O EXERCÍCIO CRISTÃO DA MORDOMIA

Texto bíblico: 1Crônicas. 29; Atos 4; 1Tessalonicenses 4

    
A mordomia cristã é outra faceta do ministério cristão. Quando estamos envolvidos na obra do Senhor precisamos também colocar em prática o exercício da mordomia que nada mais é do que o manejo responsável dos recursos do reino de Deus que foram confiados a uma pessoa ou a um grupo. A mordomia nos leva à ideia de administração. No evangelho de Lucas lemos no capítulo 16 vs 2 o seguinte: “E ele chamando-o, disse-lhe: “Que é isto que ouço de ti? Dá contas da tua mordomia, porque já não poderás ser mais meu mordomo.” Aqui Jesus ensina sobre a parábola do “mordomo infiel”.     

 

Lendo-a podemos perceber claramente que mordomia tem o sentido de administrar recursos de alguém. Assim mordomo é a pessoa encarregada da administração de uma casa. Lembra-se de José no Egito, na casa de Faraó. Gênesis 39.4-5, de forma didática nos mostra o que é ser um mordomo, senão vejamos: “José achou graça aos seus olhos e servia-o: e ele o pôs sobre a sua casa e entregou  na sua mão tudo o que tinha. E aconteceu que, desde que o pusera sobre a sua casa e sobre tudo o que tinha, o Senhor abençoou a casa do egípcio por amor de José; e a bênção do Senhor foi sobre tudo o que tinha na casa e no campo.” 

 

Outras noções que podemos colher do termo mordomo também nos são trazidas do texto bíblico, tais como: despenseiro, isto é, pessoa designada da despensa, cômodo em que se guardam mantimentos, conforme se constata de Gênesis 43.16: “Vendo, pois, José a Benjamim com eles, disse ao que estava sobre a sua casa: Leva estes varões à casa, e mata reses, e prepara tudo; porque este varões comerão comigo ao meio-dia.” 

 

Como despenseiro podemos visualizar o cristão como administrador dos seus dons. Na primeira epístola de Pedro 4.10 lemos: “Cada um administre aos outros o dom como o recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus.” Devemos destacar que algumas pessoas, bem cientes de seus dons ou habilidades, acreditam que têm o direito de usá-los como quiserem. Outras pensam que não têm nenhum talento especial.     

 

O apóstolo Pedro trata de ambos os grupos. Todos nós temos algum dom; descubra os seus e use-os. Todos os nossos dons devem ser usados para servir aos outros; nenhum é para nosso exclusivo prazer. Somos mordomos do Senhor. Devemos usá-los para a glória de Deus e edificação do corpo de Cristo.

 

A mordomia cristã deve ser exercida em várias áreas da nossa vida. Falamos na mordomia do tempo. “Portanto,m vede prudentemente como andais, não como ignorantes, mas como sábios, remindo o tempo por os dias são maus” (Ef. 5.15-16).

 

Como bons despenseiros de Cristo precisamos perceber o senso de urgência em anunciar o evangelho, porque nossos dias também são difíceis. Outra área que precisamos ser bons mordomos e a dos nossos bens: “honra ao Senhor com os tens bens, e com as primícias de toda renda” (Pv. 3.9). Somos instados à prática de oferecer a Deus a primeira e melhor porção do fruto de seu trabalho. 

 

Muitas pessoas dão ao Senhor as sobras. Se tiverem condições de ofertar depois de as contas serem pagas, elas o fazem. Deus quer a primeira parte de nossa renda. Isto demonstra que Ele, não as posses, tem prioridade em nossa vida e é a fonte de nossos recursos. Deus requer de nós a mordomia do nosso conhecimento e inteligência. “Há ouro e abundância de pedras preciosas; mas os lábios do conhecimento são joia de grande valor” (Pv. 20.15) e “Porque em tudo fostes enriquecidos nele, em todo palavra e em todo o conhecimento” (I Co 1.5). 

