RESPOSTAS BÍBLICAS À RELIGIOSIDADE BRASILEIRA

Diante do quadro que aí está, há uma busca por respostas à religiosidade brasileira. Mas por que é mesmo que se faz necessária uma resposta? Não é óbvio. Pode-se ter a falsa impressão, por exemplo, de que os evangélicos são superiores, e se acham na condição de dar respostas à religiosidade alheia. Cabe, portanto, uma explicação sobre dois pressupostos básicos que estão por trás da discussão sobre a religiosidade brasileira.
 
O primeiro pressuposto do qual partimos é de que uma pergunta precisa de resposta. Ou seja, há algo de insuficiente ou incompleto na religiosidade que precisa ser, por isso, respondido. De fato, o mundo está à procura de uma resposta.
 
As manifestações religiosas multiplicam-se porque o ser humano está engajado na busca por transcendência. Mas o homem não consegue encontrar resposta sozinho. As Escrituras deixam claro “que não existe possibilidade alguma de salvação própria”. Por mais que as pessoas dediquem-se a rituais, obedeçam a regras rígidas ou elaborem sofisticados sistemas de crença, não conseguem preencher o vazio do tamanho de Deus que têm dentro de si.. Elas precisam, sim, de uma resposta.
 
O segundo pressuposto é que nós, evangélicos, temos alguma resposta relevante a dar. Na verdade, reivindicamos mais do que isso, pois acreditamos ter a única resposta possível. O evangelho de Cristo não é só um entre muitos itens à venda no mercado religioso.  Cristo não pé uma dentre várias possibilidades; não é um dentre muitos caminhos, não é um dentre muitos mestres. Em Atos 4.12, Pedro afirma enfaticamente que “abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos”. 
 
A única superioridade que reivindicamos, assim, é a superioridade de Cristo. Ele é superior “a todos os líderes  religiosos, justamente porque somente ele e humilhou em amor a ponto de morrer na cruz”. Essa superioridade de Cristo é retratada na belíssima poesia registrada pelo apóstolo Paulo em sua carta aos Filipenses:
 
“Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhança aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até a morte, e morte de cruz.. Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome; para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai”.
 
Nós temos, portanto, a única resposta. A resposta é Jesus Cristo. Mas a unicidade de Cristo não nos dá o direito de tratar insensivelmente homens e mulheres que crêem em algo diferente.
 
Assim como a superioridade de Cristo é derivada de sua suprema humilhação na cruz, nossa atitude com relação a outras manifestações religiosas não deve ser de superioridade, mas sim de serviço humilde, de apontar para Jesus, de compartilhar as boas novas de que Ele morreu na cruz por nós. Nosso discurso deve ser “eu me identifico com você, também estive buscando a Deus com minhas próprias forças, mas Ele mesmo estendeu a mão e me levou para perto dele através de Seu Filho Jesus Cristo”.
 
A palavra religião vem do latim religare, que significa literalmente religação. Como no episódio da torre de Babel, quando os homens tentaram construir uma torre que chegasse até os céus, a religiosidade representa o esforço do ser humano para chegar até Deus por conta própria. Mas assim como aconteceu com a torre de Babel, Deus rejeita ainda hoje qualquer tentativa humana de chegar até Ele com as próprias forças.
 
Deus não quer que confiemos em nós mesmos, na nossa piedade e no nosso bom caráter. Ele quer que desçamos da torre que estamos tentando construir e, na dependência dele, sigamos pelo caminho perfeito que Ele mesmo providenciou.
 
Em Atos 17 Lucas registra a passagem de Paulo por Atenas. Ao chegar à metrópole intelectual e cultural da época, “O que ele viu primeiro não foi a beleza nem o brilhantismo da cidade, mas sua idolatria”. A Bíblia diz que ele indignou-se profundamente com a quantidade de ídolos em Atenas, a ponto de que “o seu espírito se comovia em si mesmo, vendo a cidade tão entregue a idolatria”. (v.16).   Mas a reação de Paulo não foi apenas negativa. Ele não se limitou a jogar as mãos para cima em desespero, ou a chorar impotente, ou a praguejar, amaldiçoando aos atenienses. Em vez disso, como pode ser visto em seu discurso no Areópogo, ele busca pontos de contatos com os atenienses, a fim de comunicar de forma mais efetiva as boas novas de Jesus.
 
