A DISCIPLINA DOS FILHOS

Quero falar sobre algo que anda esquecido na maioria dos lares: a disciplina. 

 

Em função de muitas famílias serem desprovidas de bons fundamentos, muitos filhos vivem em pedaços de família: uma semana moram na casa da mãe, outra na casa do pai. Possuem um pai e uma mãe, uma madrasta e um padrasto. Como o convívio não é constante os filhos costumam ter a compensação com muitos presentes e com liberdade excessiva. Isto se torna algo nocivo e cria jovens doentes, desajustados e, não raras vezes, delinquentes. Mesmo na igreja vemos alguns pais que deixam os seus filhos correrem de um lado para o outro durante o culto, a gritarem pelos corredores, e, sem que o ministro tome qualquer atitude, as crianças não são repreendidas e nem retiradas para outro local mais adequado à faixa etária. Crianças aprendem palavrões, usam celulares com vídeos perniciosos, participam de redes sociais desprovidas de valores cristãos ou morais e o resultado é o que vemos todos os dias nas manchetes de jornais: jovens a se suicidarem, meninas que se tornam mães solteiras, gente tatuada até cobrir toda a face e a imoralidade a dominar a comunicação de massa. Hoje o que impera é a lei do "tudo pode". Até nas igrejas os ministros preferem abrir mão dos valores cristãos e da liturgia sacra para não perderem a juventude. Preferem suportar um baile durante o culto do que ter a mocidade na balada lá fora. 
 
A disciplina dos pais para com os filhos é bíblica. Assim diz a Palavra de Deus: O que não faz uso da vara odeia seu filho, mas o que o ama, desde cedo o castiga. (Pv 13:24). Vara aqui era o corretivo, castigo é consequência dos atos que não deveriam ser praticados e o foram. Mesmo que isto soe politicamente incorreto, a Bíblia é a nossa regra de fé e prática e ela nos recomenda usarmos de disciplina para com os nossos filhos. A estultícia está ligada ao coração da criança, mas a vara da correção a afugentará dela. (Pv 22:15). O próprio Senhor Jesus não abre mão da disciplina sobre nós, os Seus filhos: Eu repreendo e castigo a todos quantos amo; sê pois zeloso, e arrepende-te. (Ap 3:19)

 

Disciplinar é estabelecer regras. Além disto, é estabelecer penalidades para com a quebra das regras. As consequências jamais podem ser de violência, de surras e espancamentos. A dor de uma disciplina biblicamente utilizada é muito mais moral do que física. Um pequeno ato disciplinar sem violência, com a devida explicação do porquê isto acontece, cala mais alto no coração e na lembrança da criança do que uma surra com vara de marmelo. Lembro-me até hoje de uma bronca que minha mamãe deu-me. Ela não me bateu. Mas as suas palavras e a expressão de seu olhar triste ferem-me até hoje. Ela soube me educar. A minha filha de quase quatro anos é bastante traquinas e faz muitas artes. Porém ela sabe: há consequências. Às vezes chora, às vezes reclama, mas quase sempre ela diz: “mamãe, o papai é justo!” O que há de maior valor do que este na vida de um pai, o de ser reconhecido pela própria filha disciplinada que o que o pai faz é o correto? O resultado é o aumento do amor.
 
Já o meu pequenino garoto é um curioso. Ele vai fazer dois anos. Quando as suas investidas estão muito invasivas nós ralhamos com ele. Não é preciso mais nada. Ele abaixa a cabecinha, faz beicinho e chora. Mas, para surpresa nossa, ele tem uma reação diferente: ele corre para os braços de quem o bronqueou, seja da mãe, seja do pai, seja da Milú, minha irmã cuidadora. Ele não para de chorar enquanto não sente que fez as pazes, que o disciplinador já se deu por satisfeito. O meu filho me faz lembrar o poeta que disse, diante das tempestades da vida: “Briguei com Deus, mas acabei no colo dEle”. Sim. O meu Josué reclama, chora, mas acaba abraçado com o pai, sorrindo feliz por ter quem lhe ensine o caminho certo!

 

Filhos precisam de pais que delimitem os seus espaços. Por não encontrarem regras claras e pais comprometidos com elas, vão às ruas, nas gangues e junto aos traficantes, que estabelecem regras mortais e juris do crime. E por que vão para esses lugares? Porque o coração humano busca quem lhe estabeleça limites! Quando os pais falham a sociedade sofre. Quando os pais falham o homem ou a mulher estão fadados a uma vida miserável, de sofrimento alheio e auto-sofrimento também. Um pai que ama os filhos deve limitar o uso de aparelhos eletrônicos, estabelecer horários para saída e chegada de filhos, proibir a bebida alcoólica, não permitir o namoro inadequado e orientar sobre a necessidade de uma vida sexual apenas após o casamento. Devem também ajudá-los a organizarem a agenda, a estudarem, a trabalharem, a comprometerem-se com a igreja local, com a leitura da bíblia e com a oração. Devem também aprenderem a fazer o bem, a serem generosos e prestativos. Disciplina não é só corretiva; é preventiva também!

 

Nas páginas da Bíblia Sagrada encontramos todos os recursos para o exercício da sadia disciplina doméstica. Os pais que amam os filhos farão isso por amor, por compromisso e por missão, pois foram vidas que Deus lhes confiou e deverão prestar contas por elas. Prezado ouvinte, que tal submeter-se à sadia disciplina bíblica e tornar-se um conhecedor da vontade de Deus? Que ele lhe abençoe. Amém.
 

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