário é de primavera, quando as flores anunciavam a proximidade da Páscoa dos judeus. Jesus e os discípulos se dirigem não à festa, mas ao outro lado. Por que será que não ficaram em Jerusalém? Será que Jesus não acenava para outra forma de seguir a Lei de Deus?

 

Assim como Moisés, quando subiu o Sinai, Jesus sobe à montanha e ali se senta. Dirige-se à multidão com ensinamentos sérios que eles deveriam observar, se quisessem estar preparados para o novo pacto que se avizinhava. Ao sentar-se com os discípulos, Jesus agia como rabino e, ao fazê-lo no monte, ensinava a revelação de Deus. Terminado o dia, preocupou-se com seus ouvintes. Testou os discípulos: “onde compraremos pão para estes comerem?” (6,5b). Filipe entende que a pergunta deveria ser respondida do jeito antigo: “respondeu-lhe: duzentos dinheiros de pão não lhes bastarão, para que cada um deles tome um pouco.” (6,7). André apresenta alternativa, mas mantém a falta de solução: “Está aqui um rapaz que tem cinco pães de cevada e dois peixinhos; mas que é isto para tantos?” (6,9).O jeito antigo não atendia mais, estava superado. Era preciso algo novo.

 

Jesus, então, ordena que mandem o povo sentar. Naquele tempo, somente pessoas livres é que se sentavam para tomar refeição. Jesus quer que os discípulos e o povo tomem consciência de que se aproxima o tempo quando seriam livres, da mesma forma como mandou o doente segurar a cama e andar, aqueles seriam convocados a um tempo quando poderiam se relacionar livremente com Deus. Toma o pão, abençoa o pão e depois entrega o pão. Mais: multiplica o pão. Tomar, abençoar e entregar, gestos que se repetiram na última ceia de Jesus com os discípulos, são repetidos na celebração da Ceia do Senhor em nossas igrejas. Expressam a entrega, verdade central no ministério de Jesus.

 

O milagre da multiplicação dos pães levou a multidão a querer aclamá-lo rei. Jesus não aceitou a homenagem, pois não seria daquele modo que as coisas deveriam acontecer. Será que a Humanidade não consegue ser livre? Será que não compreende que ter um rei significa ser súdito daquele rei? Por que o povo de Israel, que sabia que Deus não se agradara quando pediram rei, não havia aprendido ainda? E nós, será que somos diferentes deles?


O segundo texto está em 6, 16-24. É o quinto sinal, quando Jesus anda sobre o mar. O modo habitual de atravessar um mar é fazê-lo por algum meio de transporte. Mas Jesus queria chamar a atenção para o fato de que ele trouxera um novo meio de fazer as mesmas coisas. Aproxima-se deles, andando sobre o mar. O tempo não permite que discorramos sobre as diferentes interpretações para este milagre, algumas delas sinalizando para o fato de que Jesus pode ter mostrado aos discípulos apenas um caminho diferente para eles vencerem a tempestade. Há os que pensam que ele não entrou no barco.

 

A seguir, ainda com o objetivo de mostrar que Jesus trouxe nova direção para as mesmas coisas, chegamos aos versículos 25 a 34. A multidão havia procurado por Jesus e se espantado com o fato de ele não estar no barco mas ainda assim haver chegado em Cafarnaum: “Rabi, quando chegaste aqui?” (6,25). A pergunta não apanhou Jesus de surpresa. Ele conhecia bem a natureza humana. Admitam, vocês não têm interesse em mim, vocês querem pão. Ontem eu lhes dei o jantar. Hoje querem o café da manhã. Só isso. Daí a resposta de Jesus: “Na verdade, na verdade vos digo que me buscais, não pelos sinais que vistes, mas porque comestes do pão e vos saciastes. Trabalhai. não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do Homem vos dará; porque a este o Pai, Deus, o selou.” (6,26 e 27).

 

Há diferença entre comida que perece e a comida que permanece. As necessidades materiais da vida foram satisfeitas por Jesus no monte. Agora, Jesus acena para a necessidade de algo mais duradouro do que apenas a satisfação das necessidades materiais. Para fazê-los compreender, Jesus ensina: a) Moisés não havia enviado pão. Só no céu há fonte de pão celestial. B) Quem deu o pão foi Deus. Por isso, dentro da nova direção que Jesus veio trazer, ele poderia afirmar: “Eu sou o pão da vida” (6,35). É ele o doador do verdadeiro pão do céu (6,22-34). Ao dizer “quem come a minha carne e bebe do meu sangue” Jesus dizia: aquele que de Mim se alimenta(6,52-59). Quando assume o “EU SOU”, nome do Deus libertador, mostra ser o pão de Deus para a vida da humanidade.

O capítulo 7 está ambientado na Festa das Tendas, popular e de características messiânicas. Os freqüentadores tinham esperança de encontrar no Templo o Messias, que os libertaria da dominação romana. A expectativa era grande, inclusive por parte dos membros do Sinédrio. Durava sete dias e durante todo o tempo, os participantes moravam em cabanas cobertas com ramos de árvores, lembrando os dias do êxodo, quando o povo peregrinou pelo deserto à busca da Terra Prometida. Jesus não concordou com seus irmãos que desejavam vê-lo na festa. Para os familiares, aquela seria uma excelente oportunidade para Jesus dar a conhecer publicamente sua qualidade messiânica. Não, respondeu Jesus, não será dessa forma. Há um tempo para isto. Antes, etapas precisam ser vencidas.

 

Curiosamente, porém, Jesus foi à festa e ali enfrentou uma sucessão de debates, todos eles ensejados pelas autoridades religiosas que não o toleravam e o queriam eliminar. O ouvinte vai precisar se aproximar do texto para conhecer os detalhes, porque é necessário encerrar o estudo de hoje. Assim, milagre após milagre e discussão após discussão, Jesus vai tornando evidente que havia um novo tempo à espera de todo aquele que pudesse crer. Voltaremos a este ponto no próximo estudo. Até lá.

APOIO BIBLIOGRÁFICO

TAYLOR, W.C. Evangelho de João –Tradução e Comentário. Volumes I, II e III. Rio de Janeiro:Casa Publicadora Batista. 1946.
CHOURAQUI, André. A Bíblia – Iohanân (O Evangelho Segundo João). Rio de Janeiro: Imago. 1997
BRUCE, F.F. João – Introdução e Comentário. São Paulo: Mundo Cristão. 1987.
BORTOLINI, José. Como ler o Evangelho de João – O caminho da vida. São Paulo: Paulus. 7ª. edição 2005.
ALLEN, Clifton J.(editor) Comentário Bíblico Broadman vol. 9 .Rio de Janeiro: JUERP. 2ª. edição. 1987.

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