O VALOR DE UM LAR CRISTÃO: A NECESSIDADE DO PERDÃO

Temos caminhado por temas alusivos ao lar cristão. São raros os lares em que realmente podemos reconhecer a presença gloriosa de Deus. Infelizmente em muitos lares o cristianismo é falho, é apenas nominal. Às vezes as pessoas frequentam igrejas e conhecem a bíblia, mas não se submetem aos seus ensinamentos. Por outro lado, que prazer e que gosto nós temos, quando encontramos um lar onde Deus está presente e onde a Palavra de Deus não é mera teoria, mas uma prática diária!

 

Costumo dizer que é tão fácil falarmos do amor de Deus e do perdão dos pecados, mas é tão difícil perdoarmos os pecados alheios! Mais difícil ainda é perdoarmos o ofensor que mora conosco! Pedir perdão a quem ofendemos, então, é raridade!

 

Lembro-me de um lindo conjunto masculino. Eram várias vozes que cantavam louvores ao Senhor. Era encantador escutá-los. Um dia um irmão, membro da igreja onde vários deles congregavam, apontou-me para dois deles. “Vê aquele senhor? É o fulano de tal. E aquele jovem, na ponta? É o filho dele. Eles cantam juntos, são vizinhos, mas não se falam há sete anos. Não trocam uma única palavra, não se visitam e não se admitem. Como pode?” Isso eu também me perguntava: como é possível? O pai morreu sem falar com o filho. O filho não foi ao seu enterro...

 

Por outro lado visitei o lar de um casal maravilhoso, idosos e meigos. Enquanto aguardava para tomar café o senhor me disse: “Não existe esposa melhor do que a minha. E sabe por que? Porque ela foi capaz de me perdoar. Eu jamais poderei retribuir tanto amor!” E chorou. E contou-me sua história. No início da vida conjugal acabou por traí-la. Um dia a esposa descobriu e fez as malas, deixando-o. Arrependido e desesperado ele rendeu-se a Jesus, pedindo-lhe perdão pelos pecados. Algumas semanas mais tarde foi à casa dos pais dela e pediu-lhe uma audiência. Naquela sala ele, de joelhos e em lágrimas pediu perdão, apresentando-se como indigno do amor com o qual havia sido agraciado. Disse que compreenderia se ela não quisesse mais viver ao seu lado, mas implorava por uma chance. Ela, comovida, perdoou-o e voltou para casa. Foram quarenta anos de bênçãos divinais e nenhuma desconfiança. 

 

Outro rapaz também traiu a esposa, era cristão e, desesperado, procurou-me perguntou-me se era possível esquecer tudo e dedicar-se à vida fiel. Ele temia uma desgraça e o fim da família. Eu lhe disse que não, pois a Bíblia diz: O amor não se regozija com a injustiça, mas folga com a verdade; (1Co 13:6). Também diz: E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. (Jo 8:32). Somente a verdade tem a bênção de Deus. Afirmei-lhe que a esposa, ao saber de sua tragédia, poderia perdoá-lo e abandoná-lo, e ela estaria no direito, pois a Bíblia diz que a separação se justifica quando há traição. Mas se ela decidisse dar-lhe outra chance ele deveria não só ser grato, mas tudo fazer para ganhar a sua confiança. E isto fez. Já se vão mais de quinze anos e a família reconstruiu-se, graças a Deus. Não se pode pecar de forma escondida e deixar para lá. O crente anda na luz, não nas trevas. Tudo deve vir à tona, ser enfrentado, ser confessado, ser perdoado. As consequências devem ser enfrentadas e suportadas, mas a graça é capaz de superar todas elas.

 

O filho pródigo é um bom exemplo da capacidade divina do perdão. Ele resolveu abandonar a casa paterna, e ainda levou o seu patrimônio embora. O pai não se interpôs, mas deu-lhe total liberdade. Um dia este filho caiu em si, ao ver as duras consequências de suas más escolhas. Deliberou consigo voltar para casa e ensaiou uma volta humilhante, reconhecendo que o pai teria todo o direito de rejeitá-lo para sempre. Quis correr o risco e voltou para casa. O pai, ao vê-lo de longe, correu ao seu encontro. Ouviu metade da sua fala ensaiada e interrompeu-o, mandando-o banhar-se, vestir-se e tomar posse novamente do seu lugar na família. O pai reintegrou-o! O pai o acolhera novamente! Que coisa maravilhosa! Quantas moças são enganadas por homens inescrupulosos, caem na vida, destroem sua dignidade e são abandonadas como coisas velhas e descartáveis. Então decidem voltar para casa e pedirem perdão. Algumas encontram portas fechadas, um absoluto muro de separação. A situação delas torna-se calamitosa e muitas caem na vida. Outras, ao buscar o lar, encontram portas abertas para si e para os filhos conseguidos no pecado. Muitas se recuperam e tornam-se a bênção da família. Um lar onde há o perdão expressa a Deus na sua mais alta mensagem. Isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados; e pôs em nós a palavra da reconciliação. (2Co 5:19).Somos igualmente mensageiros da reconciliação.
 
O seu lar é um local onde a verdade prevalece e onde o erro é confessado, abandonado e reparado? Ou é um lugar onde a mágoa e o ressentimento imperam? Lembremo-nos que em Cristo fomos perdoados de nossos pecados e Deus não os lançará mais sobre o nosso rosto. Assim nós também, ao perdoarmos os nossos entes queridos, devemos dizer: “Eu te perdoo, e toda vez que me lembrar do que você fez, também me lembrarei que lhe perdoei”. Que assim seja! Amém!

 

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