ANDANDO COM JESUS, 1/4

(Usado com permissão)
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Este é o tema do presente estudo. O objetivo é acompanhar os passos do Filho de Deus durante os três anos e meio aproximadamente do Seu ministério de pregação do Evangelho. Para isto faremos uma excursão pelos quatro primeiros livros do Novo Testamento, chamados “Evangelhos”, focalizando os acontecimentos neles registrados, a respeito do serviço de Jesus entre nós aqui na Terra. A título de esclarecimento, informamos que a palavra “ministério” significa serviço prestado em benefício de outros.

Os escritores dos Evangelhos são:

Mateus, anteriormente chamado Levi, era um judeu cobrador de impostos para o Império Romano, que se tornou discípulo no início do ministério de Jesus na Galileia.

João Marcos ou simplesmente Marcos, conheceu Jesus ainda muito jovem. Era primo de Barnabé (Colossenses 4:10). A casa de seus pais era ponto de reunião de discípulos de Jesus (Atos 12:12). Provavelmente é o jovem mencionado em Marcos 14:51-52. Mais tarde acompanhou o apóstolo Pedro durante o seu ministério em Roma (I Pedro 5:13).

 No seu Evangelho Jesus é apresentado como o Servo de Deus a serviço dos homens. Serviço que abrange o Seu Ministério de ensino e representa o máximo da revelação de Deus à humanidade, incluindo também o Seu sacrifício para a remissão de pecados. Marcos escreveu este Evangelho em estilo de reportagem jornalística, enfatizando a dinâmica do Filho de Deus, que se mostrou ágil e incansável na realização da Sua obra. Isto é bem ao gosto dos romanos, que valorizavam os cidadãos de rápida decisão e grande expediente. Mas também fica patente o conflito progressivo entre Ele e os Seus opositores, representados pelas autoridades judaicas, pelos escribas e fariseus, o que acabou levando-o à morte na cruz.

Embora Marcos não tenha como objetivo provar que Jesus Cristo é o Filho de Deus, esta verdade acaba tornando-se evidente pelos milagres relatados, que mostram o Seu poder sobre várias áreas como a natureza, doenças, Sua autoridade sobre espírito de demônios e o Seu poder de penetração na mente humana. O mais importante de tudo para mostrar a Sua natureza divina é o poder da Sua Palavra, capaz de transformar vidas e levar almas à paz com Deus e à salvação eterna (cp Marcos 5:15 e Lucas 8:35-36). Este Evangelho, segundo informações históricas da igreja primitiva, foi composto a pedido da igreja de Roma que, prevendo a morte de Pedro (cf  II Pedro 1:14 ), desejava ter um relato por escrito da obra de Nosso Senhor Jesus Cristo. O seu Evangelho é o registro das pregações do apóstolo naquela cidade.

Lucas, médico de origem grega, exímio escritor e pesquisador, juntara-se à equipe missionária do apóstolo Paulo na cidade de Trôade, na Ásia Menor, durante a segunda viagem missionária do apóstolo. Posteriormente foi à Judéia, onde coletou preciosas informações para compor o seu Evangelho.

João, o discípulo amado, o mais jovem dos doze apóstolos, era também primo de Jesus. Ele, André, Pedro, Felipe e Natanael foram os cinco primeiros que seguiram a Jesus logo nos dias que se seguiram à Sua volta do deserto, onde foi tentado.

Mateus, Marcos e Lucas escreveram os seus Evangelhos em torno do ano 60 D.C. Marcos escreveu primeiro e serviu de roteiro para os outros dois. Estes são chamados Evangelhos sinóticos porque constituem uma sinopse, isto é, um resumo das atividades de Jesus e um pouco da Sua vida anterior ao Ministério.
João escreveu o quarto Evangelho cerca de 30 anos depois dos outros, com a preocupação especial de produzir nos leitores a fé em Cristo, o Filho de Deus (João 20:30-31).

