DEZ IDEAIS DE DEUS PARA SEUS FILHOS

Tiago 1 a 3

 

Nossos próximos estudos estarão focados nas chamadas Epístolas Gerais, que são, em linguagem simples, as cartas que foram escritas para cristãos não pertencentes a uma comunidade específica. Começaremos com Tiago, depois nos aproximaremos das cartas de Pedro e, por fim, das cartas de João e terminaremos com o estudo da carta escrita por Judas. Que o nosso Deus possa nos ajudar a ter um período bem produtivo para o nosso crescimento espiritual.

 

A epístola de Tiago é pequena. São apenas cinco capítulos recheados de instruções práticas. Não é um livro que traga muitas questões teológicas, mas se propõe a aconselhar e orientar os crentes que precisavam ser instruídos para melhor crescerem nos caminhos do Senhor. Daí a sua utilidade para os nossos dias. Ler Tiago é ser interpelado pela Palavra de Deus que deseja que nos posicionemos diante do que lemos.

Há quatro pessoas com o nome Tiago nas páginas do Novo Testamento. Há Tiago, filho de Zebedeu, irmão de João e de Pedro. Este Tiago morreu martirizado em 44 da nossa era. Encontramos também Tiago, filho de Alfeu, um dos doze. Em Marcos 15,40 aparece como sendo Tiago, o menor. O terceiro Tiago é irmão de Judas, não o Iscariotes e também relacionado com os Doze. Chegamos ao quarto Tiago, provável autor da nossa epístola, Tiago, o “irmão do Senhor”, consoante Gálatas 1,19. Este Tiago, que juntamente com os irmãos de Jesus a princípio não cria nEle, após ter visto o Senhor ressurreto (veja 1 Co 15,7), chegou rapidamente, à posição de proeminência na Igreja de Jerusalém.

 

É bom destacar que considerar Tiago, o irmão do Senhor, como autor da carta não é unanimidade no pensamento dos pesquisadores. Há argumentos contrários bem elaborados, assim como os são aqueles a favor. Por questão de tempo, deixaremos de lado tais questões, embora sejam muito interessantes.

 

A sociedade que cercava os leitores de Tiago, diz-nos Douglas J. Moo, comentarista bíblico, era composta, segundo informações do próprio texto, de comerciantes que andavam de um lado para outro em busca de lucro (4,13-17); senhores de terras, absenteístas, que exploravam a força de trabalho cada vez mais pobre (5, 1-6).

 

Quem eram os leitores de Tiago? Esta é uma pergunta interessante. Foram definidos como sendo crentes provados, tentados, inconstantes na fé, ouvintes e não cumpridores da Palavra, praticavam acepção de pessoas, ausentes nas obras, que não controlavam a língua, amargurados, invejosos, com sentimento faccioso no coração, que cobiçavam e nada tinham, caluniadores, julgadores, presunçosos, egoístas e desonestos. Tais atributos podem ser identificados na própria carta. Apesar de toda essa qualificação nada desejável, Tiago vem lhes apresentar as instruções para terem uma vida cristã cada dia mais significativa. Por isso, Tiago é um manual para nós. Manual que deve ser consultado, pois se encontra autorizado como Palavra de Deus.

 

Os três primeiros capítulos que hoje estudamos tratam da necessidade de se  colocar em prática a Palavra de Deus. Em meio a lutas, sofrimentos e necessidades de toda ordem, Tiago vem quase que a dizer: você não sabe como lidar com isto? Tem encontrado dificuldade para resistir a este tempo mau? Então peça a Deus sabedoria. Ele não vai deixar de atender ao desejo do seu coração e, em meio a tantas lutas, vai direcionar a sua vida de modo a fazer de você uma pessoa vencedora. Sim, quem de nós não precisa clamar por sabedoria para vencer nestes dias em pleno século 21? Quem de nós não tem sofrido incompreensões, injustiças, maldades e decepções? Para resistir a isto tudo, somente a partir da sabedoria que vem do Senhor.

 

É exatamente nessa área, a vida cristã, que Tiago presta a mais importante contribuição. Nenhum outro livro do Novo Testamento traz tantos ensinamentos para a prática da vida cristã idealizada para nós pelo Senhor Jesus. É possível extrair, segundo o pr. João Soares da Fonseca, até dez aspectos essenciais à vida cristã. Faremos apenas alguns destaques:

 

A partir da leitura de Tiago 2, 1 a 4, verificamos que o problema que Tiago repreendeu naquela comunidade cristã primitiva era identificado a partir de simples perguntas: por que os religiosos gostavam de bajular os ricos e poderosos? Ser “rico”, neste texto, significa necessariamente ser cheio de dinheiro? Enfim, o assunto aqui é de economia ou de atitude?

 

Continuamos a nossa leitura e chegamos ao capítulo 2, versos de 5 a 9. Ali encontraremos a prática de discriminação, parcialidade na justiça denunciadas por Tiago. Isso não deveria ser encontrado entre crentes, concorda? Ainda no capítulo 2, os versos de 10 a 13 nos apresentam o julgamento pela lei da liberdade, que deveria ser o norteador das relações entre aqueles irmãos. O Dr. Luiz Sayão, a este respeito, resume: “procurem pautar a vida de vocês com misericórdia. Se formos duros com os outros, severos no nosso julgamento, esta realidade se voltará contra nós.” Tiago adverte contra a incoerência. Dr. Sayão não poupa palavras, quando diz: “a fé que não se manifesta concretamente é fé coisa nenhuma. É falsa. Não existe.”

 

Uma questão que o atento ouvinte ao ler este capítulo já formulou é o aparente conflito entre os ensinamentos de Tiago que estamos estudando e as conclusões do apóstolo Paulo escritas em Romanos 3, 28. Vamos nos deter nos dois versículos, importantes que são como base para a continuação dos nossos estudos em Tiago.

 

Em Romanos 3,28, nós lemos: “ concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé sem as obras da Lei.” Já Tiago 2,24 registra: “Vedes, então, que o homem é justificado pelas obras, e não somente pela fé.”  Como conciliar estes dois versículos de modo a compreendermos o que Deus tem para nos ensinar? O Dr. Luiz Sayão lidou com esta dificuldade e concluiu dizendo que, em Romanos, as obras são as obras da Lei, os preceitos do Antigo Testamento que eles imaginavam, àquela altura, trazerem méritos para a salvação. Paulo lida com isso e refuta o argumento, para que seus leitores e ouvintes pudessem alcançar a liberdade que Jesus nos deu. Já em Tiago, torna-se evidente e imperioso que aquele que crê em Cristo desenvolva a sua fé na prática, e o faça para cumprir a vontade de Deus que se tornou real em sua vida, a partir do relacionamento com Jesus.

 

Que possamos nos aproximar dos ensinamentos de Tiago com a sabedoria que Deus nos dá, para vencermos as dificuldades da vida cristã e nos tornarmos cumpridores da vontade soberana de Deus para nós.

Apoio Bibliográfico: 
1.    BROWN, Raymond E. Introdução ao Novo Testamento. São Paulo: Paulinas. 2004 
2.    MOO, Douglas J. Tiago – Introdução e Comentário. Série Cultura Bíblica. SP: Mundo cristão. 1990
3.    SAYÃO, Luiz. Rota 66 – Novo Testamento – São Paulo: RTM

 

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