ANDANDO COM JESUS, 3/4

(Usado com permissão)
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A PURIFICAÇÃO DO TEMPLO DE JERUSALÉM
JOÂO 2:13-22


V. 13 – Estando próxima a Páscoa dos judeus, subiu Jesus para Jerusalém.
V. 14 – E encontrou no templo os que vendiam bois, ovelhas e pombas e também os cambistas assentados;
V. 15 – tendo feito um azorrague de cordas, expulsou todos do templo, bem como as ovelhas e os bois, derramou pelo chão o dinheiro dos cambistas, virou as mesas
V. 16 - e disse aos que vendiam pombas: Tirai daqui estas cousas; não façais da
casa de meu Pai casa de negócio.
V. 17 - Lembraram-se os seus discípulos de que está escrito:
O zelo da tua casa me consumirá.
V. 18 – Perguntaram-lhe, pois, os judeus: Que sinal nos mostras para fazeres estas cousa?
V. 19 –Jesus lhes respondeu: Destruí este santuário, e em três dias o reconstruirei.
V. 20 – Replicaram os Judeus: Em quarenta e seis anos foi edificado este santuário, e tu, em três dias o levantarás?
V. 21 - Ele, porém, se referia ao santuário do seu corpo.
V. 22 - Quando, pois, Jesus ressuscitou dentre os mortos, lembraram-se os seus discípulos de que ele dissera isso; e creram na Escritura e na palavra de Jesus.

Em 2° Crônicas 6:18-40 podemos observar a importância do Templo para a vida religiosa da nação de Israel, dos estrangeiros e dos peregrinos, especialmente no que se refere à oração e à adoração. Ali também eram feitos os sacrifícios. Ao chegar lá, Jesus observou que aquela casa havia-se tornado um centro de comércio ilegal, injusto e humilhante para os fiéis que vinham adorar a Deus durante os festejos da Páscoa. Era uma verdadeira afronta a Deus. O comércio de animais e o câmbio de moedas aconteciam no pátio dos gentios e provocava uma movimentação muito grande, acompanhada do barulho do pregão dos vendedores.

Os cambistas extorquiam as pessoas que precisavam de trocar moedas comuns por moedas legais do Templo para pagar seus sacrifícios. Os vendedores cobravam preços exorbitantes pelos animais, que só podiam ser adquiridos ali. Era intenso o alvoroço naquele ambiente. Além do barulho dos pregoeiros, o trânsito de pessoas e de animais puxados de um lado pra outro, não permitiam que aquele espaço fosse usado para a finalidade prevista que era a oração, a meditação e a busca do perdão de Deus por pessoas contritas (cf Lucas 18:9-14). Tudo isso impedia o uso daquela área para a comunhão com Deus, para a confissão de pecados,  para orações e ações de graça. Daí, a atitude de Jesus descrita nos versos 15 e 16.

Os versos 17 a 22 mostram a reação negativa dos judeus e positiva dos discípulos à atuação de Jesus ao purificar o Templo. O seu comportamento só poderia ser compreendido pelos judeus, se Ele fosse o Messias. Por isso Lhe pediram um sinal que comprovasse a Sua autoridade. A resposta de Jesus, que eles provavelmente não entenderam, foi que, sendo Ele morto, em três dias ressuscitaria, e então seria reconstruído o verdadeiro templo de Deus em que Ele seria adorado (em espírito e em verdade), como acontece na Sua igreja em todos os cantos do mundo, até hoje. Os próprios discípulos só vieram a compreender isto após a ressurreição, quando creram no que Ele dissera e no que dizem as Escrituras no Salmo 16:10 que diz: “Pois não deixarás a minha alma na morte, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção”.

Com a purificação do Templo, Jesus dá um grito de alerta, desafiando o próprio coração do Judaísmo a uma completa mudança e ao abandono de toda aquela religiosidade acumulada durante muitos séculos.

V. 23 – Estando ele em Jerusalém durante a festa da Páscoa, muitos, vendo os
sinais que ele fazia, creram no seu nome;
V. 24 – mas o próprio Jesus não se confiava a eles, porque os conhecia a todos.
V. 25 – E não precisava de que alguém lhe desse testemunho a respeito do homem, porque ele mesmo sabia o que era a natureza humana.

