EVANGELHO DE JOÃO: ESTUDO 3 – O NOVO NASCIMENTO

João 3

 

O capítulo 3 do evangelho de João talvez seja o mais conhecido de todo o Evangelho. Nele encontramos a visita de Nicodemos a Jesus e também o testemunho de João Batista a respeito do Messias.

 

O nome Nicodemos significa “povo vencedor”. Era um dos membros do Sinédrio e voltará ao Evangelho nos capítulos 7,50 e 19,39. A tradição rabínica o descreve como sendo um dos homens mais ricos de Jerusalém. Quando visitou Jesus, o fez na qualidade de representante do seu povo, o que foi reconhecido por Jesus porque, quando Jesus se refere a ele como Mestre em Israel, mostra que compreendeu o significado daquela visita. Para Agostinho, Nicodemos “veio à luz, mas veio em trevas”.

 

Era de se esperar que Nicodemos, aqui considerado Mestre, compreendesse os ensinamentos a respeito de Jesus escritos no Antigo Testamento. Tudo sobre o Messias estava implícito nas Escrituras. Nicodemos sabia o teor da Escritura, mas não compreendia o seu alcance. A Bíblia não é um livro para ser conhecido e decorado, é norteador de toda a vida e precisa ser iluminado pela ação do Espírito Santo na vida daquele que busca saber a revelação de Deus.

 

O fariseu aproxima-se de Jesus à noite e diz: “Rabi, bem sabemos que és Mestre, vindo de Deus porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não for com ele.” (Jo 3,2). Jesus não espera para responder e diz: “Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo não pode ver o reino de Deus.” Nicodemos não entende nada. Ele não tem olhos abertos para o início de uma nova era que Jesus veio implantar. Sua mente é estreita, limitada em alcance. Responde: “Como pode um homem nascer sendo velho? porventura pode tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer?” Para este quesito, Jesus diz: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo.” (3,5-7).

 

Já no milagre da transformação da água em vinho Jesus acenara para a sua missão. Veio para tornar possível o cumprimento da Lei e não para escravizar pela Lei. Veio para libertar, para tornar o homem livre para se comunicar com Deus, não para enquadrá-lo e subjugá-lo pela interpretação humana da Lei. Veio para que o homem se deixasse nascer do Espírito e assim compreender a linguagem de Deus. Nicodemos não estava pronto ou não queria compreender. A Lei era o seu Deus. Não queria nascer de novo, abandonar a segurança da letra e viver na direção do Espírito.

 

O amor de Deus visto em Jesus não permite que Nicodemos seja condenado pela ignorância. Era Mestre na Lei? Então estava familiarizado com Moisés. Iria compreender o que tinha a dizer: “E, como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado. Para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (3,14-15).

 

Nicodemos, ouça com atenção: a Lei existiu como preparação para este dia. Ela, por si só, não resolve o problema do afastamento de Deus. Desaprenda, Nicodemos. Comece de novo, enxergue o que Deus preparou para a salvação de todo o mundo!

 

Infelizmente, não temos registro sobre a decisão de Nicodemos. Mas a preocupação é com a nossa posição diante do apelo para que coloquemos apenas em Jesus o alicerce para a nossa salvação. Boas obras, assiduidade à Igreja, engajamento no trabalho cristão, tudo isto é subproduto. Para obter a salvação e a comunhão com Deus, apenas Jesus é o caminho. Considere isto e verifique se, de alguma forma, você está na direção correta.

 

Depois do episódio que envolveu Jesus e Nicodemos, versículos 1 a 22, onde a ênfase estava no conceito do novo nascimento, aproximamo-nos dos versículos 22 a 36, que acena para a centralidade de Cristo sobre o crente. Agora Jesus estava na Judéia, João Batista em Enom, que significa fontes, junto a Salim, terra de muitas águas. Uma curiosidade: O nome Salim aparece também como Salém e significa plenitude de paz. A única referência no Novo Testamento a Salém é encontrada aqui. O local foi citado em Gênesis 14,18, quando Abraão se encontra com Melquisedeque, o primeiro rei conhecido de Salém.

 

Um judeu se aproximou dos discípulos de João e com eles discutiu a questão da purificação. Não sabemos se a referência era à prática comum entre os judeus ou se estava se referindo ao batismo de Jesus e de João. Ou será que contrastava um com o outro? O assunto aparece em linguagem de fofoca: “Rabi, aquele que estava contigo além do Jordão, do qual tu deste testemunho, ei-lo batizando. e todos vão ter com ele”.(3,10). A intenção é claramente percebida: colocar ciúmes em João Batista. Por que será, ouvintes, que há tantas pessoas desejosas de envenenar relacionamentos saudáveis?

 

João Batista tem aqui seu momento de grandeza. Não titubeou, não argumentou, não quis detalhes. Ele sabia que a missão de Jesus era diferente da dele. E não aceitou o papel de mediador. Jesus é o que nos mostra o Pai. O noivo é Jesus. João Batista apenas havia preparado o caminho para ele. Nada mais. Ao ouvir a voz do noivo ele se alegra e a sua fala desaparece no relato joanino. Confira a resposta de João: “João respondeu, e disse: O homem não pode receber coisa alguma, se lhe não for dada do céu, vós mesmos me sois testemunhas de que disse: Eu não sou o Cristo, mas sou enviado adiante dele. Aquele que tem a esposa e o esposo: mas o amigo do esposo, que lhe assiste e o ouve, alegra-se muito com a voz do esposo. Assim pois já este meu gozo esta cumprido. É necessário que ele cresça e que eu diminua.” (27-30).

 

Precisamos terminar, mas não antes de apresentar o resumo dos ensinamentos deste capítulo. Nele, João, o evangelista apresenta as credenciais de Jesus:


Origem celestial, o que o colocava acima das coisas terrenas (3,13)


Testemunha do que vê e ouve do Pai (3,32). Para compreender tal testemunho, é necessário haver sido regenerado (3,33)


Recebeu o Espírito “sem medida”. (3,36) e os que o aceitam, recebem a vida eterna (3,36).


Pergunto: você já conhece e se relaciona com Jesus?

APOIO BIBLIOGRÁFICO

ALLEN, Clifton J.(editor) Comentário Bíblico Broadman vol. 9 .Rio de Janeiro: JUERP. 2ª. edição. 1987.
BORTOLINI, José. Como ler o Evangelho de João – O caminho da vida. São Paulo: Paulus. 7ª. edição 2005.
BRUCE, F.F. João – Introdução e Comentário. São Paulo: Mundo Cristão. 1987.
CHOURAQUI, André. A Bíblia – Iohanân (O Evangelho Segundo João). Rio de Janeiro: Imago. 1997
TAYLOR, W.C. Evangelho de João –Tradução e Comentário. Volumes I, II e III. Rio de Janeiro:Casa Publicadora Batista. 1946.

FACEBOOK
TWITTER
Please reload

Publicações Recentes

11/11/2019

4/11/2019

21/10/2019

Please reload

Tel.: (21) 2253-2849 / 2223-3288  |  E-mail: contato@ebaronline.com.br

© 2017 Escola Bíblica do Ar - Todos os direitos reservados.​

​Desenvolvido e customizado por MTV Developer - RJ/Brasil