MORTE E RESSURREIÇÃO - Mateus 26 a 28

Chegamos à última parte da série de estudos  em Mateus, o Evangelho do Reino.

 

Sabemos que muito faltou para que fosse um estudo completo. Entretanto, a nossa oração tem sido para que, aquilo que nos foi possível abordar dentro do tempo que dispomos, seja edificante e tenha um resultado abençoador para a vida dos nossos leitores. Hoje veremos os capítulos do livro de Mateus que relatam a morte e ressurreição de Jesus.

 

Tendo concluído o seu último discurso, o Sermão Profético, o Senhor Jesus voltou a falar aos seus discípulos a respeito de sua morte: “Bem sabeis que daqui a dois dias é a páscoa; e o Filho do homem será entregue para ser crucificado” (Mateus 26:2).

 

O Senhor Jesus chegou a marcar o dia: “daqui a dois dias”, durante a páscoa, ao contrário do que disseram os seus inimigos que conspiravam contra Ele, porque diziam “não durante a festa” (Mateus 26:5).

 

A Páscoa era a festa que inaugurava o ano religioso dos judeus e comemorava a libertação do jugo egípcio. Milhares de pessoas afluíam a Jerusalém naquela data.

Antes disso, o Senhor Jesus esteve em Betânia, em casa de Simão, o leproso, que provavelmente fora curado por Ele. Seus discípulos o acompanhavam.

 

Foi nesta ocasião que uma mulher (e João nos ensina que esta mulher era Maria, irmã de Lázaro e Marta) derramou um frasco de perfume de alto preço sobre a cabeça de Jesus. O ato foi considerado um desperdício pelos discípulos, sob a alegação de que o perfume poderia ser vendido e o dinheiro arrecadado distribuído com os pobres. João, porém, nos informa que foi Judas Iscariotes quem assim falou (João 12:4-5).

 

Para Jesus, no entanto, o gesto daquela mulher foi profético: uma preparação do seu corpo para o seu sepultamento que estava para acontecer. Além disso, com aquele gesto ela expressou a sua dedicação à pessoa de Jesus. E dedicação a Jesus jamais será desperdício.

 

Bem recebida por Jesus em sua atitude, o Senhor a honrou, de forma profética, declarando que onde quer que o Evangelho seja pregado, o gesto que ela praticou será lembrado e mencionado. Uma profecia que tem sido cumprida, literalmente, em toda parte do mundo. Inclusive por nós, neste momento.

 

Chegando a Páscoa, o Senhor Jesus a celebrou junto com os seus discípulos. Pela última vez.

 

Nesta celebração, Jesus deu à Páscoa um significado novo, transformando-a na Ceia do Senhor. Jesus tomou os elementos da Páscoa, o pão e o cálice, e mudou a ênfase da festa. Em vez de recordar a libertação do Egito, dali em diante o pão e o cálice passaram a representar a redenção do pecado, simbolizando o corpo de Cristo e o seu sangue por muitos, na cruz do Calvário, para remissão dos pecados. O “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (João 1:29) estava ali para ser morto no dia seguinte.

 

Após cear, Jesus e os discípulos foram para o monte das Oliveiras e dali para um lugar chamado Getsêmani.

 

O nome Getsêmani significa ‘lagar de azeite’. Era um jardim, situado a leste de Jerusalém,  do outro lado vale, ou  do  ribeiro, de  Cedrom e  perto do  monte das  Oliveiras, onde existia um lagar para a extração do óleo das azeitonas.

 

Um lugar apropriado para retiro, recolhimento e descanso, mas que se tornou o local da agonia de Jesus, da traição de Judas e da prisão do Senhor.

 

Foi ali que Jesus passou a experimentar tristeza e angústia intensas, por saber-se muito perto de enfrentar a cruz, com todos os acontecimentos humilhantes que marcariam a sua prisão, o seu julgamento e a sua morte, como escárnio e açoites, até a crucificação propriamente dita.

 

Três vezes orou ao Pai, pedindo que, se possível, fosse poupado de ‘beber o cálice’ que para Ele estava reservado, referindo-se à sua morte na cruz, o que implicava não apenas em dor física, mas em sofrimento moral e espiritual, uma vez que, sendo Ele Santo e sem pecado algum, estaria fazendo de sua alma uma oferta de expiação do pecado dos homens, conforme Isaías 53:10, e experimentando temporariamente o desamparo de Deus, por ter sobre os seus ombros os pecados da humanidade, conforme o Salmo 22:1. 

Igualmente por três vezes sujeitou-se em obediência ao Pai, apresentando-se para cumprimento do plano de salvação da humanidade: “faça-se a tua vontade” (Mateus 26:39, 42 e 44), disse Jesus ao final de cada uma das três orações.

 

Ainda no Getsêmani, Judas o traiu e o entregou à multidão, enviada pelos príncipes dos sacerdotes e pelos anciãos do povo, que o prendeu. Uma multidão enviada para prender Jesus, diante da qual Ele lembrou a todos que tudo aquilo só estava acontecendo para que se cumprissem as Escrituras dos profetas.