Por causa dos milagres que Jesus fez durante a festa da Páscoa em Jerusalém, muitos judeus vieram a crer nele. Deveria Ele admiti-los como discípulos do mesmo modo que acolheu aqueles que o seguiram desde os dias do Seu batismo, após a tentação no deserto? ( João 1:35-51 ). Mas Jesus que conhece a natureza humana não se deixou confiar a eles. A fé que Ele exige dos seus discípulos tem que ser mais profunda do que a fé emocional produzida pela simples observação de milagres.

É oportuno esclarecer que quando os Evangelhos falam dos judeus que se opunham a Jesus, eles se referem, geralmente, às autoridades judaicas, que eram os sacerdotes, os principais judeus (príncipes do povo ou chefes de famílias) e também aos escribas e fariseus. Portanto, não se trata do povo em geral que, quase sempre, estava a favor d’Ele.


JESUS E NICODEMOS        
JOÃO 3:1-15


V. 1 – Havia, entre os fariseus, um homem chamado Nicodemos, um dos principais dos judeus.
V. 2 – Este, de noite, foi ter com Jesus e lhe disse: Rabi, sabemos que és mestre vindo da parte de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele.
V. 3 – A isto, respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.
V. 4 – Perguntou-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, voltar ao ventre materno e nascer segunda vez?
V. 5 –Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus.
V. 6 – O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito.
V. 7 – Não te admires de eu te dizer: importa-vos nascer de novo.
V. 8 – O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito.
V. 9 – Então, lhe perguntou Nicodemos: Como pode suceder isto? Acudiu Jesus:
V.10 – Tu és mestre em Israel e não compreendes essas cousas?
V.11 – Em verdade, em verdade te digo que nós dizemos o que sabemos e testificamos o que temos visto; contudo, não aceitais o nosso testemunho.
V.12 – Se, tratando de cousas terrenas não me credes, como crereis, se vos falar das celestiais?
V.13 – Ora, ninguém subiu ao céu, senão aquele que de lá desceu, a saber, o Filho do homem [ que está no céu ].
V.14 – E do modo por quê Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado,
V.15 – para que todo o que nele crê tenha a vida eterna.

A visita de Nicodemos a Jesus é descrita com muito destaque no Evangelho de João. Numa descrição prolongada, ele é apontado como figura proeminente da nação de Israel. Por ser um dos principais dos judeus, ele fazia parte da suprema corte judicial do país, o Sinédrio, que corresponde aos atuais Senados. Ele também tinha autoridade para dar orientação moral e espiritual ao povo. Além disso, ele pertencia ao grupo político-religioso mais tradicional, mais influente e mais irraigado na sociedade judaica daquele tempo, os fariseus. Diante destas circunstâncias surge a seguinte pergunta: A sua visita a Jesus teria sido de caráter pessoal, ou seria ele um representante do sistema religioso judeu, que estaria preocupado com a pessoa do Mestre por causa do sucesso que Ele alcançou com seus milagres operados na festa da Páscoa, além dos acontecimentos na purificação do Templo?

Seja qual for o motivo daquela visita, o importante nesta história é a lição de Jesus a respeito do Novo Nascimento. Quando Nicodemos observa que ninguém pode fazer o que Jesus faz se Deus não estiver com ele, Jesus como que contesta, dizendo: “você está vendo só os milagres, mas isto não é o mais importante. O mais importante é nascer de novo para ver o reino de Deus”.

Nos versos 4 e 5 Nicodemos argumenta que é impossível para um homem, já sendo velho, entrar no ventre materno e nascer de novo. Evidentemente ele estava imaginando o poder ou a capacidade humana para fazer isto. Mas o que Jesus estava afirmando é que o poder de realizar tal operação vem de Deus, pois a expressão “nascer de novo” significa também “nascer do alto”, isto é, um nascimento que vem de Deus, como podemos conferir em João 1:12-13.