 

Devemos exercer a mordomia dos nossos dízimos e ofertas, conforme registrado em Malaquias 3.8: “Roubará o homem a Deus? Todavia vós me roubais, e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas alçadas.” Este texto nos mostra que o profeta exortou o povo a deixar de reter seus dízimos e parar de roubar a Deus. Mais uma vez devemos nos lembrar que tudo aquilo que temos pertence ao Senhor, e, quando nos recusamos a devolver-lhe uma parte daquilo que Ele colocou em nossas mãos, como despenseiros, o roubamos. Será que de um modo egoísta desejamos reter 100% daquilo que Deus nos dá, ou estamos dispostos a devolver-lhe ao menos 10% para ajudar o progresso de seu Reino? Existe também a mordomia dos nosso corpos, e neste ponto nos valemos do apóstolo Paulo em Romanos 12.1 que enfatiza: “Rogo-vos pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.” Como bons mordomos que somos Deus deseja que nos ofereçamos como sacrifício vivo. Ele não que o sacrifício de animais. Isto significa que devemos deixar de lado nossos desejos para segui-lo, colocando toda nossa energia e recursos à sua disposição, confiando nEle para nos guiar.

 

O principio central é de que Deus nos concede bênçãos para que, por nossa vez, sejamos instrumentos de graça, mediante nossa resposta de lealdade e obediência impulsionada pelo amor. Em toda a Bíblia, Abraão tem sido um exemplo de homem fiel e daquele que crê. É reconhecido como o pai da fé. Quando Deus o chamou para ser Seu fiel mordomo, ofereceu-lhe a promessa: “De ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome, e tu serás uma bênção” (Gn12:2).

 

O mordomo de Deus recebe graça e bênção sem medida. E sua fidelidade à benção e à graça recebidas deve ser impulsionada pelo amor. Por isso, Paulo afirma com palavras inspiradas: “Pois o amor de Cristo nos constrange” (2Co 5:14). Se nossa adoração, fidelidade, obediência e lealdade ao Senhor e Seus princípios não forem motivados ou impelidos pelo amor, o motivo de nossa ação será torpe e equivocado.

 

Mordomia é uma resposta de amor e fidelidade a um imenso dom recebido. Os dons de Deus não podem ser pagos.Neles se resume a vida. O princípio é que chegamos à vida sem nada e dela sairemos igualmente sem nada. 

 

A Palavra de Deus nos declara: “Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele; tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes” (1Tm 6:7, 8). Vivendo esta certeza, valorizaremos o que temos desvalorizado, e desvalorizaremos o que tanto temos valorizado. Sejamos fiéis no pouco e no muito, e vivamos a essência da mordomia. E o melhor: Ouçamos do nosso Mestre as palavras que todos mais desejam ouvir:“Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu Senhor” (Mt 25:21). 

 

A parábola dos Talentos nos adverte que nosso lugar e nosso serviço (ministério) no céu dependerão da fidelidade da nossa vida e serviço aqui, pois conforme Mateus 25.29 – “Porque a qualquer que tiver será dado, e terá em abundância; mas ao que não tiver, até o que tem ser-lhe-á tirado.” O talento na referida parábola representa nossas aptidões, tempo, recursos e oportunidades para servir ao Senhor, enquanto estamos aqui na terra. Estas coisas Deus considera como um legado seu, que Ele nos confiou para administrarmos da maneira mais sábia possível.

 

O homem é mordomo de Deus. Deus constituiu o homem como seu mordomo, seu despenseiro, depois de criar tudo: “E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que rasteja pela terra” (Gn 1.28). “Disse o Senhor: Qual é, pois, o mordomo fiel e prudente, a quem pôs sobre os seus servos, para lhes dar a tempo a ração? Bem-aventurado aquele servo a quem o seu senhor, quando vier, achar fazendo assim” (Lc 12.42,43)


Deus exige uma prestação de contas de cada mordomo. Este é o ensino de Jesus: “Muito tempo depois veio o senhor daqueles servos e ajustou contas com eles” (Mt 25.19). Jesus está dizendo que haverá um tempo de acerto de contas. Feliz será o mordomo que for achado fiel. Amém!

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