A ESCOLHA DOS DOZE APÓSTOLOS

(Usado com permissão)
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MARCOS 3:13-19   (Mateus 10:1-4; Lucas 6:12-16)

 

V.13 – Depois subiu ao monte e chamou os que ele mesmo quis, e vieram 
          para junto dele.
V.14 – Então designou doze para estarem com ele e para os enviar a pregar,
V.15 – e a exercer a autoridade de expelir demônios.
V.16 – Eis os doze que designou: Simão, a quem acrescentou o nome de 
Pedro; 
V.17 – Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, aos quais deu o nome de 
          Boanerges, que quer dizer, filhos do trovão; 
V.18 – André, Felipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu, 
Tadeu, Simão o Zelote, 
V.19 – e Judas Iscariotes, que foi também quem o traiu.

 

Marcos inicia a sua narração, dizendo que Jesus “subiu ao monte” e Lucas informa que Ele foi lá para orar. Ele havia chegado a uma fase muito importante da Sua carreira. A mensagem Ele já tinha na mente; já tinha escolhido a pregação como método de divulgá-la; já tinha percorrido a Galiléia, pregando, ensinando, curando e expulsando demônios. Agora precisava de homens aptos para dar continuidade e perpetuar a Sua obra.

 

Jesus já havia chamado alguns discípulos para O seguirem (Mateus 4:18-22; Marcos 1:16-20; Lucas 5:1-11). Agora Ele escolhe aqueles que serão treinados para uma tarefa especial. Portanto, eles precisavam estar sempre juntos d’Ele, para receberem seus ensinos, para serem treinados e para assimilarem as Suas práticas, longe da influência dos escribas e dos fariseus. Esta escolha foi de iniciativa exclusivamente Sua, sem nenhuma interferência dos discípulos, pois Marcos afirma que foram chamados “os que Ele mesmo quis”. Havia muitos que o seguiam, mas nem todos eram assíduos e aplicados como os que foram escolhidos. Embora Ele já conhecesse a natureza de cada um, Ele passou a noite em oração antes de dar um passo de tão grande responsabilidade como este (Lucas 6:12). Depois de percorrer toda a Galiléia pregando, ensinando e fazendo curas, Ele mostrou aos discípulos as multidões necessitadas de cuidados, como um rebanho de ovelhas sem pastor. Por isso Ele lhes adverte: “A seara na verdade é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara” (Mateus 9:35-38). Certamente este pedido estava incluído nas Suas orações daquela noite. A sequencia do capítulo 10 de Mateus, a partir do verso 5, confirma essa sucessão de ideias.

 

Jesus deu a esses doze discípulos o nome de “apóstolos”, que quer dizer “enviados”. De acordo com Mateus e Marcos, eles foram comissionados para pregar o evangelho e receberam autoridade para expelir demônios e para curar toda sorte de enfermidades. Era exatamente disto que consistia o ministério de Jesus. Não foi fácil para os discípulos chegar a esta compreensão e desempenho. Não era difícil eles serem influenciados pelas ideias dos religiosos daquela época (cf Mateus 16:5-12; 17:14-17). Por isso foi muito importante uma intensa convivência deles com o Mestre que, sem deixar escrita nenhuma página dos Seus ensinos, conseguiu imprimir a Sua própria vida na mente daqueles homens, para que eles pudessem transmitir posteriormente ao mundo a Sua mensagem. Foi após a Sua ressurreição que eles se tornaram livres e aptos para empreender a ampla divulgação do evangelho, pregando que o reino de Deus estava ao alcance de todos os homens e que o Seu divino poder era superior às forças do mal. Do mesmo modo que acontecia com o Mestre, as pregações dos apóstolos muitas vezes eram acompanhadas de milagres e expulsão de demônios, o que comprovava a origem divina das suas palavras (Marcos 16:19-20; Atos 5:12-16; 14:3). 

