O DESAFIO DE AMAR OS INIMIGOS - Mt 5:43-48

    Jesus prossegue o seu discurso de orientação aos novos crentes a respeito dos valores que deveriam ser observados e assimilados por aqueles que desejassem fazer parte do Reino de Deus que ele acabara de inaugurar. 

 

    Nosso estudo  aponta para uma situação que tem se mostrado cada vez mais atual, ou seja, a resistência diante da violência. Temos sido atacados de todas as formas, vivemos nos protegendo da maldade e procurando incansavelmente segurança. Jesus dá-nos, então, no texto que estudamos, a saber: Mateus 5: versículos 43 a 48, três exemplos da não resistência aos perversos, e certamente já temos sido defrontados com situações semelhantes às que Jesus descreveu, embora o contexto histórico seja bem diferente do que hoje vivenciamos.

 

    Jesus inicia este conceito, afirmando: ouvistes o que foi dito: olho por olho, dente por dente. Tratava-se aqui da lei da retaliação, ou “lex talionis”, que afirmava que o mal recebido deveria ser pago com igual atitude. Era o meio mosaico de terminar com disputas e rixas, conforme comentada em Levítico 24: 20, que diz: “fratura por fratura; olho por olho; dente por dente: como ele tiver desfigurado a algum homem, assim lhe fará.”  Ela havia sido introduzida para restringir um mal maior. Pretendia, assim, inibir a retaliação ilimitada, da mesma forma como o divórcio fora instituído para dar alguma medida de proteção para as esposas que de outra forma estariam indefesas.

 

    Lemos as palavras de Jesus e vemos e identificamos o seu exemplo e autoridade. A lei mosaica de retaliação ilustra a justiça e juízo inequívoco de Deus. O Senhor manda que uma injúria não seja repelida. E ele mesmo, lá no Calvário, satisfez todo e qualquer requerimento da lei, cumpriu toda a justiça, endireitou todo o mal e, na sua própria pessoa, sofreu toda vingança e retribuição. Sua orientação ética de resistência é ligada indissoluvelmente a sua morte expiatória. Se ele não tivesse satisfeito de uma vez para sempre a justiça divina, não teria sua base moral. Sim, meu leitor, Jesus podia aconselhar, mostrar o que deveríamos fazer, e ele próprio nos deu o exemplo. Manter a ética de justiça e retidão --  em distinção ao amor e não resistência – é negar a obra consumada por Cristo. 

 

    As orientações que Jesus nos deixou não são, no entanto, fáceis de serem cumpridas. Elas nos desafiam a uma reformulação constante do nosso modo de enxergar e de reagir às provocações diárias. O normal, o habitual, o socialmente aceito é que reajamos com vingança às provocações que sofremos ao longo da vida. Uma mulher é abandonada pelo marido? É natural que se espere que ela procure o mal do ex-cônjuge. O marido é deixado pela mulher? Procura imediatamente fazer algo que caracterize e registre toda a sua indignação. O irmão se desentendeu com o outro? Justiça seja feita, passemos à vingança. Alguém sofreu agressão física? Espera-se e aceita-se a retribuição nas mesmas bases. E o aceitável, o que a sociedade entende ser natural e adequado. Mas não era assim que Jesus pensava e efetivamente não foi desta forma que ele agiu. 

 

    O que Jesus estava ensinando era que era proibido resistir ao homem mau por meio de vingança, pagando o mal com o mal, segundo a regra judaica do talião. Jesus repudiou a ideia de vingança. Ele dizia que ninguém deveria resistir ao mal com o mal, mas vencer o mal com o bem. Para isso, usou o exemplo de se voltar a outra face, quando agredido em uma das faces. É notório que poucos crentes sofrem, em nossos dias, um golpe físico na face, mas o princípio de dar a outra face pode ser aplicado diariamente em termos de auto-exposição aos insultos, mal entendidos, ressentimentos e outras ofensas, quando uma pessoa tenta se relacionar pacifica ou construtivamente com os outros. E aqui está o grande desafio para este tempo.

 

    O pastor doutor Israel Belo de Azevedo, com o objetivo de melhor nos mostrar o alcance das palavras de Jesus, apresenta a seguinte paráfrase ao texto bíblico que hoje estudamos: “A regra geral determina a punição da maldade, mas eu quero sugerir outra regra para os que me seguem: se uma pessoa lhe der um soco na cara, não reaja; se uma pessoa quiser lhe tomar alguma coisa, não crie caso; se uma pessoa lhe pedir para carregar um pacote pesado, não se negue.”

 

    Era essa a ideia, portanto, que Jesus queria nos deixar: como os cidadãos do Reino deveriam receber e tratar a injúria pessoal. Alguém desejava tirar-lhe a túnica, parte importante do vestuário? Ofereça também a capa, parte mais importante ainda do vestuário.

 

    A história nos conta que os soldados oficiais romanos estavam amparados por lei quando forçavam os nativos a carregar os seus suprimentos ou bagagens por uma milha. Lembramos, com emoção, a título de exemplo, o que fizeram com Simão, o cirineu, que foi obrigado a carregar a cruz de Jesus, quando no caminho para a crucificação em o nosso lugar. Interessante que a palavra usada por Mateus e que foi traduzida para o português como obrigar, é palavra de origem persa, descrevendo o costume dos correios que tinham autoridade para obrigar pessoas a prestarem serviços sempre que fosse necessário. Esse alto padrão de conduta apregoado por Jesus deveria obrigar todos os crentes a se esforçarem até onde fosse possível em viver de acordo com a sua vocação e a ansiarem pelo dia quando o governo justo de Cristo tornará esse ideal inteiramente aplicável a todos os setores da vida.

 

    Peçamos a Deus que nos capacite a viver plenamente de acordo com esses ensinamentos de Jesus.
 

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