A VOCAÇÃO DE MATEUS

(Usado com permissão)
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MARCOS 2:13-17    (Mateus 9:9-13; Lucas 5:27-32)

 

V.13 – De novo saiu Jesus para junto do mar, e toda a multidão vinha ao seu encontro, e ele os ensinava.
V.14 – Quando ia passando, viu a Levi, filho de Alfeu, sentado na coletoria, e disse- lhe: Segue-me! Ele se levantou e o seguiu.

 

Jesus saiu para ensinar à beira-mar porque as sinagogas já não ofereciam mais ambiente propício para Ele, devido aos Seus adversários que para lá concorriam e, também, porque as cidades não comportavam tanta gente que vinha ao Seu encontro. Os soldados romanos estavam sempre prontos para dissolver qualquer aglomeração de pessoas que sugerisse uma rebelião popular.


Era comum entre os rabinos daquela época ensinarem os seus discípulos enquanto caminhavam ao ar livre. Foi durante uma caminhada que Jesus viu Levi, filho de Alfeu, sentado na coletoria e o chamou dizendo: “Segue-me!” Ele se levantou e O seguiu. Levi era o seu antigo nome, citado por Marcos e Lucas, mas ele mesmo assumiu desde início o nome “Mateus”, abreviatura de “Mattithyah” que, no Hebraico, significa “Dom de Deus”. Lucas informa que ele era publicano ou cobrador de impostos. Não se sabe se ele trabalhava diretamente para o Império Romano ou se trabalhava para o rei Herodes Antipas, que era tetrarca da Galiléia naquela época. O fato é que ele trabalhava na coletoria como cobrador de impostos.


O serviço de Mateus era conferir as mercadorias que passavam pela alfândega, calcular o seu valor e aplicar o imposto estipulado. Devido às suas práticas extorsivas, os publicanos eram odiados pelo povo e considerados como lesa-pátrias, ladrões e até mesmo assassinos. Não lhes era permitido nem entrar nas sinagogas. Fora de Israel os publicanos eram igualmente avaliados na categoria de adúlteros, enganadores, bajuladores e impostores. Este é o depoimento de Luciano, escritor grego que nasceu no ano 180 D.C. e que provavelmente conheceu o cristianismo.


Não era fácil o serviço de coletor de impostos, especialmente em Cafarnaum. A cidade ficava no entroncamento de duas rotas comerciais muito importantes. Uma ligava a cidade de Damasco ao Egito. A outra saía do porto de Acre (Ptolomaida do Novo Testamento), atravessava o Jordão e continuava pela Arábia até chegar ao extremo leste do Império Romano. Por estas duas rotas maiores e por outras secundárias que passavam por Cafarnaum era enorme a quantidade de caravanas de mercadores que chegava à coletoria daquela cidade que, consequentemente, era muito movimentada. Neste ambiente trabalhava o homem chamado Mateus, cujo conceito naquela sociedade era do mais baixo nível moral possível. Quando Jesus o chamou ele deixou tudo para trás e o seguiu (Lucas 5:28). A sua decisão era um passo sem retorno. Ele sabia que nunca mais poderia assumir qualquer posto numa sociedade que o desprezava. Mas ao lado de Cristo ele alcançou uma posição gloriosa. De fato, o seu Evangelho é considerado uma obra prima pelo modo didático com que ele organizou os ensinos de Jesus e pelo rigor em conferir os acontecimentos da vida do Mestre com as profecias do Velho Testamento. Por isso o seu livro foi adotado pela igreja sem contestação, desde a sua publicação até os dias de hoje. A sua habilidade de escritor certamente estava relacionada à sua perícia contábil na conferência das mercadorias, na descrição das mesmas, no cálculo do valor e na taxação dos impostos. Isto mostra como Deus pode usar o mundo para capacitar aqueles que serão chamados para servir no Seu propósito (cf Romanos 8:28).


Embora o relato da vocação de Mateus nos Evangelhos seja muito breve, não devemos deduzir que a sua decisão de seguir Jesus tenha sido um ato precipitado, sem ponderação. Considerando o seu local de trabalho, a quantidade de gente que por ali passava e as informações que chegavam a respeito do Novo Mestre, somos levados a pensar que ele já tivesse conhecimento do que Jesus ensinava e dos milagres que Ele fazia. É mesmo possível que ele estivesse alguma vez no meio do povo, ouvindo uma de suas pregações. Neste caso, a decisão de Mateus foi muito consciente e segura. 


