O SERMÃO ACUSADOR - Mateus 22 e 23

Estamos caminhando para o final da nossa série de estudos. Apenas mais duas lições nos aguardam, além desta.

 

Chegamos, assim, a uma fase em que, vivendo a última semana do seu ministério terreno e estando já em Jerusalém, o Senhor Jesus proferiu os seus últimos discursos e ensinamentos.

 

Hoje focalizamos os capítulos 22 e 23, nos quais Mateus relata parábolas e ensinamentos de Jesus, de teor acusatório,  relacionados aos líderes religiosos da época, porém com preciosas advertências para os seus discípulos. Os de então e os de todos os tempos, o que nos inclui.

 

Inicialmente, estamos nos detendo na parábola das bodas.Uma parábola de acusação. Por ela, Jesus ilustra a graça de Deus dispensada através do Evangelho, a rejeição por parte dos judeus e o convite aos gentios.

 

Os primeiros versos apresentam o convite feito a Israel, que o recusou com indiferença e descaso: “... e estes não quiseram vir”, lemos no v.3, e “Porém eles, não fazendo caso, foram um para o seu campo, outro para o seu tráfico”  (v.5).

 

Mais adiante, a parábola retrata o mesmo convite sendo estendido aos gentios: “Ide, pois, ... e convidai para as bodas  a quantos encontrardes” (v.9).

 

Porém, em relação a estes Jesus também apresenta uma palavra de acusação, simbolizada pelo homem que foi encontrado participando das bodas, sem que estivesse vestido com o traje nupcial, o que significa não estar coberto pelos vestidos de salvação e pelo manto de justiça, mencionados em Isaías 61:60. Vestimentas que só recebem os que estão firmados em Cristo.

 

Dessa forma, o Senhor Jesus denuncia aqueles que se encontram entre os que participam de sua Igreja visível, militante, e se apresentam como crentes, sem contudo obedecerem aos seus ensinos, por não terem entregado verdadeiramente o coração a Cristo. Pessoas que não foram revestidas pela justiça de Cristo.

 

Então, Jesus conclui a parábola, dizendo: “Muitos serão chamados, mas poucos os escolhidos” (v.14).

 

Há, contudo, no relato de Mateus, um sermão de caráter acusador, proferido por Jesus, sobre o qual estamos meditando hoje, também.

O discurso está registrado no capítulo 23, e se intitula: Jesus censura os escribas e os fariseus.

 

Devemos observar, no entanto, que o sermão não foi dirigido aos fariseus, e sim a multidão e aos discípulos de Jesus. É o que lemos: “Então falou Jesus à multidão, e aos discípulos dizendo:” (Mateus 23:1 e 2). Conquanto a acusação seja referente à conduta dos fariseus, a  advertência está dirigida aos discípulos de Jesus, de modo a que não venham a incorrer nos mesmos erros.

 

O primeiro comentário que Jesus fez neste sermão foi relativo à cadeira de Moisés: “Na cadeira de Moisés estão assentados os escribas e fariseus” (v.2), o que significa que eles se tornaram representantes da autoridade de Moisés e isso lhes dava credibilidade diante do povo.

 

Então, a primeira advertência feita por Jesus aos discípulos: “Observai, pois, e praticai tudo o vos disserem; mas não procedais em conformidade com as suas obras, porque dizem e não praticam”  (Mateus 23:3). Aos fariseus coube a acusação de não praticarem aquilo que eles próprios ensinavam.

 

Neste sermão acusador, o Senhor apresenta diversas falhas de conduta, da parte dos fariseus, a serem evitadas pelos discípulos de Jesus. Dentre elas podemos destacar:

 

•    -Hipocrisia – Lançavam fardos pesados e dificílimos sobre os ombros dos outros, pela doutrina que pregavam, quando eles próprios nem com aponta dos dedos queriam movê-los, fazendo da religião uma prática de atos externos, dissociada das disposições que faltavam no coração. Não devemos, portanto, exigir que os outros façam aquilo que não praticamos.

