O PREPARO PARA A MISSÃO

TEXTO: Mateus 3 e 4

 

Estamos de volta para dar prosseguimento ao nosso estudo sobre o EVANGELHO DO REINO, segundo o relato do evangelista Mateus.

 

    Estivemos focalizando aspectos da narrativa de Mateus que fazem com que seu livro seja reconhecido como o evangelho do reino dos céus, em especial a sua ênfase em apresentar o Senhor Jesus como o Rei prometido, o legítimo herdeiro do trono de Israel, o Messias enviado pelo Pai.

 

    Agora, a nossa atenção se volta para o período que antecedeu o início do ministério do Senhor Jesus, propriamente dito, reconhecido como a preparação para o ministério público de Jesus, período este que nos leva à pessoa e ao ministério de João, o Batista.

 

    Este João, filho de um sacerdote de nome Zacarias e de Isabel, e primo do Senhor Jesus, visto que sua mãe era prima de Maria, mãe de Jesus, cheio do Espírito Santo desde o ventre de sua mãe (Lucas 1:15), é a única pessoa do Novo Testamento, além de Jesus Cristo, cujo ministério foi predito pelos profetas do Antigo Testamento. Dele falou Isaías: “Voz do clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor: endireitai no ermo vereda a nosso Deus (Isaías 40:3). De modo semelhante, profetizou Malaquias a respeito de João e de seu ministério: “Eis que eu envio o meu anjo, que preparará o caminho diante de mim” (Malaquias 3:1), profecia cujo cumprimento foi confirmado pelo Senhor Jesus em Mateus 11:10.

 

    João foi consagrado desde o seu nascimento para ser o precursor de Cristo, como vemos nas palavras do cântico profético de seu pai, logo após a sua apresentação e circuncisão no templo: “E tu, ó menino, serás chamado profeta do Altíssimo, porque hás de ir ante a face do Senhor, a preparar os seus caminhos;  para dar ao seu povo conhecimento da salvação, na remissão dos seus pecados” (Lucas 1:76 e 77).

 

    Sua missão era exatamente esta: preparar o povo para receber a Cristo. E assim ele o fez.

 

    João iniciou o seu ministério por volta do ano 28 (AD ou D.C), começando a pregar no deserto do Jordão. Anunciava a chegada de um novo reino: o reino dos céus. O reino dos céus, ou o reino de Deus, como expressam os outros evangelistas, significava a soberania ou domínio divino que os judeus esperavam em cumprimento às promessas messiânicas. Com isso, João estava dando sinal e chamando a atenção do povo de que o advento de Jesus Cristo introduzia este novo reino em Israel. Então, a expressão por ele utilizada: “é chegado o reino dos céus” (Mateus 3:2).


    João tornou-se uma voz: “a voz do clama no deserto”, cumprindo a profecia de Isaías a seu respeito. Uma voz que tinha por finalidade mostrar Jesus Cristo aos homens.
    
Sua fama como pregador espalhou-se, de modo que multidões se reuniam para ouvi-lo falar, conforme lemos em Mateus 3:5: “Então ia ter com ele Jerusalém, e toda a Judéia e toda a província adjacente ao Jordão”. 

 

    Sua pregação, no entanto, era de severa condenação para com a ordem estabelecida em Israel. As expressões por ele empregadas como ‘raça de víboras’, ‘ira futura’, ‘já está posto o machado à raiz das árvores’ não representavam uma mensagem de conforto e, sim, de aviso. Denunciava os líderes religiosos e a expressão ‘Produzi pois frutos dignos do arrependimento’ foi um sermão dirigido aos fariseus e saduceus que foram a ele para o batismo, diante dos quais afirmou que não havia nenhum privilégio no fato de alguém ser descendente de Abraão, porque até das pedras Deus poderia gerar filhos a Abraão, se necessário fosse. Os privilégios dos judeus como descendentes de Abraão ficaram restritos ao período do Antigo Testamento. Com a chegada do reino dos céus, em Cristo a bênção da promessa abraâmica foi estendida a todas as raças e nações, sendo acessível a todos, mediante o arrependimento genuíno e a fé. 

 

Assim, esta mensagem se aplicava também aos publicanos, aos soldados, às multidões, a todas as pessoas, porque ao pecador.

 

João na temia a ninguém, porém cumpria com determinação e de forma fiel a sua missão de ‘preparar o caminho para o Senhor’, apontando sempre para Cristo.

