A ORAÇÃO E SUAS FORMAS DE EXPRESSÃO

Texto: Salmo 139

 

Até aqui estivemos meditando sobre os princípios bíblicos da oração genuína e sobre a experiência dos servos de Deus no passado neste precioso trabalho da alma: a oração.

 

Neste estudo, estaremos refletindo sobre algumas das formas de expressão que a oração pode assumir, quando se trata de fazermos uso dela para manifestarmos a Deus um conteúdo específico.

 

Sendo assim, iniciaremos com a oração de adoração.

 

Considerando que, antes de qualquer manifestação objetiva, a adoração é um desejo de cultuar e glorificar a Deus que nasce na intimidade de um coração reconhecido da grandeza, da majestade, do amor e da bondade de Deus, toda oração verdadeira pode ser compreendida como ato de adoração.

 

Como poderia o homem aproximar-se de Deus em oração sem esse reconhecimento?

 

Ocorre que, ainda que seja assim, há momentos em que a oração assume a forma específica de adoração. Melhor dizendo, há momentos em que nos servimos da oração como meio principal para apresentarmos a Deus o nosso louvor e bendizermos o seu nome. De igual modo, há momentos em que a adoração a Deus é o motivo central e o principal assunto da nossa oração, visto que nada mais desejamos naquela hora além de exaltarmos e engrandecermos a Deus pelo que Ele é e pelo que Ele faz.

 

Frequentemente, a oração de adoração vem acompanhada da oração de gratidão, de tal modo que louvor e ação de graças se associam numa única forma de oração.

 

O Salmo 138 é um bom exemplo desta associação de gratidão e adoração: “Graças te dou de todo o meu coração; diante dos deuses a ti canto louvores. Inclino-me para o teu santo templo, e louvo o teu nome pela tua benignidade, e pela tua fidelidade; pois engrandeceste acima de tudo o teu nome e a tua palavra” (v.1-2).

 

A seguir, destacamos outra forma, talvez a mais usual: a oração de petição. Aquela em que apresentamos a Deus as nossas necessidades e suplicamos em nosso próprio favor.

Por vezes, esta forma de oração tem sido criticada sob o argumento de se tratar de uma oração egoísta. Outros dizem que temos muito a agradecer a Deus e, por isso, não deveríamos nos preocupar tanto em pedir.

 

Porém, não seria essa uma forma sutil, para não dizer perigosa, de escondermos sentimentos de orgulho e autossuficiência?

 

A ausência de gratidão é uma falta grave que não devemos cometer. Contudo, a petição é absolutamente necessária em nossa vida. Quem de nós poderia subsistir sem o favor de Deus? Qual o homem que, de si mesmo, possui recursos para enfrentar e vencer as adversidades da vida?

 

Somos todos dependentes da graça, da bondade e do poder de Deus. Além do mais, a Bíblia ensina e recomenda a oração de petição em diversos dos seus textos.

 

É bom lembrar, no entanto, que o Espírito Santo nos adverte através do apóstolo Tiago a não pedirmos mal, porque se o fizermos nada receberemos (Tiago 4:3).

 

Entretanto, ser cuidadoso em não fazer petições imaturas e levianas não significa deixar de pedir. O mesmo apóstolo, no verso anterior, diz: “Nada tendes, porque não pedis”.

 

Tanto é assim que o próprio Senhor Jesus é quem melhor nos instrui e mais nos incentiva, recomenda e encoraja a fazermos a oração de petição quando diz: “Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. Pois todo o que pede recebe; e quem busca, acha; e ao que bate, abrir-se-lhe-á” (Mateus 7:7-8).

 

Como extensão da oração de petição, temos a oração de intercessão, através da qual a nossa petição é feita em favor de outra pessoa.

 

A intercessão é uma forma de levarmos as cargas uns dos outros (Gálatas 6:2). É um ministério do qual todos nós tomamos parte, embora alguns recebam um chamado especial do Espírito Santo para que se atenham com maior dedicação a esta tarefa.

 

Pela intercessão, as profundas necessidades de outras pessoas são encaminhadas ao trono de Deus; graves problemas são sanados e até mesmo evitados; vidas são abençoadas.

 

Por isso, estejamos prontos a interceder, lembrando que Jesus é o supremo e eterno intercessor que confirma junto ao Pai a nossa intercessão (Romanos 8:34; Hebreus 7:25).

 

Há, entretanto, outra forma que, pelo seu conteúdo principal, torna-se indispensável àqueles que desejam desenvolver uma autêntica vida de oração. É a oração de submissão. Por meio dela expressamos a Deus o nosso desejo de sermos moldados pelo seu Espírito. Isto implica em submeter-nos a um processo progressivo de transformações para nos tornarmos mais semelhantes a Jesus.

 

Para tanto, é necessário que estejamos dispostos a reconhecer e a nos despojarmos de tudo aquilo que possa prejudicar o nosso aperfeiçoamento espiritual.

 

Sendo assim, a oração de submissão requer de nós um autêntico sentimento de humildade, onde não há lugar para a superestima que leva à arrogância, nem para a subestima que produz uma pretensa humildade. A verdadeira humildade nos leva a ver-nos como de fato somos e nos conduz, em submissão, à graça e ao poder de Deus. Graça e poder que transformam o homem para melhor.

 

Sendo assim, é bom lembrarmos que toda oração verdadeira exclui a arrogância e deixa de fora todas as pretensões humanas.

 

O Senhor Jesus nos ensina a esse respeito com a parábola do fariseu e do publicano que foram ao templo para orar. Enquanto o fariseu confiava em si mesmo e exaltava a si mesmo, crendo que era justo, e desprezava os outros, o publicano apenas disse: “Ó Deus, sê propício a mim pecador”. Jesus conclui, dizendo que o publicano, aquele que orou com verdadeira humildade, saiu justificado. Já o fariseu, aquele que orou com tanta arrogância, não alcançou a pretendida justificação. Isto porque, diz Jesus, “todo o que se exalta, será humilhado; mas o que se humilha, será exaltado” (Lucas 18:9-14).

 

Por isso, façamos sempre a nossa oração de submissão à graça e ao poder de Deus que nos transformam para melhor.

 

Ao fazê-la, lembremos que o exame feito por nós mesmos, por mais honesto que seja, é sempre imperfeito devido às nossas limitações humanas, carecendo sempre do exame feito pelo Espírito de Deus que “esquadrinha todos os corações, e penetra todos os desígnios e pensamentos” (I Crônicas 28:9).

 

Sendo assim, devemos concluir a nossa oração de submissão como fez Davi no Salmo 139:23-24: “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me e conhece os meus pensamentos; vê se há em mim algum caminho mau, e guia-me pelo caminho eterno”.

Que Deus nos abençoe e ajude. Amém.

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