Durante o período do seu discipulado ele foi conhecendo cada vez mais o Mestre e, durante o seu ministério apostólico, ele foi-se conformando à vida de Cristo até consumir a sua própria vida no serviço do Evangelho (cf Marcos 8:35-37). Segundo a tradição dos pais apostólicos ele foi missionário no Oriente e teria morrido de morte natural. Eusébio de Cesaréia, historiador da igreja, Século IV D.C. , informa que um missionário chamado Pantaeno encontrou cristãos na Índia (180 D.C.), que tinham um Evangelho de Mateus, escrito em Hebraico, deixado lá por Bartolomeu. Se Mateus escreveu o seu Evangelho em Grego ou Hebraico, é um tema polêmico ainda hoje. 


Mateus organizou os ensinos de Jesus, dispondo-os sistematicamente em cinco grupos, todos relacionados com o reino de Deus:

 

1 – A Lei do reino, ou sermão do monte (capítulos 5 a 7)
2 – Os mensageiros do reino, ou os discípulos (capítulo 10)
3 – As parábolas do reino (capítulo 13)
4 – A disciplina do Reino (capítulo 18)
5 – A vinda do Rei (capítulos 24 e 25)

 

V.15 – Achando-se Jesus à mesa na casa de Levi, estavam juntamente com ele e com seus discípulos muitos publicanos e pecadores; porque estes eram em grande número, e também o seguiam.
V.16 – Os escribas dos fariseus, vendo-o comer em companhia dos pecadores e publicanos, perguntavam aos discípulos dele: Por quê come (e bebe) ele com os publicanos e pecadores?
V.17 – Tendo Jesus ouvido isto, respondeu-lhes: Os sãos não precisam de médico,e, sim, os doentes; não vim chamar justos, e, sim, pecadores.

 

Lucas afirma explicitamente que Levi ofereceu a Jesus um grande banquete em sua própria casa. Mateus, talvez por humildade, não fala a esse respeito, como também não reivindicou para si a autoria do primeiro Evangelho. Mas ele tinha motivos suficientes para abrir as portas da sua casa para que seus colegas de trabalho e outras pessoas desprezadas como eles pudessem conhecer o Mestre que lhe deu tanto valor, a ponto de requisitá-lo para Sua companhia. 


A reação dos escribas e fariseus frente à atitude de Jesus comer e beber com aquele povo desprezado pode ser percebida nesta pergunta condenatória que eles fizeram aos discípulos: “Por quê come o vosso mestre com publicanos e pecadores”? (Mateus 9:11).


Lucas acrescenta que essa censura se estende aos próprios discípulos: “Por quê comeis e bebeis com publicanos e pecadores?” (Lucas 5:30). O que eles arrazoavam é isto: “Vocês estão seguindo o exemplo do seu Mestre, mas um homem como esse não merece ser considerado padrão de comportamento”.


O caso registrado neste parágrafo começa com o chamamento de Mateus. Mas o ponto central em torno do qual gira esse caso é a objeção de Jesus contra a posição dos fariseus com respeito a “justos x pecadores” e a aceitação por parte do Mestre de “uma única comunidade que incluía publicanos e pecadores”. Nisto Jesus aponta para a Sua obra pela qual destruiu a parede de separação, a inimizade entre judeus e gentios (Efésios 2:14-16). Esta obra cumpriu-se na igreja (Efésios 2:14-16). De fato os publicanos e pecadores eram tidos pelos judeus como gentios.


Quando Jesus diz aos escribas e fariseus: “Os sãos não precisam de médico, e, sim, os doentes”, Ele está defendendo a Sua vinda aos pecadores, comparando-a com o ato tão necessário do médico ir até o paciente para atendê-lo e curá-lo. A outra expressão “não vim chamar justos, e, sim, pecadores” é uma ironia feita àqueles religiosos ensoberbecidos que se diziam justos e desprezavam os pecadores. Lucas acrescenta a cláusula do arrependimento ao chamamento de Jesus, dizendo: “Não vim chamar justos, e, sim, pecadores ao arrependimento”. Isto é próprio deste evangelista que enfatiza nos seus escritos essa atitude, como necessária à salvação do pecador (Lucas 3:3; 5:32; 24:46-47; Atos 2:38; 5:31).


Mateus acrescenta também a censura de Jesus aos fariseus, por eles não terem aprendido o significado do que diz a Escritura em Oséias 6:6: “Misericórdia quero e não holocaustos”. Em outras palavras Ele está afirmando, que, para Deus, a misericórdia é muito mais importante do que qualquer sacrifício, especialmente quando se trata de esforço humano no sentido de obedecer a preceitos criados, para chamar a atenção de Deus para si. Enfim, o que Jesus fazia entre os publicanos e pecadores, com a intenção de salvá-los, é exatamente o que cumpre a vontade de Deus nas Escrituras, enquanto o que seus adversários estavam fazendo era totalmente reprovado por Deus.

 

(continua)
 

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