 

Assim, ele pensava e falava de si mesmo como alguém menor do que Aquele que viria depois, diante de quem não era digno nem de realizar o serviço mais humilde como o de “desatar-lhe as sandálias dos pés” (Marcos 1:7; Lucas 3:16).

 

Um assunto tornou-se o ponto central de sua pregação: o arrependimento. João falava de forma clara e fervorosa, conclamando o povo ao arrependimento.  “Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus” (Mateus 3:2), dizia ele.

 

Sua insistência neste aspecto alcançava o batismo por ele praticado, reconhecido como o ‘batismo do arrependimento’. Muitos daqueles que iam a ele, depois de ouvirem a sua pregação, “eram por ele batizados no rio Jordão, confessando os seus pecados” (Mateus 3:6). Os evangelistas dizem com toda a clareza que João pregava “batismo de  arrependimento, para remissão dos pecados” (Marcos 1:4; Lucas 3:3), o que difere do batismo cristão realizado em nome do Pai, do Filho e  do Espírito Santo, o qual simboliza outras realidades espirituais da união com Cristo e da aceitação da salvação. João praticava o batismo de arrependimento, a fim de ‘preparar o caminho do Senhor’. Era cognominado o ‘Batista’ porque sua tarefa era batizar.

 

A ênfase no arrependimento era necessária. Necessária porque, antes de haver convicção e conversão, é preciso que haja genuíno arrependimento, o que inclui o reconhecimento de pecados acompanhado do desejo de mudar de vida e não mais voltar aos antigos costumes. Por isso, João Batista pregava o arrependimento em preparação do povo para a aceitação de Cristo.

 

João batizava com água, declarando que após ele viria Aquele que batizaria com o Espírito Santo e com fogo.

 

Dentre as pessoas que foram a ele pedindo o batismo, encontrou-se Jesus, relata Mateus no cap.3, v.13: “Então veio Jesus da Galiléia ter com João junto do Jordão, para ser batizado por ele”.

 

Embora não precisando de se arrepender e não tendo nenhum pecado a confessar, Jesus submeteu-se ao batismo de João. Era necessário que assim se fizesse para que toda a justiça de Deus fosse cumprida (Mateus 3:15). Ao submeter-se ao batismo, Jesus estava ocupando o lugar do pecador e apontando para outro acontecimento maior que viria mais adiante, quando na cruz do Calvário estaria morrendo como substituto de todos os pecadores, cumprindo por inteiro a justiça de Deus, que não pode deixar a pena sem castigo, e alcançando a vitória cabal sobre o pecado, a fim de salvar todo aquele que nele crer.

 

A solenidade do batismo de Jesus foi marcada pela presença da santíssima Trindade. Logo após sair da água, os céus se abriram e o Espírito Santo desceu sobre Ele em forma de pomba, enquanto a voz do Pai, vinda dos céus, dizia: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mateus 3:17). O Pai, o Filho e o Espírito Santo.

 

Segue-se, então, outro episódio que também fez parte deste período preparatório para o ministério público de Jesus: a tentação.

 

Logo após o batismo, Jesus foi levado ao deserto para ser tentado pelo diabo. Uma vez que pela submissão ao batismo Jesus se apresentou como substituto do pecador, substituição esta que culminaria na cruz do calvário, o diabo se levantou com a intenção de desviá-lo, sugerindo alternativas que o afastariam do caminho da cruz. Satanás sabia que ali no Calvário Jesus iria derrotá-lo cabalmente, como de fato aconteceu.

 

No entanto, a tentação de Jesus aconteceu com a permissão de Deus, uma vez que foi o Espírito Santo quem o conduziu ao deserto para ser tentado, como lemos em Mateus 4:1.

Isso nos leva a pensar que, sendo submetido também à tentação, no deserto e em outros momentos que se repetiram em seu ministério, Jesus estava demonstrando ao mundo a sua impossibilidade de cair, de vir a pecar, apresentando-se em perfeitas condições de substituir o pecador lá na cruz, para salvá-lo, como de fato o fez.

 

Jesus, o Justo, aquele que nunca pecou, e somente Jesus pode salvar o pecador. Pelo caminho da cruz, onde pagou o preço da nossa redenção, razão que nos leva a cantar:

 

Foi Jesus que abriu o caminho pra o céu;
Não há outro meio de ir.
Nunca irei entrar no celeste lar
Se o caminho da cruz errar.

Para o céu por Jesus irei,
Para o céu por Jesus irei;
Grande é o meu prazer
De certeza ter:
Para o céu pela cruz irei. 
 
(Jessie Brown Pounds)
Hino 306 do Cantor Cristão

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