Gentilmente, Paulo começa seu discurso elogiando a religiosidade dos atenienses: “Homens atenienses, em tudo vos vejo um tanto supersticiosos; porque passando eu e vendo os vossos santuários, achei também um altar em que estava escrito: ao Deus Desconhecido. Esse, pois, que vós honrais, não o conhecendo, é o que eu vos anuncio”. (Atos 22-23).
Paulo encontra, na religiosidade ateniense, um elemento da revelação geral de Deus e usa esse elemento como gancho para a proclamação da mensagem verdadeira de Jesus Cristo. Além disso, ao apresentar ao atenienses o verdadeiro e único Deus, criador de todas a coisas, Paulo usa citações de dois gregos pagãos! No verso 28, o trecho “porque nele vivemos, e nos movemos e existimos” é uma citação de um poeta do século VI a.C,Epimênides de Cnossos em Creta. No final verso, ao usar a expressão “Pois somos também sua geração”. Paulo cita Arato, autor estóico do terceiro século a.C.
 
A atuação de Paulo em Atenas mostra que, ao nos depararmos com outras manifestações religiosas, por mais equivocadas e idólatras que possam ser, não devemos simplesmente descartá-la como algo sem importância. Se Deus pode falar através de elementos presentes em outras religiões, devemos estar atentos para descobrir quais são eles e usá-los como gancho par a evangelização. Como Paulo, devemos estar prontos para apresentar a mensagem de Cristo de forma contextualizada, a partir de elementos conhecidos por nossas audiências.
 
Tradicionalmente, os evangélicos formaram sua identidade no Brasil em oposição aos católicos. Não há problema em nos indignarmos com o que vemos de errado na igreja católica. Mas não podemos tratar os católicos como inimigos. Ao contrário, deveríamos nos aproximar deles com interesse genuíno, em amor, e buscar conhecê-los melhor.
 
Estou certo de que encontraríamos, na fé deles, manifestações da revelação geral de Deus, as quais não só serviriam de gancho para falarmos da mensagem de Jesus Cristo, mas também poderiam nos ensinar muita coisa. Isso vale para todas as manifestações da religiosidade brasileira. Ou será que não temos muito o que aprender com a ênfase dos espíritas na realização de boas obras? Ou com o cuidado de mordomo com que o místico da nova era preserva a natureza?
 
John Stott afirma que “somos chamados a ouvir em dobro, ou seja, ouvir tanto a Palavra quanto o mundo”. Ouvir o mundo “com atenção crítica, igualmente ansiosos por conhecê-lo, e decididos, não necessariamente a crer nele e a obedecer-lhe, mas a simpatizar com ele e a buscar graça para descobrir que relação existe entre ele e o evangelho”.
 
Só poderemos fazer qualquer diferença no mundo, ou dar qualquer resposta relevante, se estivermos em contato com a realidade, e não fechados nas quatro paredes de nossos templos. Precisamos manter amizades com não-cristãos, não como mais uma estratégia de evangelização, mas com interesse genuíno, demonstrando o amor que Jesus tem por todos nós.
 
Após ter um sonho em que Deus, por três vezes, ordenara que ele comesse comida considerada impura, o apóstolo Pedro, na casa do centurião Cornélio, dá testemunho da lição que aprendeu sobre a necessidade de se envolver com pessoas de qualquer religião. “Vós bem sabei que não é lícito a um homem judeu ajuntar-se ou chegar-se a estrangeiros; mas Deus mostrou-me que a nenhum homem chame comum ou imundo. Por isso, sendo chamado, vim sem contradizer. Pergunto, pois, por que razão mandastes chamar-me?” (Atos 10.28-29).
 
O terceiro e último elemento que também está presente na religiosidade humana é o engano de Satanás. A religiosidade brasileira não é exceção. É possível encontrar inúmeras manifestações pelas quais o diabo busca escravizar os seres humanos e impedi-los de chegar até Deus. Mas não devemos nos intimidar.
 
Um relatório sobre novos movimentos religiosos, preparados após o Congresso de Lausanne, lembra-nos de que, mesmo na igreja primitiva, o movimento gnóstico retirava seguidores de congregações fundadas e supervisionadas pelos apóstolos Paulo e João. O relatório ressalta que, desde o começo, a igreja tem estado envolvida em batalha espiritual. Ela foi ameaçada por divisões, heresias e falsos profetas, mas nada disso a fez desanimar.
 
Finalmente, afirmamos que a Bíblia nos dá a segurança de que se estivermos fortalecidos no Senhor, revestidos da armadura de Deus, estaremos pronto para resistir ao diabo, e ele fugirá de nós.
 
Que o Senhor Deus nos abençoe, ricamente!   

 

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