Os Evangelhos começam com uma introdução, cada um apresentando aspectos diferentes de Jesus, antes de entrar no assunto do Seu Ministério. Mateus começa com a genealogia de Cristo a partir de Abraão, o grande patriarca Hebreu, do qual descende toda a nação de Israel. Este Evangelho foi escrito tendo em visto o povo judeu e o objetivo desta genealogia é mostrar que Jesus é descendente de Abraão. Em seguida ele relata o anúncio do nascimento de Jesus a José, feito por um anjo, em sonho, informando inclusive qual deveria ser o Seu nome. Este é o único Evangelho que relata esse acontecimento, como também a visita dos magos e a sua adoração ao menino, quando Ele ainda era muito criança. Mateus também relata a fuga de José e Maria para o Egito, com o fim de escaparem da perseguição do rei Herodes, que intentava matá-lo, para impedir que Ele viesse, mais tarde, tomar o seu trono. Ele fora informado de que havia nascido o “Rei dos Judeus”      (Mateus 2:1-18). Após a morte de Herodes, a família voltou do Egito e fixou-se em Nazaré, na região da Galileia (Mateus 2:19-23). Os relatos seguintes deste Evangelho são sobre a pregação de João Batista, o batismo de Jesus por este profeta, a Sua tentação no deserto da Judéia e a sua volta para a Galileia, onde efetuou o seu grande trabalho, chamado o “Ministério da Galileia”.

Marcos inicia sua narrativa, informando que o Evangelho de Jesus vem em cumprimento das profecias do Velho Testamento. Portanto, Jesus não é um personagem que surgiu de improviso dentro das circunstâncias da época, nem por sua própria iniciativa e, também não, da sequência à linhagem sacerdotal levítica. Ele está cumprindo as Escrituras, conforme o que havia sido anunciado pelos profetas. Falando brevemente de João Batista, do batismo de Jesus e da Sua tentação no deserto, o assunto desse Evangelho passa logo para o Ministério de Jesus na Galileia.

O Evangelho de Lucas é o que tem o maior preâmbulo, iniciando-se com o anúncio do nascimento de João Batista a seu pai, o sacerdote Zacarias. Como cuidadoso investigador, o evangelista dá muitas informações preciosas e únicas como a anunciação do nascimento de Jesus a Maria pelo anjo Gabriel; o anúncio do nascimento de Jesus aos pastores; a circuncisão e apresentação de Jesus no Templo; a presença de Simeão e da profetiza Ana naquela ocasião; a presença de Jesus no meio dos doutores no Templo, quando Ele contava doze anos. Em seguida ele relata o aparecimento de João Batista nas circunvizinhanças do Jordão, pregando arrependimento e batizando. Nesta época Jesus se apresenta para ser batizado por ele. Em seguida, Lucas dá a genealogia de Cristo, começando por Ele, e chegando até Adão.

Se o Evangelho de Mateus traz a genealogia de Jesus, começando por Abraão, para mostrar a Sua origem dentro do povo hebreu, agora representado pelos judeus, o Evangelho de Lucas leva a Sua genealogia até Adão e Deus, para mostrar que Ele proveio de Deus como dádiva para todos os povos. De fato, como disse certo estudioso da bíblia: “Jesus é o maior legado de Deus para toda a humanidade”. O Evangelho de Lucas é um “Evangelho Universal”, inspirado por Deus na mente de um homem de pensamento sem fronteiras que via Jesus como um ser divino e perfeito, que satisfazia o ideal de perfeição tão procurado pelos gregos. Ele descreve Jesus como o Deus que se fez homem, para salvar a humanidade.

O Evangelho de João começa mostrando Jesus na eternidade ao lado de Deus, como o Verbo, isto é, a Palavra de Deus, como o “Arquiteto do Universo”, aquele que criou todas as cousas, e que cria inclusive os filhos de Deus, pela fé no Seu Nome. Introduzindo a pessoa de João Batista como precursor de Cristo e que dá testemunho a seu respeito, é o único Evangelho que relata os primeiros dias de atividade de Jesus após o batismo e que menciona o seu ministério na Judéia, antes de ir para a Galileia, passando por Samaria. É também o único que relata a visita de Nicodemos a Jesus em Jerusalém e o encontro com a Samaritana na beira do poço de Jacó em Sicar. Entre estes dois episódios, João faz uma rápida alusão ao ministério da Judéia no capítulo 4, versos de 1 a 3.

