A PARÁBOLA DOS DOIS FUNDAMENTOS - Mateus 7.24-29

[paralelo em Lc 6.46-49: O Prudente e o Insensato]

24 “Portanto, quem ouve estas minhas palavras e as pratica é como um homem prudente que construiu a sua casa sobre a rocha.

25 Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, e ela não caiu, porque tinha seus alicerces na rocha. 

26 Mas quem ouve estas minhas palavras e não as pratica é como um insensato que construiu a sua casa sobre a areia. 

27 Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, e ela caiu. E foi grande a sua queda”.

28 Quando Jesus acabou de dizer essas coisas, as multidões estavam maravilhadas com o seu ensino, 

29 porque ele as ensinava como quem tem autoridade, e não como os mestres da lei.

 

Jesus Cristo utilizou abundantemente o recurso de parábolas para com elas ensinar aos seus ouvintes verdades espirituais. Em uma época desprovida dos meios de comunicação que temos hoje, como televisão, cinema e publicações, as estórias apresentadas pelo Mestre tinham a função de chamar a atenção, emocionar e levar os ouvintes a refletirem profundamente sobre o que ouviam. As parábolas de Jesus não são ‘causos’ para serem ouvidos como entretenimento de um instante de prazer. Elas foram utilizadas para levar as pessoas a tomarem partido, a se envolverem na estória, e a tomarem uma decisão, como se fosse a sua própria experiência. A beleza, o surpreendente e a emoção das parábolas continuam hoje nos convidando a pararmos por um instante, nos envolvermos nelas e, refletindo, dar a nossa resposta ao desafio que elas nos apresentam. É o que temos que fazer com a parábola lida, conhecida como a parábola dos dois fundamentos.

 

Naturalmente, a estória apresentada por Jesus nos convida a escolher, a tomar partido entre dois sujeitos. Ambos desejam – e se esforçam por conseguir – o mesmo objetivo: a casa própria. Ambos usam todos os seus recursos, o seu tempo e o seu empenho para ter o que querem. Ambos conseguem o que desejam. Não é para nenhuma dessas coisas comuns aos dois personagens que a estória chama a atenção. Jesus foca na diferença entre eles. É a diferença que não aparece no começo, não aparece na boa intenção, nem aparece nos esforços cuidadosos. É a diferença que aparece depois. Jesus chama a nossa atenção para as consequências ultimas das nossas decisões, daquilo que fazemos. Jesus ressalta a importância de pensarmos muito no que pode acontecer com o caminho que resolvemos seguir, com a decisão que desejamos tomar. Jesus nos lembra que ao fim vamos viver com todas as consequências das decisões que tomamos. Podemos até acertar noventa por cento em uma decisão qualquer, mas vamos sofrer com o dez por cento de erro. Os noventa por cento de acerto não apagarão os dez por cento de errado, e o problema é que essa pequena parte de errado produz consequências que podem por tudo a perder. 


É o caso dessa parábola, onde o resultado final do esforço invalida, cancela tudo o que foi feito, mesmo aquilo que foi feito cheio de boas intenções.

 

A imagem que é o clímax, o ponto alto, dessa parábola é o segundo sujeito, quando ele olha para a obra da sua vida, lembrando tudo o que nela gastou e sonhou e só vê uma grande destruição. Por causa dessa tragédia esse segundo sujeito é chamado de Insensato, isto é, maluco, irresponsável, inconsequente, burro, idiota, falto de juízo. Não há qualificativo pesado demais para atribuir a esse segundo sujeito. E por que isso? Somente porque esse homem falhou em uma decisão? Falha boba, poderíamos dizer, inexpressiva, sem importância, detalhe. Sim, só era um detalhe até o dia em que veio a tempestade. Em todos os seus sonhos, esse homem insensato considerou que o céu para ele sempre seria azul; nunca pensou nas nuvens escuras, nunca pensou no temporal e, com certeza, ficou muito contente, cheio de si ao ver que a sua casa ia ficando pronta muito mais rápida e com menos esforço que a casa do seu colega, aquele sujeitinho estranho que estava se ralando para conseguir construir a sua casa em cima de um morro só de pedra. Aqui embaixo, aqui na areia era muito mais fácil e a casa foi ficando do jeito sonhado muito depressa. Que alegria. Que alegria, mas isso era o passado. Agora, tentando salvar o que é que conseguia de debaixo dos escombros da casa levada pela enxurrada, ele tinha que reconhecer que o outro sujeito, aquele da casa sobre a pedra estava muito mais certo que ele...

