"O REINO DE ISRAEL – DE JEROBOÃO II A OSÉIAS."

II Reis caps.  14 a 17.


Elaborado por Gerson Berzins
(gberzins@ceoexpress)

 

Queridos irmãos e amigos, aqui estamos de novo em mais um estudo desta série sobre “A Monarquia em Israel.” Na lição de hoje estaremos concluindo a história do Reino de Israel, revisando os caps. 14 a 17 de II Rs. que nos apresentam o relato dos governos de Jeroboão II, Zacarias, Salum, Menaém, Pecaías, Peca e Oséias.

 

A família de Jeú continuava no trono, agora com Jeroboão II que reinou durante  41 anos. Foi um período de fortalecimento de Israel, que conseguiu recompor muito dos limites territoriais do país. Como nos explicam os vs. 26 e 27 do cap.14 “ainda não falara o Senhor em apagar o nome de Israel de debaixo do céu” e então através de Jeroboão II, Deus visitou o povo que estava em amarga aflição. O cuidado divino não foi correspondido, e Jeroboão II foi mais um dos reis que fizeram o que era mau aos olhos do Senhor, continuando nos pecados do primeiro Jeroboão aquele dos bezerros de ouro.  Este foi também um período de efervescência profética. Três dos profetas que conhecemos pelos seus livros na Bíblia pregaram neste reinado: Jonas, cujo registro bíblico nos apresenta apenas a sua mensagem à Nínive, mas conforme o v.25 deste cap.14, também pregou em Israel; Oséias, cujo longo ministério deve ter começado neste reinado; e Amós. É de grande utilidade para aprimorar o nosso entendimento deste período, que  nos detenhamos por um pouco na mensagem desses profetas. Oséias, instruído por Deus, teve que viver na sua vida a mensagem que deveria pregar, onde Israel é comparada a uma mulher infiel, que embora resgatada e amada pelo seu marido, o traiu, desprezando todo o cuidado dado para com ela.

 

Em Amós temos uma visão muito mais vívida da vida e dos costumes daquela época: Vejam a abastância e a opulência daquelas dias, no cap.6 a partir do v.4: “Ai dos que dormem em camas de marfim, e se estendem sobre os seus leitos, e comem os cordeiros tirados do rebanho, e os bezerros do meio do curral; que garganteiam ao som da lira e inventam para si instrumentos músicos… que bebem vinho em taças e se ungem com o mais excelente óleo…” Em contraste, vejam o retrato da injustiça social: “vendem o justo por dinheiro e o necessitado por um par de sapatos, pisam a cabeça dos pobres no pó da terra, pervertem o caminho dos mansos..”(2.6-7) e mais: “Ouvi estas palavras vós vacas de Basã, que estais no monte de Samária, que oprimis os pobres, que esmagais os necessitados, que dizeis a vossos maridos: Daí cá e bebamos”(4.1). O formalismo religioso prevalecente também foi apresentado, como vemos no cap.5 onde o profeta alertava para que o povo parasse de fazer aquele tipo de “turismo religioso” a que se submetiam,  percorrendo o roteiro de Betel- Gilgal -  Berseba, e em vez de buscarem estes lugares que estavam associados a bênçãos do passado histórico, Deus apelava: “Buscai-me e vivei” (5.4). Amós foi acusado de traição; e ambos os profetas não foram ouvidos, por mais duras que tenham sido as suas advertências sobre o castigo que viria se não houvesse o arrependimento e por mais insistentes que tenham sido os apelos para que voltassem a Deus, como em  Os.14.1: “Volta ò Israel para o Senhor teu Deus, porque pela tua iniquidade tens caído.”