A expressão “nascer da água e do Espírito” representa o “lavar regenerador e renovador do Espírito Santo que Deus derramou sobre nós ricamente por meio de Jesus Cristo nosso Salvador” (Tito 3:5b-6). Esta lavagem é feita pela Palavra, conforme esclarece Efésios 5:27, com respeito à igreja.

Nos versos 6,7 e 8 Jesus explica que Deus realiza o Novo Nascimento por meio do Espírito. É como o vento que sopra. Embora não saibamos como ele se move de um lado para outro, nós podemos perceber os seus efeitos. Assim podemos perceber a transformação ocorrida naqueles que nascem da água e do Espírito. É bom saber que vento e espírito são a mesma palavra no idioma grego, em que João escreveu o seu Evangelho ( pneuma = espírito ou vento ).

No verso 9 Nicodemos pergunta como isto acontece e Jesus responde, no verso 10, que estas cousas são do conhecimento já revelado a Israel. Ele se refere a Ezequiel 36:25-27; 37:1-6 (cf Tito 3:4-6, onde lavar regenerador significa o lavar que produz o Novo Nascimento).

No verso 11 Jesus dá testemunho do que Ele e seus discípulos sabiam por experiência própria, vendo o que acontecia com pessoas que nasceram de novo e replicou que Nicodemos e seus partidários não aceitavam o seu testemunho.

No verso 12 Jesus fala da dificuldade que eles teriam de crer se Ele lhes falasse das cousas celestiais, uma vez que eles não criam nestas cousas ainda que explicadas com linguagem terrena.

O verso 13 atesta que somente Jesus, o Filho do homem tinha autoridade para falar das cousas celestiais, porque Ele desceu de lá e, portanto, sabia o que estava dizendo. Por outro lado, ninguém, dentre os homens, tinha conhecimento das cousas celestiais para falar delas, porque ninguém subiu ao céu.

Os versos 14 e 15 resumem o assunto dizendo que o Novo Nascimento acontece pela fé no Filho do homem crucificado e traz como resultado a vida eterna.

É preciso observar que o Novo Nascimento é uma operação realizada exclusivamente por Deus através do Espírito Santo e pela fé em Jesus Cristo crucificado. Nenhuma igreja pode oferecer vida eterna ao pecador através de qualquer rito ou sacramento que represente a autoridade da igreja independentemente da fé e da submissão do pecador à Palavra de Cristo.

V.16 – Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.

V.17 – Porquanto Deus enviou o Seu Filho ao mundo, não para que julgasse o  mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele.

Nestes dois versos João esclarece todo o parágrafo anterior explicando que a missão de Jesus foi motivada pelo amor de Deus, visando a salvação do pecador que deve responder a esta oportunidade, pela fé.

V.18 – Quem nele crê não é julgado; o que não crê já está julgado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus.
V.19 – O julgamento é este: Que a luz veio ao mundo e os homens amaram mais as trevas do que a luz; porque as suas obras eram más.
V.20 – Pois todo aquele que pratica o mal, aborrece a luz e não se chega para a luz, a fim de não serem arguídas as suas obras.
V.21 – Quem pratica a verdade aproxima-se da luz afim de que as suas obras sejam manifestas, porque feitas em Deus.

Diante de Jesus há duas opções: Crer ou não crer. Quem não crê é condenado porque não se aproximou da luz e preferiu continuar praticando as obras das trevas, para não enfrentar a verdade de Cristo. Mas o que crê quer que suas obras sejam manifestas pela verdadeira luz de Deus. Este não é condenado.

Continuando o relato do ministério de Jesus, o apóstolo João escreve no verso 22 do capítulo 3: “Depois disto foi Jesus com seus discípulos para a terra da Judéia; ali permaneceu com eles e batizava”.

Daqui em diante segue-se o Ministério da Judéia. Este período é também chamado de “Ano da Obscuridade”, por falta de maiores informações a esse respeito.

V.23 – Ora, João estava também batizando em Enom, perto de Salim, porque havia ali muitas águas, e para lá concorria o povo e era batizado.

V.24 – Pois João ainda não tinha sido encarcerado.

Estes dois versículos mostram que os dois ministérios, o de João Batista e o de Jesus, estavam em ação ao mesmo tempo, na Judéia.