 

A grande lição que Jesus quer ensinar, a grande questão para a qual Jesus quer ter a nossa atenção, é nos conscientizar que devemos construir para os tempos de tempestade. Devemos levar em conta que não há só tempo bom, não há só horas de alegria, momentos de satisfação, dias de plenitude de disposição e força. Haverá também o tempo da tristeza, da doença, da perda, do lamento e da morte. Após atravessar esses momentos difíceis, e só então, é que descobriremos a qualidade da casa que construímos. 

 

Grande lição de vida. Ensino importante para cada pessoa e para cada situação. Cuidado com o que decidir. Atenção dobrada com onde você está construindo o seu projeto, seja ele profissional, familiar, ou de qualquer natureza: ele é a prova de chuvas e trovoadas? E quando as águas rugirem e subirem, aguenta? Os descuidos de hoje podem virar a catástrofe de amanhã. A irresponsabilidade de agora pode ser muito lamentada logo mais.

 

Mas, não devemos nos iludir. Jesus não está querendo lançar sobre os nossos ombros uma carga que não conseguimos aguentar. Ele não quer encher-nos de culpa, como alguém com um dedo em riste olhando para nossas desgraças, grandes ou pequenas, e quase como rindo, dizer: não disse? Eu avisei!


O objetivo de Jesus é muito maior, a sua parábola busca nos sensibilizar para algo mais relevante, mais fundamental.  É o próprio Jesus que diz isso. Ele estava ensinando sobre as verdades da vida, sobre coisas essenciais relacionadas aos aspectos espirituais da existência humana, naquilo que ficou conhecido como o Sermão do Monte, e ai contou essa parábola como a sua conclusão, dizendo “quem ouve estas minhas palavras e as pratica é como um homem prudente que construiu a sua casa sobre a rocha”. E então Jesus coloca o contraste chocante, acrescentando: “Mas quem ouve estas minhas palavras e não as pratica é como um insensato que construiu a sua casa sobre a areia”.
 
A parábola de Jesus nos encurrala para a hora do ‘você decide’: você quer ser o sujeito prudente ou você quer se tornar o sujeito insensato? Só você pode decidir, só você tem o poder dessa escolha.

 

Pense na parábola. Talvez você nunca se ligou nessa questão do espiritual. São tantas coisas para se preocupar, são tantos projetos e possibilidades. As coisas estão indo tão bem, sempre foram. Mas, a pergunta de Jesus ecoa: sobre qual fundamento você está construindo tudo isso? O que Jesus quer de fato dizer é que ele é a Rocha, e quem nele se firma, jamais será destruído, por mais severo que seja o temporal. Jesus não ensina uma maneira de evitar o temporal, nem dá qualquer garantia de que estando com Ele não haverá temporais. Só as falsas religiões tentam ensinar isso. Jesus nos traz a perspectiva da vida eterna, da vida que transcende a morte, da vida que é maior que as tempestades. A única conclusão possível para essa parábola de Jesus é essa: firme-se no fundamento certo. Ouça o convite de Jesus. Siga o conselho de Jesus. Renda-se a Jesus e deixe que ele seja o fundamento da sua vida toda. “Quem crer em mim, ainda que morra, viverá”. E ai então, o resto, o resto todo são só tempestades passageiras, que não precisam mais ser temidas.
 

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