UMA QUESTÃO DE AUTENTICIDADE - Mt 7: 15-20

Seguir a Jesus é escolher o caminho estreito. No sermão do Monte, vamos refletir a respeito da advertência que Jesus nos fez, quando solenemente declarou: “Acautelai-vos dos falsos profetas que vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores.”

 

    Na verdade, não era novidade no tempo de Jesus e continua sendo matéria sobejamente conhecida por nós, o fato de que o povo de Deus, se quiser mesmo trilhar pelo caminho estreito, precisa estar atento à possibilidade de que, fingindo estar seguindo o mesmo caminho, podem estar pessoas que não são controladas pelo Espírito Santo de Deus, embora se utilizem de linguagem familiar às verdadeiras ovelhas do supremo Pastor. Por isso, concordamos com Tasker quando registrou que: “o que torna o caminho difícil de achar é a existência de numerosos mestres falsos que têm as suas próprias fórmulas para o bem-estar do homem, e que bradam em alta voz a partir da utilização dos vários meios de comunicação”. 

 

    Dizemos que não era novidade porque ainda sob o jugo da velha aliança, o povo de Israel estava constantemente sujeito às influências dos falsos profetas, consoante lemos em Deuteronômio 13:1 a 5 e Ezequiel 8: 1-15, como exemplos. O assunto é muito sério, amigo leitor.

 

    Jesus, em um gesto de profundo amor pastoral, adverte os seus discípulos de que a característica mais perigosa de todos esses mestres falsos, tanto aqueles denominados falsos profetas quanto daqueles ainda vivendo nos dias de Jesus, é que o ensino que eles apresentavam tinham e, dizemos nós, ainda têm, a aparência de ser ensino de verdade, ensino proveniente do Pai Celestial. Assim, pode ser que durante um bom tempo as ovelhas de Jesus sejam iludidas, sem conseguirem discernir os elementos perniciosos dos discursos que lhes são repetidamente apresentados.

 

    Nosso Salvador Jesus fez questão de mostrar que tais falsos profetas tinham a aparência de ovelhas, mas eram verdadeiramente lobos devoradores. Curioso é que, ao apresentarem-se como verdadeiros cristãos, eles até que acabam, em alguns casos, acreditando que o são verdadeiramente. De tanto tentar imitar ovelhas, acabam perdendo a noção da verdade e confundem-se a eles próprios além de envolver outros. Disfarçados de linguagem de bondade, amor, compreensão, entre outros, convencem-se a si mesmos de que andam no caminho certo, perdendo de vista a única verdade, qual seja, a de que Jesus Cristo e só ele é o caminho, a verdade e a vida. 

 

    Assim, colocam boas obras em plano superior à fé em Jesus Cristo, praticam até mesmo milagres, mas não obedecem ao Senhor Jesus que foi bem claro com relação ao caminho da salvação que ele veio nos trazer em um momento de boas novas, qual seja: pois pela graça sois salvos mediante a fé e isso não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras para que ninguém se glorie.

 

    Reconhecê-los nem sempre é fácil, adverte Jesus. Por isso, mostra aos discípulos que a característica mais perigosa de todos esses mestres falsos é que o ensino deles muitas vezes parece, à primeira vista, ter semelhança com a verdade. Pode até transcorrer algum tempo antes que os elementos perniciosos sejam percebidos, mas um dia será conhecido das ovelhas o fato de que aqueles profetas aparentemente inofensivos são de fato lobos que, em sua avidez por lucro pessoal, estão interessados, como acrescenta Tasker, em vender as suas falsas filosofias a um público que de nada suspeita.

 

    O apóstolo Paulo também se posicionou a respeito, quando disse que, após a sua partida de Éfeso, “lobos vorazes” desta espécie invadiriam o rebanho dos cristãos, conforme registro de Lucas em Atos 20:29-31, que diz: eu sei que depois da minha partida, entre vós penetrarão lobos vorazes que não pouparão o rebanho, e que dentre vós mesmos se levantarão homens falando cousas pervertidas para arrastar os discípulos atrás deles. Portanto, vigiai.

 

    No entanto, apesar da dificuldade de se identificar esses elementos perniciosos, haveria uma forma de fazê-lo e Jesus se prontificou a ensinar tal fato aos novos discípulos que o estavam escutando ali no Monte.

 

    Ao perguntar: os homens não colhem uvas dos espinheiros, colhem? Jesus estava apontando para a relação que certamente havia entre a qualidade da árvore e a qualidade do seu fruto. O evangelista Lucas, no capítulo 6, versículos 43 e 44, também consignou tal ensinamento, quando registrou: qualquer árvore saudável dará bom fruto, enquanto qualquer árvore murcha dará fruto que nada vale.


    O que Jesus queria destacar é que estando a crença de alguém relacionada à prática, assim também as filosofias falsas e as doutrinas inquinadas de erro (por mais atraentes que se apresentem), no decorrer do tempo produzirão perversidade, mesmo que a partir de princípios aparentemente morais. Portanto, o fruto deve ser observado com critério. Interessante saber que fruto é tema muito importante em o Novo Testamento. Em seu sentido primário ocorre 66 vezes, mas nunca equiparado com obras exteriores. 

 

Mateus, principalmente, contrasta os bons frutos com os frutos maus ou com frutos podres. A lição visa a demonstrar que o fruto que não está à altura das expectativas é inútil e a árvore que o deu é definida como sendo inaproveitável.   Os falsos profetas produzem frutos de qualidade errada, frutos que não alimentam e nutrem adequadamente o povo redimido pelo sangue de Jesus. Sua retórica é, portanto, inútil e perniciosa para os crentes em Cristo e para o desenvolvimento do reino. 

 

    O segredo, então, está no imperativo: vigiai. A Bíblia contém todos os ensinamentos de que necessitamos para discernir a respeito da verdade. Ela precisa, então, ser estudada, cotejada, observada em todo o seu contexto, para que possamos estar em condições de discernir a verdade existente por detrás das palavras que nos estão sendo ensinadas.

 

    Portanto,  causa-nos espécie a tendência observada em nosso meio de minimizar a importância do ensino bíblico, colocando-o em patamar de menor importância, aceitando até que a antes prioritária Escola Bíblica Dominical seja substituída por atividades outras, sob pretexto de que os tempos e as necessidades das pessoas também . Se desejamos estar firmes e vigilantes, necessário é que os crentes sejam fortalecidos a partir do estudo bíblico sistemático e bem fundamentado. Que não caiamos no erro de nos esquecer dessa realidade. 
 

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