O INÍCIO DO FIM: A CHEGADA A JERUSALÉM

João cap. 11 e 12.

 
(gberzins@ceoexpress.com)


Amigos e irmãos ouvintes, em continuação a esta série sobre o Evangelho de João, estamos mais uma vez juntos para atentarmos aos capítulos 11 e 12 dessa apresentação da vida de Jesus Cristo.

 

Nestes capítulos ora em consideração, devemos perceber um ponto de inflexão na narrativa joanina. Até este ponto, o evangelista tem enfatizado a apresentação de Jesus Cristo, procurando demonstrar que Jesus era de fato o Filho Unigênito de Deus, o Deus encarnado. Os testemunhos a respeito do Mestre, as suas obras e as suas palavras foram todas utilizadas para tal propósito.  A partir deste ponto do relato, devemos perceber que o que tinha de ser dito e demonstrado já o foi. O partido já foi tomado, ou crendo no Filho de Deus, ou repudiando-o, e o tempo rapidamente se escoava, com o cenário do desenlace final já sendo montado, como veremos nestes capítulos onze e doze. Nenhum comentário ou analise do texto bíblico substitui o próprio texto. Uma leitura cuidadosa, detalhada e em meditação deste trecho, nos realçarão a riqueza dos detalhes e a profundidade do que João nos quer relatar a respeito do seu testemunho da vida de Jesus Cristo.


Ainda estabelecendo o cenário que o evangelho nos apresenta, lembremos que o ultimo episodio visto no encontro anterior ocorreu no templo de Jerusalém, por ocasião da festa da dedicação, que se situa na mesma época do nosso Natal. Assim poucos meses separavam aquele episódio da morte de Jesus na Páscoa. E vamos percebendo pelo relato de João como os acontecimentos vão rapidamente se encaminhando para o seu desfecho.

 

Betânia se situa nas cercanias de Jerusalém, e Jesus utilizou-se por diversas vezes da casa de seus amigos, os irmãos Marta, Maria e Lázaro, como o local de pernoite, e assim também o faria na semana da paixão (Mt.21.17).  Mas agora, retirado para evitar os judeus que o buscavam, Jesus foi notificado que Lázaro estava enfermo. O Mestre ainda demorou-se dois dias, e depois, mesmo contra o conselho dos seus discípulos que temiam por sua vida, decidiu subir para visitar seus amigos, e operar o mais maravilhoso dos milagres que o Evangelho de João registra, a ressurreição de Lázaro. É o ultimo dos sete milagres apresentados neste evangelho, se não considerarmos a pesca maravilhosa, operada após sua vitória sobre a morte (João 21). Este milagre se constituiu, por um lado, na prova maior do poder de Jesus e da sua condição de vencer a morte, e, por outro lado, na razão final para que as autoridades religiosas em definitivo passassem a considerar a eliminação do Mestre.

 

Poucos personagens bíblicos nos deixam uma imagem tão clara de suas personalidades quanto essas duas irmãs. No caso, personalidades em total contraste. Marta, ativa, ocupada, racional. Supervisionando tudo, recebeu Jesus que chegava, e com ele discutiu a teologia da ressurreição. Maria, emocional, contemplativa, provocou as lágrimas do Mestre quando se encontraram, ainda que as duas irmãs fizeram uso da mesma frase para receberem Jesus: “Senhor, se tu estiveras aqui, meu irmão não teria morrido.” (v.21 e 32).

 

E contra todas as evidências, e contra o conselho de Marta, preocupada com o estado de decomposição do corpo, Jesus orou e ordenou: “Lázaro, vem para fora!” (v.43).

 

Um feito como este nunca deixaria de produzir profundas repercussões, levando muitos a crerem em Jesus (v.45), mas também desencadeando a decisão final a respeito do ministério terreno do Mestre.

 

O relato dos versos 47 a 52 é de capital importância para entendermos os acontecimentos futuros. Para alguns comentaristas bíblicos, o verdadeiro julgamento de Jesus e a sua condenação à morte, ocorreu nessa oportunidade, com sua oficialização posterior. O Sinédrio, órgão maior de decisão do judaísmo, foi reunido para discutir sobre “este homem” (v.47). As razões que prevaleceram foram de ordem institucional e política. Temia-se que, em não pondo fim aos feitos de Jesus, ele desestabilizaria a religião oficial, e poderia ser motivo para uma intervenção mais drástica dos romanos na Judéia, terminando com a liberdade e prestigio que as autoridades religiosas ainda gozavam. A sentença de morte estava declarada: “...vos convém que morra um só homem pelo povo, e que não pereça a nação toda.” (v.50).

 

E assim, Jesus mais uma vez se retirou, agora para uma cidade de Efraim, para não precipitar os acontecimentos e ao mesmo tempo poder dedicar-se aos seus discípulos. Com a chegada da festividade religiosa maior da nação, a Páscoa, a curiosidade dos judeus aumentava, especulando-se sobre a vinda ou não do Mestre para as solenidades.

O capitulo doze, começa a nos apresentar a semana final da vida de Jesus Cristo aqui na terra.  Como nos outros evangelhos, vemos que esta semana da Paixão ocupa proporcionalmente muito mais espaço do relato que qualquer outra época do ministério terreno de Jesus. Os detalhes se ampliam na apresentação desses últimos dias, que começaram em Betânia, com uma ceia entre amigos, onde Jesus foi ungido por Maria, e o Mestre reconheceu aquele ato como uma preparação para a sua morte: “Deixai-a; para o dia da minha preparação para a sepultura o guardou;” (v.7)

 

No dia seguinte, ocorreu a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, evento conhecido como o domingo de ramos. A grande aclamação popular impossibilitou a ação planejada dos fariseus de prender a Jesus tão logo o vissem (v.19).

 

A chegada de alguns gregos, recebidos por Filipe, que junto com André os conduziram ao Mestre fez Jesus declarar que efetivamente a sua hora tinha chegado, ainda que a carga a ser suportada seria muito difícil, como declarou: “Agora a minha alma está perturbada;  e que direi eu? Pai, salva-me desta hora? Mas para isto vim a esta hora.” (v.27). E mais uma vez, Jesus aproveitou para enfatizar que Ele era a luz e a revelação de Deus, que precisava ser crido por todo aquele que não deseja continuar nas trevas.

 

E assim chegamos ao final destes dois capítulos tão importantes do relato de João. A oportunidade de repassarmos estas páginas preciosas da nossa Bíblia deve servir para o fortalecimento da razão da nossa fé. Cristo, o filho de Deus se deu por nós.  O seu sacrifício trouxe nos vida. Os seus ensinos são a luz para o nosso caminho. Persistamos, assim, em andar na luz.

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