SERMÕES PARA MARCAR DISCÍPULOS - Mateus 18 e 19

A lição de hoje está abordando uma série de ensinamentos do Senhor Jesus, apresentados na forma de discursos, ou sermões, dirigidos aos seus discípulos. Sermões para aqueles que pertencem ao reino dos céus.

 

O primeiro a ser estudado hoje pode ser considerado como ensinamentos sobre a humildade.

 

Faz parte do último grande discurso de Jesus antes de seguir para Jerusalém e passar pelos acontecimentos ligados à sua morte e ressurreição. Foi proferido pelo divino Mestre em razão do ciúme e da disputa que se manifestaram entre os discípulos, enquanto caminhavam para Cafarnaum. Uma disputa a respeito de quem era o maior no reino dos céus.

 

Estes ensinamentos foram apresentados em casa, provavelmente na casa de Pedro, numa situação em que Jesus chamou uma criança e passou a ilustrar os princípios essenciais dos seus ensinos sobre humildade através do menino, posto no meio dos discípulos.

 

Na parte inicial do discurso, Jesus  já muito nos ensina: “Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como meninos, de modo algum entrareis no reino dos céus” (Mateus 18:3-4).

 

Vemos, inicialmente, Jesus despertando a nossa atenção quanto à necessidade de haver preparo espiritual para ingressarmos no reino dos céus e desfrutarmos das bênçãos decorrentes da participação neste reino.

 

Um aspecto destacado por Jesus refere-se à conversão: “Se não vos converterdes”, disse Jesus. Lembrando que o sermão foi dirigido aos discípulos, devemos considerar que mesmo alguém que já se manifestou pela aceitação da salvação pela fé em Cristo pode carecer de conversão, no sentido de entregar toda a sua vida ao Senhor.

 

A conversão produz alguns resultados. Um deles implica em tornarmo-nos como ‘meninos’ (v.3), o que abrange alguns significados:


•    -Humildade – Além de ter fé, o participante do reino dos céus precisa ser humilde como uma criança. Humildade que não significa ser desprovido de recursos materiais ou intelectuais,  mas  em   esvaziar-se  da   soberba,   da  arrogância,   da   altivez.. Humildade despretensiosa, genuína, que fará dele o maior no reino dos céus. Posição que está reservada por Jesus exatamente para aquele que não tem a pretensão de vir a ocupá-la. Humilde como um menino e maior nos reino dos céus.


•    -Um novo começo- Tornar-se como um menino representa, também, o início de uma nova vida, por meio da regeneração que advém da conversão.

 

Por meio desta ilustração, o Senhor Jesus ainda nos ensina que as crianças lhe pertencem e têm grande importância para Ele, a ponto de que receber uma criança em nome de Jesus é o mesmo que receber a Ele. Jesus confirmou esta importância ao dispensar atenção e abençoar as crianças quando procuraram se aproximar dele, repreendendo os discípulos que tentaram impedi-las: “Deixai os meninos, e não os estorveis de vir a mim; porque dos tais é o reino dos céus” (Mateus 19:14). Ofender uma criança e prejudicar ou descuidar de sua vida espiritual é, portanto, desobediência a uma ordem de Jesus. É pecado.

 

Outro ensinamento, ou sermão, de Jesus que encontramos  no capítulo 18 de Mateus diz respeito ao perdão entre irmãos ou, melhor dizendo, o exercício do perdão na Igreja. Mateus 18:15-20 é, antes de tudo, um texto sobre perdão para somente depois abordar a questão da disciplina. Nele Jesus nos ensina como devemos nos conduzir quando um irmão peca contra outro.

 

A primeira coisa que devemos observar é que logo no início do texto, no v. 15, Jesus nos indica qual é o objetivo supremo e perene nestas situações: ganhar o irmão; evitar que o irmão se perca ou se desligue da comunhão conosco. Imbuídos deste objetivo, três etapas seqüenciais devem ser adotadas em relação ao irmão culpado.

 

1ª etapa – Ir a ele, só. “Repreende-o entre ti e ele só” (v.15), disse Jesus. Um ensino muitas vezes descumprido, quando alguém se queixa de um irmão a outro ou até o acusa diante da Igreja antes de ir a ele, a sós.


2ª etapa – Se ele não ouvir, se não houver reconciliação na primeira etapa, então se deve fazer uma segunda tentativa, agora na presença de duas ou três testemunhas. Assim ensinando, Jesus está aplicando o princípio da lei de Moisés, de Deuteronômio 19:15, a respeito das testemunhas: “Uma só testemunha contra ninguém se levantará por qualquer iniqüidade, ou por qualquer pecado, seja qual for o pecado que pecasse; pela boca de duas  testemunhas, ou pela boca de três testemunhas, se estabelecerá o negócio.”
3ª etapa –Não havendo êxito na segunda tentativa, então o assunto deverá ser levado à Igreja, sempre com o objetivo de ganhar o irmão.


Para isso, devemos considerar alguns ensinamentos bíblicos a respeito do perdão:

 

•    -Segundo J. D. Douglas, em O Novo Dicionário da Bíblia, um dos vocábulos encontrados no Novo Testamento para perdão – charizomai – significa ‘tratar graciosamente com’ (1).


•    -O perdão que recebemos de Cristo deve produzir em nós a disposição para perdoarmos também os  outros, é o que  nos  ensina  Jesus em  Mateus 18:23-35,   na parábola do credor incompassivo, e o que lemos em Colossenses 3:13: “Suportando-vos uns aos outros, e perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outro; assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também.”


•    -Uma disposição que se renova  até 70x7, disse Jesus (Mateus 18:22), o que significa tantas vezes quantas necessárias, ou sempre, como novas são as misericórdias de Deus a cada manhã, razão de não sermos consumidos (Lamentações 3:22).


•    -A disposição para perdoar os outros é uma expressão de que há em nós um genuíno arrependimento das faltas que cometemos, é o que aprendemos com a oração que Jesus nos ensinou: “...E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores” (Mateus 6:12).

 

Considerando então esses ensinamentos, concluímos que o perdão é um ato que vem da graça de Deus sobre nós e que nós reproduzimos em relação ao nosso irmão.

 

Graça de Deus que enviou Jesus ao mundo para buscar a ovelha que se perdeu. Ainda que noventa e nove delas estejam guardadas em segurança no aprisco, a maravilhosa graça vai ao encontro da centésima ovelha que se desgarrou, a fim de trazê-la de volta, chamando-a a um novo começo de vida ao lado de Jesus.

 

Basta que o homem seja humilde como uma criança para aceitar a salvação em Jesus, para receber a graça do perdão de Deus, para exercitar junto ao irmão o perdão que ele próprio recebeu  da graça. Da maravilhosa graça de Deus. O que nos leva a cantar o belíssimo hino que diz:

 

Maravilhosa graça! Graça de Deus sem par!
Como poder cantá-la? Como hei de começar?
Ela me dá certeza, e vivo com firmeza
Pela maravilhosa graça de Jesus.

 

Graça! Que maravilhosa graça!
É imensurável e sem fim.
É maravilhosa, é tão grandiosa,
É suficiente para mim.
É maior que a minha iniqüidade,
É revelação do amor do Pai.
O nome de Jesus engrandecei
E a Deus louvai!


(Lillenas/Muirhead)
Amém! 

(1)    DOUGLAS, J. D. O Novo Dicionário da Bíblia. 2ª ed.
São Paulo: Vida Nova, 1995. p. 1267.

 

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