"AS PRIMEIRAS AÇÕES NO MINISTÉRIO TERRENO”

João cap.2


Elaborado por Gerson Berzins
gberzins@ceoexpress.com

 

Queridos leitores: Nos encontramos mais uma vez, para a continuação dos estudos no Evangelho de João. Nesta oportunidade nos concentramos no segundo capítulo.
Após o prefácio, os capítulos iniciais de João se concentram em apresentar Jesus Cristo, o Filho de Deus. Isto já foi feito com o relato do testemunho de João Batista e através dos primeiros discípulos arregimentados pelo mestre. Continua neste segundo capítulo com o relato do milagre das Bodas de Caná e com a purificação do templo.  
O relato do primeiro milagre de Jesus, transformando água em vinho no casamento é bastante conhecido e apreciado e não necessita ser recontado. Convém, no entanto, ressaltar alguns detalhes do evento e lições que podemos colocar como conclusões.
O local do evento, Caná da Galiléia é somente mencionado no Novo Testamento por João, que o volta a citar em 4.46 e depois em 21.2 nos informando que essa era a cidade de Natanael. Possivelmente, esse discípulo, já agregado ao Mestre, tenha sido o motivador da presença de Jesus na festa. A participação da mãe de Jesus no episódio é outro ponto que chama a atenção. A maneira como o Mestre se dirigiu a ela, de certo modo nos choca, aparentando ser um tratamento rude: “...Mulher, o que eu tenho contigo?. Ainda não é chegada a minha hora.” (v.4) Essa reação de Jesus deixa a impressão que Maria estava desejando apressar as coisas, e incitando Jesus à ação, quando ainda não seria a hora certa para tal. Mas ainda assim, Maria ordena aos serventes da festa a obedecerem  Jesus em tudo.
A nossa atenção também é despertada para o tratamento que Jesus dedica à sua mãe, ao chamá-la de mulher. Apenas duas vezes João menciona a mãe de Jesus, e em ambas ela é chamada pelo Mestre da mesma maneira (vide 19.25)
Vamos a algumas constatações conclusivas a respeito deste milagre, como nos sugere o estudo de Bob Deffinbaugh sobre o Evangelho de João: (1) Há uma visível relutância de Jesus em atuar, e ele o faz pela insistência de sua mãe. (2) o milagre não era uma necessidade, mas mais um luxo, nos lembrando que Deus se preocupa com todos os aspectos da nossa vida.  (3) Como acontece com muitas das intervenções divinas, apenas poucos conseguiram perceber o que tinha acontecido: Maria, os discípulos que acompanhavam Jesus e talvez alguns dos serventes.  (4) Algo destinado a um uso pouco nobre, água separada para os rituais de purificação, foi transformada em algo esplendido, vinho de qualidade. É a superioridade da graça de Deus se contraponto às exigências de lei. E (5) O resultado do milagre foi produzido em alta qualidade e muita abundância.
Comparado aos outros evangelhos, João é muito parcimonioso nos seus relatos de milagres. São apenas sete neste evangelho, mais um oitavo ocorrido após a ressurreição. De igual maneira, não encontramos neste evangelho nenhuma das parábolas de Jesus. São constatações da peculiaridade do livro de João.
O segundo episódio descrito neste capítulo 2 é a purificação do templo em Jerusalém. Os demais evangelhos situam este episódio na semana final de vida de Jesus, naquela em que Ele seria condenado e crucificado. Para João, o episódio está no início do relato, deixando a impressão de que duas diferentes purificações tenham ocorrido. O momento da intervenção de Jesus, expulsando o comércio no templo, é o mesmo em todos os relatos: A festa da Páscoa, que levava peregrinos de todo o Israel para Jerusalém, e lá deveriam oferecer sacrifícios de animais no templo. Os comerciantes, inescrupulosamente, se preocupavam com seus lucros, esquecendo-se de todo o aspecto espiritual que o sacrifício de expiação devia ter. É contra isso que Jesus agiu, levando seus discípulos a se lembraram do salmo 69.9: “...O zelo da tua casa me devorará.” (v.17).  
A apresentação do Filho de Deus vai progredindo em círculos crescentes no relato de João: Começa com João Batista, inclui os primeiros discípulos, e ganha o grande público na festa da Páscoa no templo. E a contestação a partir das lideranças religiosas começa a se esboçar. Elas não estavam preocupadas com o mau uso do templo e sua transformação em praça de comércio. Talvez as práticas condenadas veementemente por Jesus tinham o consentimento dessas lideranças, mas elas queriam um sinal da autoridade de Jesus para respaldar o que ele fez.  O Mestre foi enigmático na sua resposta, e sua resposta não foi compreendida, nem pelos questionadores nem pelos discípulos.  Como João explica, Jesus se referia à sua ressurreição, e apenas quando ela ocorreu é que os discípulos, relembrando esse episódio, puderam compreende-la na sua totalidade. Compreenderam e creram.
Diferentemente dos discípulos que creram na palavra do Mestre, quando a conseguiram compreender, em face dos acontecimentos posteriores, João relata nos versos finais deste capitulo que os sinais realizados por Jesus nessa sua estada em Jerusalém, e não registrados no evangelho, foram motivo para muitos crerem em Jesus. Mas essa crença advinda do testemunho dos sinais era uma crença superficial e passageira. O Mestre, que conhece os corações de todos, não se confiava nestes seguidores impressionados.
Nunca é por demais deixar que todo este episódio descrito por João e ocorrido nas festividades da Páscoa em Jerusalém, nos leve a uma reflexão sobre a seriedade da nossa vida espiritual e também da nossa liturgia. Não podemos de modo algum deixar que preocupações secundárias nos afastem, ou afastem outros seguidores, do verdadeiro objetivo de uma vida de devoção a Deus. Os vendilhões do templo estão permanentemente nos lembrando que Religião não é comércio. As ações mercantis não podem concorrer com ou desviar a prioridade da Adoração a Deus. Se dermos prioridade às coisas mundanas sobre as coisas espirituais estamos desvirtuando o propósito divino, e precisamos drasticamente que o rumo seja corrigido, tal como Jesus com o seu zelo corrigiu a deturpação do templo, “...porque a minha casa será chamada a Casa de Oração para todos os povos” (Is.56.7).

Deixemos que o propósito de servir ao Senhor e O adorá-lo permeie toda a nossa atividade religiosa, e sejamos crentes que realmente compreendemos Jesus Cristo, o Filho de Deus e não somente crentes impressionados, mas sem consistência de fé.


 

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