A BÊNÇÃO DO CULTO DOMÉSTICO

Deus deu-me a graça de refletir sobre o lar cristão e aqui estou novamente, trazendo à luz uma lembrança maravilhosa: o culto doméstico!

O que seria isso? Trazer o povo da igreja onde nos reunimos para celebrar um culto a Deus? Isto é muito bom, mas não é possível fazê-lo sempre. Seria um culto com as formalidades que o ato público exige? Não, porque estaremos em poucos participantes e será um ato privativo da família. Poderíamos chamá-lo de encontro da família com Deus.

A minha primeira experiência marcante foi no dia em que entrevistei o Pr. Timofei Diacov. Seu filho Jair chegara do exército, ao qual servia, e sua esposa Elzira estava a preparar o jantar. O pastor me atendia, respondendo às perguntas que eu fazia. De repente todos se sentaram e, sem que eu pedisse, declamaram o Salmo 23. Aquilo me cativou. Eu jamais presenciara uma família unida a declamar as Escrituras Sagradas. Aquilo era fruto de uma devoção familiar muito enraizada. Posteriormente eu soube que o Pr. Timofei celebrava sempre o culto doméstico em seu lar.

Também presenciei este culto na casa do Pr. Marcos Amazonas dos Santos, em Coimbra, Portugal. Uma vez por semana ele chamava a família, sentavam-se todos à sala, cantavam, oravam e “lavavam as roupas sujas”, isto é, resolviam pendências acumuladas nos últimos dias. Por fim tomavam um gostoso café e recolhiam-se para o descanso noturno. Eu pensei: "um dia, se o Senhor me der uma família, quero também celebrar o culto doméstico".

E, de fato, Deus me concedeu o casamento em 2011, quando tinha 45 anos. Elaine e eu celebramos juntos muitos cultos a dois, lendo as Escrituras Sagradas, cantando ao Senhor e orando intensamente pela nossa família, igreja, país, obras missionárias etc. Éramos dois, hoje somos 4, nós e nossas duas crianças. Como ainda são bebês pouco entendem. Mas quando chega o horário elas mesmos pedem para participarem. Gostam de pular, cantar corinhos e declamar versículos bíblicos. Na hora da oração ainda têm vergonha, mas a minha filhinha ora baixinho, lembrando da nossa família nome por nome. Que coisa linda!

Culto doméstico é Deus em casa. É a sagrada oportunidade que o marido tem de exercer o simbólico sacerdócio familiar, levando os seus aos pés de Cristo. Se a mulher cria os filhos sem um marido ou com um homem não cristão, então cabe a ela celebrá-lo. São momentos preciosos onde será lida a Palavra de Deus, onde serão contadas histórias bíblicas para as crianças, onde se orará intensamente por problemas particulares e gerais, onde se louvará ao Senhor e se intercederá pelo futuro. Aqui em casa celebramos todas as semanas e, algumas vezes, mais de duas vezes. Isto cria uma atmosfera maravilhosa em casa. Nossos filhos dormem pensando nas coisas do Senhor. E nós nos sentimos felizes, obedecendo aos mandamentos bíblicos sobre o assunto: O que ouvimos e aprendemos, o que nos contaram nossos pais, não os encobriremos aos nossos filhos; mostraremos à vindoura geração os louvores do Senhor, o seu poder e as maravilhas que fez. (Sl 78:4). Oh, como é maravilhoso gerar no coração dos pequeninos a presença do Pai!

O culto doméstico também serve para afastar de nós quaisquer discussões, mágoas, ressentimentos ou barreiras que se interpõem no decorrer do relacionamento. Minha esposa e eu nos comprometemos a jamais irmos dormir tristes ou magoados um com o outro. Ainda que não tivéssemos vontade nós abriríamos o coração e contaríamos o que nos machucara e daríamos ou receberíamos o perdão. Nós nos comprometemos a fazê-lo mesmo que não sentíssemos vontade. Perdão não é algo que devamos sentir, mas uma decisão que devemos tomar. Perdoar é crer racionalmente que aquilo está resolvido, reparado, perdoado, apagado. Toda vez que nos lembrarmos de algo ruim que nos foi feito, também nos lembraremos que já perdoamos o ofensor. E isto constrói um relacionamento fundamentado na Palavra de Deus. Suportando-vos uns aos outros, e perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outro; assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também. (Cl 3:13).

Nem sempre as famílias conseguem se reunir todos os dias. Nem sempre os membros da casa conseguem estar presentes no mesmo momento, seja pela manhã ou à noite. Cada lar deve formar a sua rotina. Uns podem fazê-lo diariamente; outros semanalmente. O importante é fazer, é encontrar uma alternativa. Não precisa ser um longo encontro. Por pequeno que seja já será um grande passo. Escolhe-se um texto bíblico, escolhe-se um hino, canta-se, ora-se e encerra-se. Este é o esqueleto. O enchimento, isto é, os itens a serem acrescidos, serão feitos pela família individualmente. Lares com culto doméstico têm índice menor de abandono da fé ou de problemas conjugais. Lares com culto doméstico convidam Cristo para ser Rei da Família. Que seja assim no lar de cada um de nós. Que Deus nos abençoe. Amém.

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