A PARÁBOLA DA VINHA DO SENHOR

Isaías 5. 1-7

1Cantarei para o meu amigo
o seu cântico
a respeito de sua vinha:
Meu amigo tinha uma vinha
na encosta de uma fértil colina.

2Ele cavou a terra, tirou as pedras
e plantou as melhores videiras.
Construiu uma torre de sentinela
e também fez um tanque de prensar uvas.
Ele esperava que desse uvas boas,
mas só deu uvas azedas.

3“Agora, habitantes de Jerusalém
e homens de Judá,
julguem entre mim e a minha vinha.

4Que mais se poderia fazer por ela
que eu não tenha feito?
Então, por que só produziu uvas azedas,
quando eu esperava uvas boas?

5Pois eu lhes digo o que vou fazer
com a minha vinha:
Derrubarei a sua cerca
para que ela seja tranformada em pasto;
derrubarei o seu muro
para que seja pisoteada.

6Farei dela um terreno baldio;
não será podada nem capinada;
espinheiros e ervas daninhas crescerão nela.
Também ordenarei às nuvens
que não derramem chuva sobre ela."

7Pois bem,
a vinha do SENHOR dos Exércitos
é a nação de Israel,
e os homens de Judá
são a plantação que ele amava.
Ele esperava justiça,
mas houve derramamento de sangue;
esperava retidão,
mas ouviu gritos de aflição.

As parábolas são pequenas estórias enfocando episódios comuns, mas aplicadas para explicar verdades mais profundas. Jesus Cristo foi o mais notável usuário desse recurso de comunicação e as parábolas que ele contou e que ficaram registradas nos evangelhos são exemplos supremos e inimitáveis dessa ferramenta de ensino. No entanto, as parábolas não são exclusividade de Jesus, nem foi ele o seu inventor; as encontramos em registros escritos muito antigos, e mesmo na Bíblia, em textos que já eram conhecidos no tempo de Jesus, vemos o emprego de parábolas.

O trecho lido, parte do livro do profeta Isaías deve ter sido escrito cerca de 700 anos antes de Jesus Cristo, e também é uma parábola. É uma parábola em forma de poesia, uma parábola que talvez tivesse sido cantado como uma balada, uma parábola onde um lavrador proprietário de terras denuncia a sua decepção com o resultado inesperado que foi produzido no pomar que plantou.
 
O próprio texto explica que o proprietário da terra e que a plantou não é ninguém menos que Deus. A plantação de uvas – um vinhedo – era o povo de Israel. O lavrador queria colher uvas saborosas e por isso tomou todos os cuidados para a proteção e o crescimento do vinhedo, mas na hora de aparecerem os frutos somente encontrou uvas impróprias para o consumo, de tão azedas que eram. Esta é uma parábola sobre desvirtuamento de propósito. Embora o profeta a conte nominando o povo de Israel, ela reflete a realidade de toda a raça humana.

A Bíblia nos ensina que Deus criou o ser humano para O adorar e para viver em comunhão com Ele, mas também Deus deu-lhe a capacidade de decidir. O ser humano é livre para fazer qualquer coisa que almejar realizar com as suas capacidades, e chamamos isto de livre-arbítrio.  Ao depararmos com o mal efetuado por uma pessoa, quer seja um assassinato, uma violência, uma destruição ou qualquer outra realização ruim, sabemos que houve alguém que agiu errado, mas agiu errado por que decidiu agir assim: foi a sua livre determinação que o levou ao ato. Poderia ter agido de outro modo; poderia não ter feito o mal, mas decidiu diferentemente. E aprendemos com a Bíblia que esses erros humanos são chamados por Deus de pecado, e o maior de todos os pecados é o ser humano não aceitar a existência de Deus, o Seu poder e o Seu desejo de que toda pessoa esteja em comunhão com Ele e o adore. Desde o primeiro pecado, que a Bíblia nos relata, praticado por Adão e Eva no Jardim do Éden, a tendência natural do ser humano é de rebeldia contra Deus; é de produzir frutos azedos, inaceitáveis por Deus. Compete ao ser humano por sua livre decisão deixar de lado a condição de pecado e voltar-se para Deus e reconhecê-lo como Deus e honrá-lo e adorá-lo.

Como a parábola da vinha, do profeta Isaías realça, Deus se desapontou com a sua criatura. Deus se decepcionou com o ser humano. A solução natural, tal como cantada nesta parábola seria o abandono da criação: não mais cuidar dela, retirar a proteção, deixar ser pisoteada pelos animais selvagens, permitir que o mato cresça até que não reste nenhum sinal de que ali algum dia houve um vinhedo muito bem cuidado. Esta seria a solução natural, e o cantador da parábola pergunta se não é isso que ele teria o direito de fazer: “Agora, habitantes de Jerusalém e homens de Judá, julguem entre mim e a minha vinha” . Como parábola profética, aquilo que foi anunciado pelo lavrador se cumpriu, porém não de forma definitiva. No seu amor por sua criação, Deus providenciou uma nova oportunidade para que o ser humano pudesse retornar ao propósito original para o qual foi criado, qual seja o de estar em comunhão com Deus e o reconhecer. Esta nova oportunidade se chama Jesus Cristo, e é o próprio Mestre que volta ao tema dessa parábola de Isaías para nos ensinar:

“Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que, estando em mim, não dá fruto, ele corta; e todo que dá fruto ele poda, para que dê mais fruto ainda. Vocês já estão limpos, pela palavra que lhes tenho falado. Permaneçam em mim, e eu permanecerei em vocês. Nenhum ramo pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira. Vocês também não podem dar fruto, se não permanecerem em mim. “Eu sou a videira; vocês são os ramos. Se alguém permanecer em mim e eu nele, esse dará muito fruto; pois sem mim vocês não podem fazer coisa alguma. Se alguém não permanecer em mim, será como o ramo que é jogado fora e seca. Tais ramos são apanhados, lançados ao fogo e queimados. Se vocês permanecerem em mim, e as minhas palavras permanecerem em vocês, pedirão o que quiserem, e lhes será concedido. Meu Pai é glorificado pelo fato de vocês darem muito fruto; e assim serão meus discípulos”. (João 15.1-8)

Estas palavras de Jesus dão um novo e muito mais profundo significado à antiga parábola do profeta. A nossa inclinação natural é para o mal; sem Jesus nada podemos, estamos destinados a ser cortados e lançados fora, mas em Jesus e por Jesus, podemos ser parte da videira verdadeira; podemos ficar sob os cuidados plenos do Agricultor; podemos frutificar, cumprindo a finalidade para a qual fomos criados.

A nossa capacidade de decisão, o nosso poder de livre arbítrio nos coloca diante de opções que temos que escolher. Não deixemos de ouvir as palavras de Jesus: “permaneçam em mim e eu permanecerei em vocês. Se alguém permanecer em mim e eu nele, esse dará fruto. Meu pai é glorificado pelo fato de vocês darem muito fruto, e assim serão meus discípulos”.

Não precisamos deixar que a parábola de Isaías se torne a história da nossa vida. Temos a opção de seguir o roteiro proposto por Jesus. Sejamos sábios no uso da nossa capacidade de decisão: fiquemos com Jesus para nos tornarmos videiras de muitos e bons frutos.

 

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