V.25 – Ora, entre os discípulos de João e um judeu suscitou-se uma contenda com respeito à purificação.

V.26 – E foram ter com João e lhe disseram: Mestre, aquele que estava contigo além do Jordão, do qual tens dado testemunho está batizando e todos lhe saem ao encontro.

Estes versos falam de uma contenda que surgiu entre um discípulo de João e um judeu desconhecido, a respeito do batismo. Como naquela época havia muitas seitas que praticavam o ritual de purificação, é possível que aquele judeu tenha provocado os discípulos de João, insinuando que o batismo de Jesus fosse superior ao de João, porque Ele estava batizando mais do que o Batista ( cf 4:1 )
Os discípulos, preocupados, foram relatar ao seu mestre o ocorrido.

V.27 – Respondeu João: O homem não pode receber cousa alguma se do céu não lhe for dada.
V.28 – Vós mesmos sois testemunhas de que vos disse: Eu não sou o Cristo, mas fui enviado como seu precursor.
V.29 – O que tem a noiva é o noivo; o amigo do noivo que está presente e o ouve, muito se regozija por causa da voz do noivo. Pois esta alegria já se cumpriu em mim.

Destes versículos concluímos que a reação do profeta foi a mais nobre possível. Reforçando o testemunho que dera anteriormente a respeito de Cristo e que está registrado nos quatro Evangelhos, ele demonstra a sua humildade dizendo: “O homem não pode receber cousa alguma, se do céu não lhe for dada”. Com isto ele afirma que não tinha nada a opor contra o sucesso de Jesus, reconhecendo que isto era uma dádiva de Deus. Em seguida ele reafirma o que já havia dito aos discípulos que ele não era o Cristo, mas foi enviado como seu precursor. Assim, ele reconhece o seu lugar e demonstra que nunca teve a intenção de tomar o posto do Filho de Deus. Para explicar o seu papel diante do Messias, ele se utiliza de uma parábola a respeito do casamento, descrevendo a sua posição como o amigo do noivo e a posição de Jesus, como o noivo.

O casamento em Israel era uma festa prolongada, marcada por uma grande manifestação de alegria, porque correspondia aos dias mais felizes da vida de um casal. O noivo saía cantando pelas ruas à noite, num percurso, o mais longo possível, para possibilitar a adesão dos convidados ao cortejo nupcial. Todos aguardavam o seu aparecimento e, quando, de repente, ele aparecia, eles ascendiam suas tochas e o acompanhavam até a sua residência, onde acontecia a festa das bodas. Mas havia um personagem muito importante nesse evento. Era o amigo do noivo, especialmente escolhido para preparar toda a festa com todos os detalhes necessários para que tudo corresse bem. Era ele também que cuidava do aposento nupcial e o abria quando ouvia a voz do noivo chegando. O seu último cuidado era entregar a noiva ao esposo e conduzi-los para dentro da câmara. Cumprida sua tarefa, o amigo do noivo se retirava, enquanto a festa continuava.

Com esta parábola, João Batista mostrou que já havia cumprido o seu papel e concluiu dizendo: “Convém que ele cresça e que eu diminua”.

Devemos notar a importância que o apóstolo João dá ao profeta João Batista no seu Evangelho, no capítulo 1, versos 6 a 9, apresentando-o como o precursor do Messias. Mas ele tem também o cuidado de mostrar, já desde o início, a superioridade de Jesus.

O parágrafo do capítulo 3, versos 31 a 36 é um comentário do apóstolo João a respeito da superioridade de Jesus sobre João Batista para pregar o Evangelho. Nós vamos comentar apenas o verso 34 que diz: “Pois o Enviado de Deus fala as palavras dele, porque Deus não dá o Espírito por medida”.

Enquanto João Batista, tal como os profetas do Velho
Testamento, só tinham a medida do Espírito para falar aquilo que lhes era concedido como revelação naquele momento, com Jesus não era assim porque o Espírito lhe foi dado sem medida, de modo que tudo o que Ele falava era Palavra de Deus. O verso 35 confirma isto dizendo: “O Pai ama o Filho e todas as cousas tem confiado às suas mãos” (cf Mateus 11:27).
(continua)

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