 

Tendo sido preso, Jesus foi julgado. No seu processo de julgamento, foi levado a seis instâncias: primeiramente, perante Anás, sogro de Caifás, nos informa João 18:13. Depois a Caifás, sumo sacerdote (Mateus 26:57); ao sinédrio (Mateus 26:57-61; 27:1,2); a Pilatos (Mateus 27:11-14); a Herodes, nos informa Lucas 23:8-11; outra vez a  Pilatos (Lucas 23:11).

Lendo o texto com atenção, observamos que na maior parte do tempo Jesus não falou, nem se defendeu. Seu silêncio foi notável, a ponto de ficar registrado no relato do Evangelho: “E Jesus, porém, guardava silêncio” (Mateus 27:12). Aprendemos com Jesus que há momentos e situações na vida em que o silêncio é a melhor resposta.

 

No entanto, quando se tratou de dar testemunho da verdade, Jesus falou: “Disse-lhe Jesus: Tu o disseste; digo-vos, porém, que vereis em breve o Filho do homem assentado à direita do Poder, e vindo sobre as nuvens do céu” (Mateus 26:64), testemunhando assim de sua ascensão e de sua segunda vinda, e fazendo menção do Salmo 110:1 e de Daniel 7:13.

 

Seis instâncias de julgamento: nenhuma falta foi encontrada em Jesus. As acusações contra Ele levantadas vieram da parte de falsas testemunhas (Mateus 26:59-61).

 

O veredicto final, dado por Pilatos, declarou Jesus inocente (Mateus 27:24). No entanto, Jesus foi condenado. Injustamente condenado.

 

Era necessário que a sua inocência fosse declarada por aquele que o julgou e que a injustiça contra Ele se evidenciasse para que, desse modo, Jesus feito justiça de Deus a nosso favor.

 

E assim Jesus foi levado à morte – morte de cruz. Ele que nunca pecou tomou sobre si os nossos pecados e, na cruz do Calvário, pagou o preço da nossa redenção, pelo seu sangue ali vertido, porque “sem derramamento de sangue não há remissão” (Hebreus 9:22).

 

Sepultado, o corpo de Jesus permaneceu por três dias no túmulo que pertencia a um homem de nome José, da cidade de Arimatéia.

 

No terceiro dia, entretanto, o Senhor Jesus venceu a morte, ressuscitando, como havia dito. A vigilância dos guardas, providenciada pelos príncipes dos sacerdotes e dos fariseus, em nada pôde evitar que o túmulo fosse aberto. Um anjo do Senhor, descendo do céu, removeu a pedra que selava o sepulcro, o qual foi encontrado vazio por Maria Madalena e a outra Maria que até foram.

 

A elas o anjo esclareceu o que acontecera: “Não tenhais medo; pois eu sei que buscais a Jesus, que foi crucificado. Ele não está aqui, porque ressuscitou como havia dito” (Mateus 28:5-6).

 

No caminho, Jesus apareceu a essas duas mulheres, que O adoraram, e por intermédio delas o Senhor enviou um recado aos seus discípulos para que fossem à Galiléia, porque lá eles O veriam.

 

O Rei Messias, prometido e enviado pelo Pai, tendo cumprido a sua missão salvadora, estabeleceu o seu reino espiritual, até o dia em que voltará reinando em glória.

 

 A nós que, pela fé em Cristo, somos participantes deste reino, cabe cumprir a missão que o nosso Salvador bendito entregou aos seus discípulos, naquele encontro marcado na Galiléia, quando disse: “É-me dado todo o  poder no céu e na terra. Portanto ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos. Amém.” (Mateus 28:18-20).

 

Anunciar o evangelho é, pois, a tarefa que Jesus a nós confiou.

 

O Evangelho de Jesus Cristo; este evangelho do reino de Deus!


Assim façamos, cantando o hino que está sempre a nos lembrar:

 

Eis os milhões, que, em trevas tão medonhas,
Jazem perdidos, sem o Salvador.
Quem lhes irá as novas proclamando
Que Deus, em Cristo, salva o pecador?

 

Todo o poder o Pai me deu,
Na terra, bem assim no céu!
Ide, pois, anunciai o Evangelho,
E sempre eu estou convosco! 


(Henry Maxwell Wright)
Hino 443 do Cantor Cristão

Obs. Esta série de estudos foi elaborada tendo como fonte de consulta e informação as seguintes referências bibliográficas:

 

•    DAVIS, Jhon  D.  Dicionário da Bíblia. 4ª ed. Rio de Janeiro: Casa Publicadora Batista, 1973.
•    DOUGLAS, J. D.  O Novo Dicionário da Bíblia. 2ª ed. São Paulo: Vida Nova, 1995.
•    McNAIR, S.E. A Bíblia Explicada. 4ª ed. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembléias
o    de Deus, 1983. 
•    SHEDD, Russel P. O Novo Comentário da Bíblia. Vol.III. São Paulo: Edições Vida Nova Soc. Ltda,
               1963.     

 

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