•    -Ostentação – Os fariseus realizavam as suas obras com o intuito de serem vistos e elogiados pelos homens. Com esta intenção, portavam largos filactérios (Mateus 23:5), o que consistia numa fita em que eram inscritos certos trechos do Pentateuco. A fita era enrolada e colocada num estojo que ficava preso na testa ou no dorso da mão direita, em cumprimento literal de Deuteronômio 6:8.

 

Ocorre que essa recomendação se inicia no verso 6, dizendo: “E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração...Também as atarás por sinal na tua mão e te serão por testeiras entre os teus olhos. E as escreverá nos umbrais de tua casa, e nas tuas portas” (Deuteronômio 6:6-9).

 

Os fariseus portavam de forma visível, na não direita e na testa, mas não a guardavam no coração, como ensina o texto de Deuteronômio. Além disso, esses filactérios costumavam ser usados na hora da oração, mas ao que parece os fariseus usavam sempre, por ostentação. 

 

Com esta mesma intenção alargavam, denunciou Jesus, as franjas de seus vestidos, sob o pretexto de obediência a Números 15:38-39. 

 

Amavam os primeiros lugares nas sinagogas, as sudações nas praças e serem chamados de Rabi, que significa ‘meu professor’, a propósito do que Jesus nos advertiu a não nos chamarmos de mestre uns aos outros, porque um só é o nosso Mestre – o Cristo.

 

Aprendemos, então, que não devemos trabalhar para sermos louvados, nem para receber honra dos homens.

 

Em conseqüência da conduta hipócrita e ostensiva dos fariseus, outros pecados eram praticados por eles, igualmente denunciados por Jesus:


•    -Fechavam aos homens o reino dos céus, dificultando o progresso espiritual como resultado de verdadeira conversão (v.13).
•    -Extorquiam dinheiro de pessoas indefesas, como as viúvas, sob o pretexto de práticas espirituais, como por exemplo, fazendo longas orações (v.14).
•    -Eram zelosos em observar pequenos detalhes da lei, mas desprezavam os preceitos mais importantes, com observar o juízo, a misericórdia e a fé (v.23).
•    -Preocupavam-se com a limpeza exterior, enquanto o coração, os desejos e os pensamentos permaneciam impuros, cheios de hipocrisia e iniqüidade (v.24-28).
•    -Manifestavam uma falsa reverência aos justos, porque zelavam pelos sepulcros dos profetas do passado, já falecidos, enquanto matavam e açoitavam os profetas vivos.

Realmente, um sermão acusador!

 

No entanto, o Senhor Jesus o concluiu num tom de lamento: “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e tu não quiseste! (v.37).

 

Uma simbologia pela qual o Senhor Jesus se apresenta amorosamente como abrigo e proteção contra os perigos que nos cercam, a começar pelos perigos espirituais da perdição eterna. Para isso, deu a sua vida, a fim de resgatar o pecador. Desde que se queira e se aceite a salvação que somente Jesus pode conceder.

 

É lamentável que, diante de um convite tão grandioso e amorável, haja quem não queira aceitar a salvação. Uns a recusam mediante a indiferença e o descaso; outros, pela hipocrisia e pelo orgulho, porque crendo, não seguem a Cristo com inteireza de coração nem observam os santos preceitos que conhecem e até anunciam.

 

Que o Senhor nos dê graça e abençoe, de tal modo que sejamos crentes fiéis e com toda a sinceridade de coração possamos cantar:

 

Em Jesus confiar, sua lei observar,
Oh! Que gozo, que bênção, que paz!
Satisfeito guardar tudo quanto ordenar
Alegria perene nos traz.

 

Crer e observar
Tudo quanto ordenar;
O fiel obedece
Ao que Cristo mandar!

 

(Salomão Luiz Ginsburg)
Hino 301 do Cantor Cristão

 

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