O QUE É ELEIÇÃO

Olá. Meu nome é Valtair Miranda, e estou de volta com você numa série de mensagens em torno de PERGUNTAS DIFÍCEIS DA BÍBLIA. O que é eleição?

    Um dos textos mais importantes para descrever a eleição é Romanos 9, principalmente os versos 22-24. Este texto é a expressão da crise missionária do apóstolo Paulo. Como o seu próprio povo poderia rejeitar o enviado de Deus prometido no Antigo Testamento?

Podemos imaginar sua angústia, ao ver seus irmãos cegos, duros, insensíveis ao Evangelho. É uma angústia parecida com a de um jovem cristão ao ver o pai caminhar em direção à morte sem salvação.

Sua resposta se inicia pela demonstração de todo o privilégio que seu povo teve da parte de Deus. Eles sempre tiveram oportunidades de salvação maiores que qualquer outro povo. Se os judeus eram o povo escolhido, teria Deus quebrado sua promessa? Em nenhum momento isso aconteceu, já que a promessa não foi feita realmente para todos que nascessem de Abraão, bem como não foi feita para todos que nasceram de Jacó.

Mas todos os privilégios de Israel foram imerecidos. A própria história do povo demonstra que Deus é quem escolheu, independentemente da conduta ou das obras.

Abraão foi chamado por Deus do meio dos seus pais pela escolha soberana de Deus. Ele não mereceu esta escolha. Recebeu de Deus a promessa de gerar uma grande nação.

O filho mais velho de Abraão foi Ismael, mas Deus escolheu Isaque para dar continuidade à promessa. O filho mais velho de Isaque e Rebeca foi Esaú, mas Deus escolheu Jacó para levar avante o pacto. O filho mais velho de Jacó foi Ruben, mas Deus escolheu Judá para ser o progenitor da linhagem messiânica, além de escolher José como o elemento que transformaria um clã numa nação, ao levá-los para o Egito.

O leitor não tem dificuldades para perceber que nenhum dos escolhidos por Deus possuía alguma coisa que motivasse a escolha de Deus. Sua graça soberana é o único elemento neste processo vocacional.

Este afunilamento mostra a intervenção de Deus na história. Cada vez mais o herdeiro natural, que seria o primogênito, é preterido em detrimento daquele que Deus escolheu graciosa e livremente. Eles não tinham nada de especial. Deus os escolhe pela sua graça, e desta massa imperfeita, delineou os traços do seu povo.

O propósito é prático. Antes de estar definindo a predestinação das pessoas, está declarando para seus conterrâneos que eles não podem escorar-se para a salvação na filiação abraãmica ou na obediência à Lei.

Na passagem de Romanos, Paulo demonstra que os judeus, mesmo escolhidos por Deus, sempre foram um povo rebelde, a ponto de a própria Escritura prever a perdição da maioria do povo e a salvação de apenas um remanescente.

Mas ainda assim, mesma essa rebelião ou rejeição, não diminui a glória de Deus. Deus é engrandecido mesmo que os homens lhe desobedeçam. Para isso ele cita os casos de Faraó e Moisés e os vasos de honra e desonra.

Destaca-se que a ênfase de Paulo não é na reprovação de alguns, mas na paciência de Deus em tolerar os rebeldes. Deus é misericordioso ao retardar sua ira e suportar o pecado do povo. De qualquer forma, Deus é soberano e não precisa dar explicações ao ser humano pela forma como dirige a história. Podemos todos crer que, como Deus é justo, seu governo também é.

Uma última pergunta se levanta: a soberania de Deus não anula a responsabilidade das pessoas? Se não depende de quem quer ou de quem corre atingir a graça, ainda há motivos para condenação?

De uma forma grandiosa, a Escritura revela que a eleição tem sua contrapartida na responsabilidade humana (Dt 30.15-20; Jo 15.16).

Os judeus achavam que seu majestoso passado poderia dar um lugar para eles no Reino de Deus. Imaginavam que entrariam no céu só por serem descendentes de Abraão. Mas nessa caminhada, tropeçaram no Filho de Deus, chamado de Pedra de Tropeço. Se cressem nele chegariam lá. Em vez disso, recusaram-se a receber o Messias enviado de Deus, negaram o método divino de salvação da humanidade e negligenciaram o dom gratuito de Deus.

Da mesma forma como Israel foi rejeitado pela soberania de Deus e pelo próprio coração endurecido, as pessoas não podem usar o conceito de eleição para negar a responsabilidade diante do seu próprio destino.

Pense nisso, e que Deus o abençoe poderosamente. Até a próxima.


 

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