O MINISTÉRIO SE AMPLIA

João caps. 6 e 7


(gberzins@ceoexpress.com)

 

Continuando nossas considerações sobre o Evangelho de João, é com alegria que podemos de novo estar juntos para o texto de hoje, nos capítulos 6 e 7 do evangelho.


Neste trecho do seu relato, João começa apresentando dois milagres: A multiplicação dos pães e Jesus caminhando sobre o mar. Estes são os milagres que encontramos nos outros evangelhos. A multiplicação dos pães é o único milagre contado nos quatro evangelhos. Jesus andando sobre o mar é encontrado nos evangelhos de Mateus e Marcos, além do relato de João. Ainda que o episódio da multiplicação dos pães é comum a todos os evangelhos, João acrescenta detalhes que tornam a história mais rica, e servem  também como indício de que este evangelho se baseia no testemunho de alguém que presenciou os acontecimentos. É em João que aprendemos que os cinco pães e os dois peixes pertenciam a um rapaz da multidão, e que os pães eram de cevada. Os acontecimentos deste capítulo seis têm como foco geográfico o mar da Galiléia, que João, e somente ele, chama pelo nome de Tiberíades. 


Estando distante de Jerusalém, os episódios deste capítulo não mencionam as lideranças religiosas, mas percebemos nitidamente as outras duas audiências: o grande público e o grupo dos seguidores fiéis. O grande público se empolgou com Jesus, a ponto de segui-lo, quando o Mestre foi para o outro lado do mar da Galiléia. Lá presenciaram a multiplicação dos pães. Os sinais eram maravilhosos, e aqueles homens chegaram a conclusão de que de fato Jesus era o profeta esperado. E a multidão queria, a força, fazê-lo rei, e o Mestre precisava se retirar sozinho para um monte. Ao fim do dia, os discípulos se prepararam para navegar de volta para Cafarnaum, que era, como Mateus nos ensina, o local de referência de Jesus na Galiléia (Mt.4.13-17).  Jesus não retornou do seu isolamento, e os discípulos seguiram no barco que teve de enfrentar ventos contrários e um mar furioso. Foi nesta situação que Jesus lhes apareceu, andando sobre o mar. Os discípulos o tomaram por fantasma (Mt.14.26), mas Jesus se identificou, entrou no barco e o destino foi alcançado. Este milagre não foi testemunhado pelas grandes multidões. Foi apenas para os seguidores de Jesus, para o grupo de discípulos naquele barco que estava à mercê das forças do vento. O Filho de Deus tinha também o poder sobre a natureza. Mesmo quando a grande multidão curiosa indagou Jesus a respeito de como ele tinha retornado para Cafarnaum, o Mestre não fez qualquer referência ao ocorrido na travessia.


Mas a grande multidão continuava no encalço de Jesus. Ao não o acharem no local do milagre da multiplicação, também se dirigiram a Cafarnaum na tentativa de encontrá-lo. Frente às multidões que o buscavam, Jesus proferiu os ensinos que estão relatados a partir do verso 26. As palavras de Jesus, apresentadas até o verso 58, e as repercussões desses ensinos, registradas nos versos finais do capítulo são de grande importância para o correto entendimento do ministério de Jesus e a leitura cuidadosa deste trecho e a meditação nele devem ocupar o nosso tempo, se desejamos, de fato estar não no grupo dos admiradores maravilhados de Jesus, como a grande multidão, mas no grupo dos seus fiéis e compromissados discípulos.


Os ensinos de Jesus apresentados nessa oportunidade parecem que começaram à beira do mar e terminaram na sinagoga de Cafarnaum (v.59), e podem ser assim sumarizados:
(1) Jesus deve ser buscado com a motivação correta. O interesse das grandes massas não impressionava o Mestre. Ele sabia o que motivou o deslocamento das pessoas buscando-o: “...me buscais, não porque vistes sinais, mas porque comestes do pão e vos saciastes.”  (v.26). A motivação correta é fundamental para a vida espiritual que agrada a Deus: “Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna...” (v.27)


A multidão queria e pedia mais sinais (v.30). Usaram Moisés na sua argumentação, alegando que ele, como profeta de Deus providenciou o maná (v.31), e imploraram: “...Senhor, dá-nos sempre desse pão.” (v.34) Não nos assemelhamos a esses? Queremos que a nossa pratica religiosa se limite a satisfação das nossas necessidades imediatas, e ao testemunho de coisas visíveis, grandiosas? 


(2) O pão da vida supre a necessidade espiritual mais importante “...Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim, de modo algum terá fome, e quem crê em mim jamais terá sede.” (v.35). Crer em Jesus como o Filho de Deus é a chave da vida espiritual.  S.D. Gordon, citado por Henrietta Mears no Estudo Panorâmico da Bíblia diz que a chave da porta da frente para a compreensão completa do evangelho de João é exatamente esta: crer em Jesus. Quem consegue se apropriar dessa chave, tem o completo acesso ao Reino de Deus.


(3) A vida que Jesus propicia é eterna e implica na vitória sobre a morte. Jesus retomou o tema ressurreição, já mencionado (5.29), mas agora explicitando que a ressurreição só é possível por seu intermédio (v.40). Em um episódio futuro, o Mestre viria a declarar: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; “ (11.25)

 

(4) É necessário reconhecer e aceitar o sacrifício vicário de Cristo pelo ser humano. Os ensinos do Mestre continuavam a chocar seus ouvintes, que insistiam em associar as palavras de Jesus com a sua realidade imediata, sem atinar para o significado maior que Ele queria transmitir. A partir do v. 51, Jesus explicitou mais sobre Ele ser o pão da vida: “Se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos.” (v.53). Para nós é mais fácil compreender o que Jesus dizia, a luz do seu sacrifício na cruz, e faz-se necessário que de todo entendamos que a morte de Cristo no Calvário foi unicamente por nós, pelos nossos pecados, e para que pudéssemos gozar da vida que ele trouxe.


Como conseqüência desses ensinos de Jesus, muitos de seus seguidores o abandonaram. Não tinham condição para aceitar todas essas palavras. Faltava-lhes o essencial. Faltava crer em Jesus. E quando o Mestre desafiou aqueles que ainda não o deixaram, o testemunho de Pedro foi conclusivo: “...Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna, e nós já temos crido e bem sabemos que tu és o Santo de Deus.” (68-69).


Permanecer com Jesus pela razão certa: Porque Ele tem a vida eterna, e porque cremos nisso. Que como Pedro, essa possa ser a nossa profissão de fé.
 

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