 

A posição dos nomes dos apóstolos aparece com uma pequena variação nas listas dos Evangelhos sinóticos. Pedro aparece sempre em primeiro lugar e Judas Iscariotes, em último. Mateus agrupa os nomes aos pares, como se pode ver pela colocação de ponto e vírgula, separando-os de dois em dois. Isto sugere que Jesus os tenha enviado a pregar desta maneira  depois de serem comissionados e instruídos. Isto é o que parece indicar o parágrafo de Mateus 10:5-15, que segue imediatamente após a escolha dos doze. Marcos coloca juntos Pedro, Tiago e João, antes dos outros, porque estes três eram os mais chegados a Jesus.

 

Alguns apóstolos têm seus nomes acompanhados de um epíteto (apelido). Simão foi chamado por Cristo de Cefas (João 1:42), palavra do idioma aramaico, traduzida por “Petros” em Grego e Pedro, em Português, que significa “pedra”. Embora ele fosse inconstante no início, Jesus sabia que na Sua presença e, mais tarde, pela ação do Espírito Santo, ele adquiriria a firmeza de caráter que justifica este cognome. Os irmãos Tiago e João receberam a alcunha de Boanerges, que significa filhos do trovão, porque eram agressivos (cf Marcos 9:38; Lucas 9:54). Tadeu ou Judas, filho de Tiago (Lucas 6:16), tem também o nome de Lebaeus em alguns manuscritos. Isto, provavelmente, se refere à sua coragem ou grandeza de coração. Simão tem o apelido de Zelote ou “Cananita”no texto grego de Mateus 10:4 e Marcos 3:18, o que não se refere à sua origem ou raça, mas simplesmente indica que ele pertencia ao partido nacionalista extremado dos Zelotes, que almejava por fim ao domínio romano na Palestina. O traidor era também chamado de Iscariotes, nome que, provavelmente, está ligado ao seu lugar de origem. Este era o único apóstolo não natural da Galiléria. O nome André significa varão ou homem, não como ser humano, mas do sexo masculino. Felipe significa apreciador de cavalos. Bartolomeu significa filho de Tolomeu. Tomé era apelidado de Dídimo que, no Grego significa gêmeo (João 11:16). Tiago corresponde ao nome hebraico de Jacó. Mateus, que significa “dádiva de Deus”, era referido como “publicano”. Judas corresponde ao nome hebraico de Judá.

 

Pelo que se entende, em parte pelos apelidos dos apóstolos, em parte pelos seus costumes e cultura, é difícil, quase impossível mesmo, compreender a convivência pacífica entre eles: um Zelote, nacionalista exaltado e um publicano tido como traidor da pátria; rudes pescadores e Natanael (Bartolomeu), um israelita sem nenhuma maldade no coração (João 1:47); dois irmãos violentos como Tiago e João. Só a presença do Mestre podia explicar e garantir uma relação fraternal entre eles. Isto deve acontecer nas igrejas ainda hoje, entre os verdadeiros discípulos de Cristo.

 

Depois de romper com os líderes do Judaísmo e deixar a pregação nas sinagogas, Jesus passou a formar o Seu próprio grupo, constituído por Ele mesmo e Seus doze apóstolos. A Sua maneira de ensinar e treinar os discípulos era aquela tradicional usada por Sócrates e Confúcio na antiguidade, e pelos Rabinos do primeiro século e dos séculos posteriores: enquanto caminhava, Ele passava àqueles homens as Suas doutrinas e as Suas práticas e eles as assimilavam espontaneamente, participando de todos os incidentes do percurso. 

 

Por que o número 12? Isto é inspirado no modelo da nação de Israel com seus doze patriarcas, agora reproduzindo o Novo Israel de Deus, representando por Jesus, o Rei-Messias e Seus doze apóstolos (Mateus 19:28; Lucas 22:28-30; Gálatas 6:16). É importante reconhecer que neste colégio apostólico estava implantado o embrião da igreja de Cristo, que se tornou realidade e permanece até os dias de hoje (cf Efésios 2:19-20; 3:5-6). 

 

OBS. : Uma quarta lista dos apóstolos encontra-se em Atos 1:13. Nela não aparece Judas Iscariotes que já havia cometido suicídio. Em seu lugar foi colocado Matias (Atos 1:23-26).
 

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