EVANGELHO DE JOÃO: ESTUDO 7 – JESUS, O BOM PASTOR

João 10

 

Deixamos o nosso estudo no último encontro com as conclusões sobre o episódio da cura do cego de nascença. Porque importante para o tema com o qual iremos nos ocupar hoje, vamos relembrar os últimos versículos de João 9: “Jesus ouviu que o tinham expulsado e, encontrando-o, disse-lhe: Crês tu no Filho de Deus? Ele respondeu, e disse: Quem é ele, Senhor, para que nele creia? E Jesus lhe disse: Tu já o tens visto, e é aquele que fala contigo. Ele disse: Creio, Senhor. E o adorou. E disse-lhe Jesus: Eu vim a este mundo para juízo, a fim de que os que não vêem vejam, e os que vêem sejam cegos. E aqueles dos fariseus, que estavam com ele, ouvindo isto, disseram-lhe: Também nós somos cegos? Disse-lhes Jesus: Se fôsseis cegos, não teríeis pecado; mas como agora dizeis: Vemos; por isso o vosso pecado permanece. (João 9,35-41)”

 

Estes versículos tornam evidente que Jesus deixou claro que as lideranças que o argüiam e que planejavam prendê-lo eram as responsáveis pela situação em que o povo se encontrava. Líderes que pensavam enxergar, mas que eram cegos para as verdades espirituais e para a obra de Deus neste mundo. Tão preocupados estavam em vigiar quem cumpria ou não cumpria a Lei que perdiam a visão espiritual, a única essencial para dirigir o povo que se diz povo de Deus.

 

O capítulo de hoje, o de número dez, continua este assunto. A ação se passa durante a festa chamada “festa da dedicação”. Esta era uma festa que teve início no ano de 164aC, quando Judas Macabeus purificou e consagrou o Templo, após a contaminação com a dominação de Antíoco Epifânio.. A história é contada nos dois livros chamados Macabeus, não inseridos na Bíblia que usamos, vez que fazem parte da coleção deuterocanônica.

 

O Dr. W.C. Taylor nos informa que a referida festa era parecida com os festejos juninos em nosso País. Naquela oportunidade, os judeus acendiam fogueiras em frente às casas, onde se alegravam. Não havia peregrinação para Jerusalém, mas a alegria reinava. A estação era chuvosa e a época coincidia, em nosso calendário, com o mês em que comemoramos o Natal.

 

Jesus conta uma parábola. Não é uma parábola como as demais narradas nos sinópticos e há até quem não lhe dê esta característica, apenas para sustentar a inexistência de parábolas no Evangelho de João. Para facilitar o nosso entendimento, vamos classificá-la como parábola. Utiliza-se de alguns símbolos muito conhecidos por todos os que o escutavam: porta, aprisco, ovelhas, subir outro caminho, ladrão, salteador, pastor, porteiro, estranho, atividades do pastor e das ovelhas.

 

Jesus anuncia: quem entra pela porta é o pastor das ovelhas. Deixa claro quem é esse pastor: “eu sou o bom pastor: o bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas.” (10,11). Então, só haveria uma forma para que as lideranças estivessem em condições de interagir e liderar o povo: passando pela porta, que era ele: “em verdade em verdade vos digo que eu sou a porta das ovelhas” (Jo 10, 7). Se quisessem se livrar da cegueira espiritual, seria necessário interagir com Jesus e compreender o que Ele tinha a dizer. Sem passar pela porta, Jesus, não conseguiriam conduzir o rebanho em paz e na direção correta.

 

É importante compreendermos o alcance da palavra aprisco. Desta feita, vamos nos apropriar dos ensinamentos do Dr. John L. Hill, citado por Taylor. Hill nos ensina que “aprisco é uma figura oriental. Era um lugar cercado, de dimensões que variavam de um ou dois até quinze ou vinte acres. Essa área era fechada por um muro de pedra, com uma espécie de cadeia de espinhos agudos por cima, a fim de afastar os lobos, as hienas, os leopardos e as panteras que eram abundantes no País. Dentro do aprisco e junto do muro havia ranchos baixos onde os rebanhos eram fechados nas noites frias. A entrada regular no aprisco era pelo portão. À tarde, o pastor conhecido do porteiro fazia entrar suas ovelhas e eram contadas. De manhã, cada pastor voltava e chamava as suas ovelhas pelo nome e elas o seguiam para a pastagem.”.

 

Agir de forma diferente era fazer como ladrões, salteadores e mercenários. O biblista José Bortolini afirma: “o cego curado representa a ovelha que escuta a voz do de Jesus. Ele, Jesus, é o pastor que conduz para fora do curral, simbolizado pela expulsão do cego da sinagoga [...] O bom pastor é diferente dos demais. O pastor tem direito de vestir-se com a pele das ovelhas e de alimentar-se da carne dela. O bom pastor Jesus, ao contrário, dá a vida pelas ovelhas. Jesus é o modelo para a liderança. Quem não estiver disposto a dar a vida pelo povo, não pode ser considerado pastor” Daí as seguintes palavras de Jesus: “Mas o mercenário, e o que não é pastor, de quem não são as ovelhas, vê vir o lobo, e deixa as ovelhas, e foge; e o lobo as arrebata e dispersa as ovelhas. Ora, o mercenário foge, porque é mercenário, e não tem cuidado das ovelhas.” (Jo 10,12 e 13).

 

Temos, então, diante de nós o desafio de estar atentos para que sejamos conduzidos por Jesus. Devemos ter tal afinidade com Ele, que consigamos identificar a Sua voz em toda e qualquer situação.

 

Na segunda parte do nosso texto, encontramos os versículos 22 a 42, que veremos apenas de forma superficial, em função do exíguo tempo.

 

As lideranças querem ouvir de Jesus a definição de si mesmo: “Rodearam-no, pois, os judeus, e disseram-lhe: Até quando terás a nossa alma suspensa? Se tu és o Cristo, dize-no-lo abertamente.” (10,24). Cegos espiritualmente, não conseguiam compreender o Mestre. Agora estão zangados, querem apedrejar Jesus.

 

Jesus não se deixa amedrontar e pergunta: “Tenho-vos mostrado muitas obras boas procedentes de meu Pai; por qual destas obras me apedrejais?” (10,32). Os acusadores tentam responder: “Não te apedrejamos por alguma obra boa, mas pela blasfêmia; porque, sendo tu homem, te fazes Deus a ti mesmo.” (10, 33).

 

Cegueira. Cegueira que se repete. Incapacidade de enxergar o sentido espiritual de tudo o que ali acontecia. No prólogo, vimos que “E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.” (1,14). Tudo está muito claro agora: para ver a glória do “unigênito do pai” é preciso ser ovelha, identificar a voz do pastor e entrar e sair do aprisco com ele em segurança e na direção da pátria celestial.

APOIO BIBLIOGRÁFICO

ALLEN, Clifton J.(editor) Comentário Bíblico Broadman vol. 9 .Rio de Janeiro: JUERP. 2ª. edição. 1987.
BORTOLINI, José. Como ler o Evangelho de João – O caminho da vida. São Paulo: Paulus. 7ª. edição 2005.
BRUCE, F.F. João – Introdução e Comentário. São Paulo: Mundo Cristão. 1987.
CHOURAQUI, André. A Bíblia – Iohanân (O Evangelho Segundo João). Rio de Janeiro: Imago. 1997
TAYLOR, W.C. Evangelho de João –Tradução e Comentário. Volumes I, II e III. Rio de Janeiro:Casa Publicadora Batista. 1946.

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