PRINCÍPIOS DE FIDELIDADE - Mt 5: 17-37

Dando prosseguimento aos estudos baseados no Sermão que é conhecido  como o Sermão da Montanha, meditaremos sobre os princípios que Jesus identificou como balizadores da conduta do crente.  Seria como se Jesus estivesse respondendo à pergunta básica: como agir em determinadas situações da vida?

 

    Até o advento do Messias, o povo judeu contava com a Lei mosaica para ditar-lhe as ações. Jesus comparece, no entanto, diante daqueles judeus com um diferencial: ele acrescenta-lhe mais significado, pois aponta para a necessidade de se verificar e cumprir a intenção da lei.  Para deixar isso bem claro aos que o ouviam, o nosso Mestre se posicionou, dizendo: não penseis que vim revogar a lei ou os profetas; não vim para revogar, vim para cumprir. Porque em verdade vos digo: até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til jamais passará da lei, até que tudo se cumpra. Mt 5: 17 e 18.

 

    O i (iod) representava a menor letra do alfabeto hebraico, e é parecida com o nosso apóstrofo. O til, por sua vez, era um pequenino traço que se colocava em certas letras hebraicas, para distingui-las de outras. Com essa afirmação, Jesus desejava comunicar que cada letra de cada palavra do Velho Testamento era vital e seria cumprida. A Lei, era o termo comum entre os judeus para a primeira das três divisões da Escritura, isto é, os cinco livros do Pentateuco. Os profetas, segunda das divisões hebraicas, consistia nos livros de Josué a II Reis e de Isaías a Malaquias. No entanto, quando Jesus emprega as palavras lei e profetas é bem provável que estivesse se referindo a todo o Velho Testamento. 

 

    Ele, Jesus, podia falar assim, pois cumpriu completamente a lei em sua vida, observando-lhe os preceitos e pregando a ética do amor, indo até à morte, pagando o preço total da Lei, como substituto dos pecadores. Ao valorizar a Lei ele nos deixava um indicativo de como a Bíblia efetivamente é inspirada por Deus, apontando, para todos em todo o tempo, que o Novo Testamento é baseado literalmente, no Velho Testamento.

 

    Jesus queria mostrar aos novos crentes que o cumprimento da Lei é mais profundo do que uma conformidade exterior e, para isso, usou algumas ilustrações, todas elas iniciadas com a expressão de autoridade: “eu porém vos digo”, o que passaremos a considerar. Com essa afirmação, Jesus estava mostrando que não viera para destruir a Lei e toda a economia antiga e nem para consagrá-la como intangível, mas para dar-lhe, pelo seu ensinamento e pelo seu comportamento, uma forma nova e definitiva na qual se realiza, afinal plenamente, aquilo a que a Lei se propunha, ou seja, a justiça. 

 

    A primeira dessas ilustrações refere-se ao mandamento mosaico: Não matarás, e quem matar estará sujeito a julgamento. Jesus, localiza a raiz do homicídio no coração do homem irado e promete que, no Seu Reino, o julgamento imediato seria feito antes que o homicídio fosse cometido. Sim, o ato de homicídio propriamente dito tem suas raízes na ira, hostilidade ou desprezo por outrem. 

 

Embora (espera-se) nenhuma coorte procure condenar uma pessoa com base em sentimentos ou atitudes, Jesus destacou que sentimentos de ira e de desprezo são tão perigosos quanto os crimes propriamente ditos, pelos quais uma pessoa é levada aos tribunais ou considerada merecedora do inferno. O assassino, diz o Mestre, tem seu nascedouro na ira fomentada por um descontrolado espírito de vingança, sendo tal ira, por si só, uma quebra do sexto mandamento.

 

    O exemplo seguinte enfoca o assunto do adultério. Jesus indica que o pecado descrito em Êxodo 20:14 tinha raízes mais profundas que o ato declarado. Confira: “ouvistes que foi dito: não cometerás adultério. Eu, porém, vos digo: todo aquele que olha para uma mulher com desejo libidinoso já cometeu adultério com ela em seu coração.”

 

A partir daí, Jesus aborda o fato de que desculpa alguma seria aceitável para o adultério. Lembra até que se a mão, simbolizando a ação, fosse culpada, seria melhor cortá-la; se a culpa recaísse para o olho, simbolizando o desejo, o instrumento pelo qual a tentação vem, este deveria ser arrancado. Vale, aqui, o lembrete de que o Novo Testamento não iguala tentação e pecado. Jesus foi tentado, mas não pecou. O ensinamento é que o pecado tem início no consentimento, não na tentação em si.

 

    A ilustração seguinte toca no problema controvertido do divórcio. O que Jesus disse pode ser compreendido sob o pano de fundo de um mundo centralizado no homem, em que um homem podia alegar que, dando à esposa rejeitada uma carta de divórcio, ele estaria protegendo os seus direitos. Jesus demoliu essas alegações mostrando que os direitos de uma mulher inocente são protegidos tão-somente se ela for respeitada como esposa. Um certificado de divórcio, mostrava Jesus, não a isenta de dano.

 

    Continuando, era o momento de Jesus mostrar, aos que o ouviam, a necessidade do cuidado com as palavras, ou melhor, com a verdade que deve estar embutida em tudo o que o cristão diz. Era comum, entre os judeus daquela época, o juramento. O abuso que esses judeus faziam dos juramentos, levou Jesus a dizer, de modo nenhum jureis. Estaria ele, então, sendo contrário à lei? Evidentemente que não. Jesus estava mostrando que o crente não deveria jurar para autenticar as suas declarações, mas expressar-se com veracidade: se é sim, dizei sim; se é não, dizei não; com sinceridade: que o vosso sim ou não corresponda ao sim ou não do coração.

 

    Sabemos que os escribas haviam descoberto muitas maneiras de torcer um juramento, ao mesmo tempo em que fingiam observá-lo. Faziam um julgamento compulsório ou não dependendo do seu fraseado. Por exemplo, jurar pelo ouro do altar era considerado compulsório, mas não o jurar pelo próprio altar. A ideia deles era que um julgamento seria obrigatório, se Deus estivesse envolvido. Esse fraseado, envolvendo Deus, ignorava que todo o mundo pertence a Deus, que Ele sempre estaria envolvido. Foi contra essa desonestidade de interpretação que Jesus protestou.

 

    Em breve, com a ajuda de Deus, voltaremos aos exemplos que Jesus nos deixou, de como o cumprimento da Lei é mais profundo do que os judeus e novos cristãos pensavam. 
 

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