 

Este, portanto, era o retrato dessa época de Jeroboão II. Ele morreu e foi sucedido pelo seu filho Zacarias, que só conseguiu reinar por 6 meses, sendo morto em uma conspiração chefiada por Salum, que por sua vez, conseguiu manter-se no trono por 1 mês, e foi vitimado por outra conspiração, que trouxe Menaém ao governo de Israel. Menaém governou por 10 anos, e seu filho  Pecaías por mais 2 anos, quando em nova conspiração, Peca,  o chefe do exército eliminou Pecaías, e governou por 20 anos.  O cenário para o ultimo ato da história do Reino de Israel já estava sendo montado. Como já vimos, Jeoás e Jeroboão II tiveram seus  reinados grandemente beneficiados pela inexistência de uma potência estrangeira de peso a lhes incomodar, e por isso puderam recompor Israel, tanto política como economicamente. Mas agora, uma nova e terrível potência mundial vinha crescendo no horizonte: Era a Assíria, de Nínive, e a política nacional de Israel começava a balançar ao sabor da influência do poder maior. Algumas destas seguidas conspirações, vistas nesta fase final do Reino do Norte, parecem serem a expressão da luta entre facções pró- Assíria e anti-Assíria.

 

Peca, assumindo o governo em Samária, se associou ao rei Rezim,  de Damasco, para assaltarem Jerusalém, e mesmo tendo imposto pesadas baixas a Judá, não conseguiram o seu intento. Logo em seguida, Israel viria a sofrer a primeira invasão dos Assírios de Tiglate-Pelesser, que tomaram grande parte do território de Israel, nas regiões de Gileade, Galiléia e Naftali, levando os seus habitantes cativos para a Assíria. A política anti-Assíria de Peca gerou outra conspiração, que levou ao trono Oséias. Oséias se sujeitou ao jugo Assírio durante certo tempo, pagando tributos que lhe garantiam a paz.

 

Por alguma razão que a Bíblia não relata, Oséias começou a articular uma conspiração contra os assírios, tentando buscar apoio no Egito para se liberar do jugo de Nínive.  Os historiadores dizem que Oséias foi motivado a tal atitude por algumas rixas que estavam ocorrendo em Nínive por ocasião da morte de rei assírio Tiglate-Peleser. Oséias calculou que podia mudar de posição, trocando a proteção dos assírios pela proteção dos egípcios. Mas Oséias calculou mal. O novo rei assírio, Salmanasar veio com todo o seu poder contra Israel e sitiou Samária por 3 anos, ao fim dos quais levou todo Israel cativo para a região da Média. Este é o melancólico fim das 10 tribos que formaram o Reino de Israel.  O cap.17 de II Rs. nos relatam o acontecimento, os seus porquês e as suas consequências.  As causas, que já conhecemos são mais uma vez claramente apresentadas: “

 

Assim sucedeu porque os filhos de Israel tinham pecado contra o Senhor seu Deus…e porque haviam temido outros deuses.”(v.7) e “…o Senhor tirou Israel da sua presença, como falara por intermédio de todos os seus servos os profetas.

 

Assim foi Israel transportado da sua terra para a Assíria, onde está  até o dia de hoje.”(v.23)  Os Israelitas do norte nunca voltariam da Assíria, e pior, o rei assírio trouxe para Samária gente de muitos lugares, para garantir que o espírito nacional de Israel não mais se levantasse contra Nínive. A mistura racial e religiosa que estas deportações em massa provocaram vieram a acentuar ainda mais o sincretismo religioso tão precisamente descrito nesse cap.17, e que nos ajudam a entender a Samária do novo testamento e a aversão que os judeus tinham dos samaritanos, pois entendiam que eles não eram seus  irmãos de sangue, tal a miscigenação ocorrida.

 

Terminamos assim, tristemente a nossa revisão da história do Reino de Israel. Este fim  nos retrata com muita força como as características de Misericórdia e de Juízo se encontram em Deus. Deus amou Israel. Deus intentou de inúmeras maneiras, durante muito tempo, atrair de novo para si aquela parte do seu povo reunida no Reino do Norte. Esta é a misericórdia de Deus. Mas, depois da misericórdia chega o tempo do Juízo, e este é um tempo terrível.

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