A FAMÍLIA E A SOCIEDADE

1)    DEGRAUS DA SOCIEDADE

Ainda que rejeitada por muitos, principalmente em nosso tempo, a sabedoria antiga tem muito a nos oferecer. Vale a pena nos voltarmos para ela, se queremos viver bem e formar uma sociedade justa e estável. Da antiguidade chinesa colhemos estes conscientes de Confúcio, que passamos a analisar:

 Antes de pôr o Estado em ordem, ponham em ordem a família.
Antes de pôr em ordem as famílias, ponham em ordem as pessoas.
Antes de pôr em ordem as pessoas, ponham em ordem a educação.
Antes de pôr em ordem a educação, haja pensamento sincero.

Aqui estão, os degraus da sociedade. E como para se subir começa-se pelo degrau mais baixo, analisemos o pensamento do mestre chinês, iniciando pela última partedo seu arrazoado:

1)    Degrau do pensamento. Nossa conduta, todo o nosso viver é resultado do que vem de dentro. O homem é, antes de tudo, o ser interior. Essa verdade do pensamento antigo é confirmada fartamente na Bíblia. Jesus afirmou: “Do coração procedem os maus pensamentos, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias (Mt 15.19).

2)    Degrau da educação. O homem é, em grande parte, fruto do que aprende. Nenhum ser vivente precisa tanto ser preparado para a vida como a criatura humana. O aprendizado é fundamental na formação do homem, do qual se constitui a sociedade.

3)    Degrau da pessoa. A sociedade reflete o individuo. Nenhum grupo humano é melhor ou pior do que o conjunto das pessoas que o constituem. Assim ocorre com a família, a comunidade, a Pátria, o Estado.

4)    Degrau da família. Esse é um elo importante na configuração dos grupos humanos. É o que pode ser mais homogêneo, por isso o de maior peso na estrutura social. Sua contribuição como base do Estado, igreja ou qualquer outro grupo associativo é da maior relevância. A Pátria é, desse modo, o quociente dos homens e famílias que a constituem.

5)    Degrau do Estado. Esse é o ponto mais alto. É a entidade jurídica de um povo. É o resultado direto desses elementos que fazem a sua formação. O Brasil precisa desses degraus como alicerces para a sua grandeza.

2)    FAMÍLIA – BASE DA SOCIEDADE

Confirmando o que viemos demonstrando sobre o relacionamento da família com a sociedade, trazemos o pensamento do engenheiro francês Frederic Le Play (1806-1882). Encarregado pelo governo do seu país de fazer um estudo em profundidade sobre a condição social do povo, Le Play se empolgou pelo assunto e passou a examiná-lo com grande empenho.

Em sua profissão de engenheiro, estava ele em contato direto com os operários. Não foi difícil realizar um estudo minucioso sobre suas condições sociais em todos os pormenores. Fez uma biografia quase completa de muitas famílias operárias, conseguindo importantes informações sobre profissão do chefe, salário, educação dos filhos e maneiras de viver em geral.

De posse de todos os dados, o pesquisador chegou a escrever trezentas monografias, descrevendo em análise profunda a situação dos trabalhadores e sua influência na sociedade.

Conforme o professor Amaral Fontoura em seu livro “Introdução à Sociologia”, as conclusões de Le Play sustentam um estreito relacionamento entre as famílias, como grupo restrito, e a sociedade como relacionamento entre a família, como grupo restrito, e a sociedade como sua extensão. Da família depende, substancialmente, tudo o que ocorre na sociedade. Eis um resumo de suas conclusões:

“A família é a unidade social elementar e irredutível. É o órgão predominante do corpo social. Com efeito, os indivíduos não existem isolados na sociedade, mas sempre grupados em famílias. E para qualquer recenseamento ou estatística, a unidade é a moradia, isto é, a habitação da família”.

Revela o autor que as importantes conclusões do engenheiro francês foram aceitas como verdadeiras e científicas; vindo mais tarde a consubstanciar-se na Escola de Reforma Social.

Com o passar do tempo e mudança dos costumes e do comportamento humano, avultam-se cada vez mais os fatores que conspiram contra a família. Sendo ela de tal importância no contexto social, é de se esperar que haja todo o empenho a fim de que agentes que concorrem para a sua destruição sejam neutralizados. Vale, por outro lado, que as forças que a sustentam e dignificam sejam estimuladas, a fim de que a família prossiga como força do bem.

3)    A FAMÍLIA E A SOCIEDADE

A ideia de família é de um grupo restrito. É constituída de um grupo limitado de pessoas. De início abrange pai, mãe e filhos. Pode estender-se um pouco, incluindo-se avós e netos. Em abrangência maior, pode também contar-se parentes colaterais, como tios e sobrinhos. Finalmente, há possibilidade de se incluir todos os familiares, mesmo parentes de segundo e terceiro graus.

O conceito de sociedade é de uma abrangência bem maior. Como define o dicionário de Aurélio, é um conjunto de pessoas que vivem em certa faixa de tempo e espaço, seguindo normas comuns.

Há uma grande vinculação que constituem a família forma a sociedade. Sendo a família o grupo menor, pela sua multiplicação, constitui a sociedade, a Nação, a Pátria, o Estado.

Desse modo, tudo o que atinge a família, como grupo restrito, tem reflexos positivos ou negativos sobre a sociedade. O conjunto de indivíduos que constituem a sociedade jamais poderá ser melhor do que elementos das famílias que lhe dão origem.

Acontece como a pedra que alguém atira ao meio de um lago de águas tranquilas. As ondas provocadas pelo estremecimento das águas vão em círculos cada vez maiores, até a periferia. Do mesmo modo, o mal que conspira contra a estabilidade da família, concorrendo para a sua degradação, atinge também a sociedade como um todo.