Os quatro Evangelhos relatam a preparação de Jesus para o Seu Ministério. Este preparo consistiu do batismo e do Seu isolamento de 40 dias no deserto, onde foi tentado por Satanás. Estes dois passos preliminares, o batismo e a tentação, eram muito importantes para Ele poder enfrentar e superar todas as dificuldades do Seu futuro Ministério. No batismo Ele recebeu a unção do Espírito Santo, que o capacitou para a obra. Mateus 12:18,21 mostra que isto era necessário para que Ele pregasse o evangelho aos gentios. Mateus 12:28 mostra que a sua autoridade sobre os demônios provinha do Espírito de Deus. Lucas 4:18 mostra a importância do Espírito em todos os aspectos do Seu ministério. Aqui Ele testifica, na sinagoga de Nazaré, o cumprimento da profecia de Isaías 61:1-2 a seu respeito. Lucas relata que Ele ficou cheio do Espírito que O guiou para o deserto. Marcos diz que o Espírito forçou-O a ir para lá e Mateus informa que Ele foi levado pelo Espírito ao deserto para ser tentado pelo diabo. Parece um paradoxo dizer que o Espírito o colocou diante do diabo para ser tentado. Mas este é o caminho de Deus. Ele precisava confirmar a Sua dedicação e a sua consagração a Deus antes de enfrentar tantas outras tentações e provações que estavam para vir no caminho que Ele escolheu. É importante compreender que a tentação de Jesus não foi simplesmente um ataque pessoal do inimigo contra Ele, mas também uma tentativa de inviabilizar a realização de todo o propósito de salvação que Deus tinha por intermédio d’Ele.

Detalhes da Sua tentação no deserto encontra-se em Mateus 4:1-11 e em Lucas 4:1-13.

Há duas hipóteses que tentam explicar como ocorreu a tentação de Jesus. A primeira é que o diabo apareceu para Ele em pessoa e Lhe fez as propostas contidas nas narrações de Mateus e Lucas. A segunda é que estas idéias ocorreram em Sua mente, mas Ele reconheceu que elas provinham do diabo. Os que aceitam a primeira hipótese interpretam literalmente o relato dos evangelhos, como foram escritos. Os que aceitam a segunda hipótese entendem que os relatos foram escritos figuradamente e explicam a sua opinião, comparando a tentação de Jesus com as nossas próprias tentações. Eles tomam como base a passagem de Hebreus 4:15 que diz que Ele foi tentado “à nossa semelhança”, mas sem pecado.

As tentações de Jesus e a Sua recusa de ceder a elas ensinam os seguintes princípios:

1 – Fazer do ministério cristão um meio de satisfazer necessidades físicas e matérias, tanto de ministros como de fiéis, é obedecer ao diabo (comparar Mateus 4:4-5 ou Lucas 4:3-4 com Mateus 6:25, 33; e 1° Timóteo 6:6-8).

2 –Usar o ministério cristão para fazer sensacionalismo é tentar a Deus (Mateus 4:5-7; Lucas 4:9-12).

3 – Usar o ministério cristão para conseguir poder e riquezas é prestar culto de adoração ao diabo (Mateus 4:8-10; Lucas 4:5-8).
As atividades de Jesus começam logo em seguida ao seu batismo, à unção do Espírito Santo e à tentação no deserto (João 1:32-51). Ele foi a João Batista para ser batizado porque conhecia as profecias do Velho Testamento e compreendeu que aquele profeta era a “voz do que clama no deserto”, o mensageiro enviado para preparar o caminho para Ele. De fato, a mensagem de João visava levar o povo ao batismo de arrependimento e à fé no Messias que vinha após ele, o qual batiza com o Espírito Santo. Esta mensagem causou grande impacto no povo judeu, preparando-o para aceitar a pregação do Evangelho de Cristo cuja a essência é “arrependimento e fé no evangelho”. Isto significa crer na Palavra de Cristo e em todas as promessas que ela traz, como perdão de pecados e concessão do Espírito Santo para os arrependidos. Nisto está a garantia da salvação eterna (Efésios 1:13-14).

Os Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas não relatam os primeiros contatos de Jesus com os primeiros discípulos. Mas o Evangelho de João informa que, depois de reunir cinco seguidores (João 1:35-48), Ele voltou para a Galileia, de onde tinha vindo para ser batizado por João Batista.
(continua)

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