Uma família não é uma ilha. Ela, juntamente com muitas outras, forma a sociedade. Se as famílias são saudáveis e equilibradas socialmente e bem estruturadas, cumprindo como convém, através de seus membros, os seus deveres, como bons cidadãos, a sociedade como resultado do seu conjunto, por sua vez, vai bem e prospera. Se, pelo contrário, a família como instituição menor, se torna enferma e se desmorona, traz transtornos para a sociedade, da qual é participante.

A realidade dessa afirmação pode ser vista na prática. Na medida em que a família, como instituição divina, vai-se corrompendo, toda a sociedade vai sofrendo os seus efeitos na proliferação de males que se avolumam cada vez mais.

Sustentar a dignidade da família é, por extensão, garantir a grandeza da sociedade e da Pátria.

4)    PIGMENTAÇÃO SOCIAL

Pode o leitor estranhar essa colocação. Pigmentação diz respeito à coloração, cor da pele. Mas aqui usamos o termo em sentido figurado. Os pigmentos são pontos minúsculos que se espalham em conexão com a pele. Se eles são em quantidade reduzida, nem chegam a ser notados. Mas na proporção em que o seu número cresce, eles aparecem bem visíveis e revelam de que raça é uma pessoa.

Há, sem dúvida, outras características determinadas da raça, mas em geral uma pessoa é qualificada como branca, preta, amarela, de acordo com o número de pigmentos que estão inseridos em sua pela.

O que ocorre na pele como consequência da acumulação de pigmentos, acontece no contexto social, como resultado dos pigmentos morais. A cor ou qualidade da sociedade é determinada pelo conjunto dos seus indivíduos. O quociente da sociedade é igual às pessoas que lhe dão origem. Se os indivíduos são saudáveis e equilibrados, a sociedade que deles resulta, por sua vez, apresenta qualidades positivas. Se, pelo contrário, seus elementos formadores são enfermos, tal situação se reflete inexoravelmente no conjunto.

A mesma ilustração desse fato pode ser vista na poluição do ar. Quanto maior o número de elementos estranhos que encontram-se em suspensão no espaço, tanto maior é a poluição do ambiente.

Um jovem de pequena cidade do interior do Brasil ouvia muito falar da poluição em São Paulo. Certa feita, chegando à Capital Bandeirante, andou por vários bairros da cidade. Usou ônibus e metrô e esperava ver a poluição por toda parte. Um dia, conversando com alguém que fazia referência à poluição, o jovem declarou: “Andei por toda esta cidade e não vi poluição alguma”.

Os pigmentos como unidade não chegam a serem vistos a olhos descobertos, bem assim os minúsculos fragmentos que produzem a poluição do ambiente. Mas seus efeitos são notáveis e nocivos. O mesmo ocorre no que tange à família e aos indivíduos no contexto social. Seus pigmentos e micro-organismos são vistos e determinam o que é a sociedade como um conjunto.

Salvando-se a família, salvam-se a sociedade e a Pátria. Por outro lado, degenerando-se a família, contamina-se a sociedade em seu conjunto, vindo tal situação a refletir-se negativamente nas condições nas condições de vida de todas as pessoas.

5)    UM NOVO COMPORTAMENTO

Já ressaltamos em tópico anterior a diferença biológica, afetiva e psicológica entre o homem e a mulher, como fator importante na complementação de um para com o outro. O próprio Deus estabeleceu a família, através do casamento monogâmico, como plano para a perpetuação da raça humana em bases saudáveis.

Um fato novo, entretanto, ocorreu na vida humana, como a entrada do pecado. Começou a perversão e degradação de tudo que existe. Avolumou-se um estado mau, porque a tendência do pecado é gerar pecado cada vez maior. É uma noite que se vai tornando mais e mais tenebrosa. Já o capítulo seis de Gênesis ressalta o avanço de enorme tendência em que se encontra o ser humano. Começa a predominar um estado de inversão total de valores.

Tal estado de ruína humana começa com a degeneração da família. “Viram os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas; e tomaram para si mulheres de todas as que escolheram“ (2). Conforme as melhores escolas de interpretação das Escrituras, esses filhos de Deus seriam descendentes de Sete, aquele segmento da sociedade de linhagem piedosa e obediente ao Senhor. As filhas dos homens, pelo contrário, seriam advindas da descendência de Caim, representando a atitude perversa do homem que praticou o primeiro homicídio.

Tudo indica que a perversão da criatura humana se avolumou pela distorção do plano de Deus em relação à família. Ao que parece, daí por diante se desenvolveu a poligamia iniciada por Lameque: o primeiro homem de quem se diz ter-se consorciado com mais de uma mulher. A informação segundo a qual “tomaram mulheres de todas as que escolheram” relata uma situação de discriminação total, tanto na preferência, como  também no número de mulheres que seriam tomadas.

Daí em diante começa a inversão dos valores. O que é certo passa a ser concebido como errado, e o errado como certo. Mais tarde o profeta Isaías sintetizou situação nestas palavras: “Ai dos que ao mal chama bem, e ao bem, mal; que põem as trevas por luz, e a luz por trevas, e o amargo por doce, e o doce por amargo” (5: 20). Como resultado, desenvolve-se de modo assustador a violência, vista em indivíduos que se tornaram famosos pelos seus atos perversos, sendo chamados “gigantes”.

Agiganta-se a maldade
do homem em sua vivência,
desce um degrau a família,
sobe dez a violência.

 

(continua)
 

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