CONSELHOS SÁBIOS: Conselhos sobre o Procedimento no Viver (Provérbios 16 a 22)

É com o coração tomado por júbilo e gratidão a Deus pelos preciosos ensinamentos de sua Palavra – ensinamentos de vida - que damos prosseguimento ao estudo do livro de Provérbios.

Nesta oportunidade, começamos por uma parte do livro que põe em destaque a soberania de Deus. Sendo Deus um ser consistente, com todos os seus atributos perfeitamente integrados, a sua soberania é exercida em conciliação com o amor, a bondade, a misericórdia, mas também a verdade, a justiça, a sabedoria e todos os demais elementos integrantes de sua natureza divina.

O livro de Provérbios ressalta esta verdade quando nos alerta a respeito dos projetos humanos, traçando paralelos entre a intenção do homem e a ação de Deus. Quanto a este aspecto, há um provérbio popular que traduz bem este conceito: “O homem propõe, e Deus dispõe”. 

 

No uso da liberdade concedida por Deus, “o coração do homem pode fazer planos, mas a resposta certa dos lábios vem do Senhor” (16:1). Por este texto, é possível identificar a intervenção da soberania do Senhor, aliada à graça e à sabedoria, com o propósito de abençoar o homem e dirigir a sua decisão. A expressão “a resposta certa dos lábios”, que é dada pelo Senhor, põe em realce o interesse de Deus em favorecer o homem, sempre sujeito a equívocos decorrentes das limitações de sua natureza humana. 

 

De igual modo, a ação soberana e protetora de Deus é revelada quando somos avisados de que “todos os caminhos do homem são puros aos seus olhos, mas o Senhor pesa o espírito” (16:2) e “sonda os corações” (21:2), verificando se as intenções humanas são boas ou más. As motivações internas que regem as ações praticadas são avaliadas pelo Senhor. Ele, então, estabelece os pensamentos dos que colocam o seu viver em Suas mãos seguras, numa entrega confiante: “Confia ao Senhor as tuas obras e os teus desígnios serão estabelecidos” (16:3).  

 

É necessário que seja assim porque “há caminho, que parece direito ao homem, mas afinal são caminhos de morte” (16:25). De igual modo, nem sempre os planos do homem são bons, nem os mais acertados, porém os que se voltam para o Senhor recebem dEle sábia direção, de forma que “o coração do homem traça o seu caminho, mas o Senhor lhe dirige os passos” (16:9). 

 

O interesse de Deus em fazer bem ao homem é visto no livro de Provérbios também de forma evangelística. Um de seus versículos tem sido referido como um famoso provérbio evangélico, por anunciar como o pecado é expiado e como os homens podem se desviar do mal: “Pela misericórdia e pela verdade se expia a culpa, e pelo temor do Senhor os homens evitam o mal” (16:6). O pecado só pode ser expiado pela misericórdia de Deus, associada com a verdade e a justiça. Esta obra redentora já foi realizada por Cristo, na cruz do Calvário, quando a graça, a verdade e a justiça de Deus se fundiram para trazer salvação e paz ao pecador, conforme escrito no Salmo 85:10: “Encontraram-se a graça e a verdade, a justiça e a paz se beijaram”. A reconciliação com Deus, por meio da cruz de Cristo, traz ao coração do homem o temor do Senhor, caracterizado por respeito e submissão à vontade de Deus. O temor do Senhor, então, levará o homem a querer desviar-se do mal e de tudo aquilo que Deus não aprova. 

 

Cooperando com este propósito, o livro de Provérbios chama a atenção para sentimentos e procedimentos abomináveis aos olhos do Senhor, tanto quanto para a forma de viver que corresponde à “boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Romanos 12:2). 

 

Neste sentido, há uma séria advertência relacionada às pessoas orgulhosas e soberbas: “Abominável é ao Senhor todo arrogante de coração; é evidente que não ficará impune” (16:5). A consequência é desastrosa: “A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito, a queda” (16:18), significando que quando a pessoa se deixa tomar pela arrogância, ela se encontra em vésperas de cair. Opostamente, “a humildade precede a honra” (15:33; 18:12). Assim, “melhor é ser humilde de espírito com os humildes, do que repartir o despojo com os soberbos” (16:19). O orgulho faz parte do grupo das sete coisas que Deus aborrece, sendo o primeiro da lista em Provérbios 6:17. 

 

Igualmente abomináveis são aqueles que, invertendo os devidos critérios, torcem o direito, incorrendo em injustiça: “O que justifica o perverso e o que condena o justo, abomináveis são para o Senhor tanto um como outro” (17:15). Por isso, “não é bom ser parcial com o perverso para torcer o direito contra os justos” (18:5) porque “o perverso de coração jamais achará o bem; e o que tem a língua falsa cairá no mal” (17:20). Mas, “o que segue a justiça e a bondade achará a vida, a justiça e a honra” (21:21). 

 

Uma vez esvaziado do temor do Senhor e estando corrompido o coração, a fragilidade ética e moral do indivíduo será a marca de sua conduta em todas as áreas da vida. O interesse pessoal comandará o seu comportamento, mesmo que isso implique em injustiça. O livro de Provérbios declara que “o solitário busca o seu próprio interesse, e insurge-se contra a verdadeira sabedoria” (18:1). O termo “solitário” aqui não se refere ao isolamento social, senão ao individualismo egoísta que desconsidera o direito alheio.

 

A ação destrutiva do coração perverso parece não ter limites. Onde ele se faz presente, percebe-se o seu procedimento demolidor. Até na área do relacionamento humano entre outras pessoas ele assim procede: “O homem perverso espalha contendas, e o difamador separa os maiores amigos” (16:28). Ele despreza o aviso de Provérbios 17:19: “O que ama a contenda ama o pecado”. Promover contendas é pecado, diz a Bíblia.

 

Inclinado à injustiça, o perverso se utiliza do suborno como instrumento para a obtenção ou concessão de favores: “Pedra mágica é o suborno aos olhos de quem o dá, e para onde quer que se volte terá seu proveito” (17:8). A expressão “pedra mágica” significa “pedra de favor” e a palavra suborno equivale a um presente; o presente que se dá com o intuito de perverter a justiça para obter um favor indevido, razão porque é praticado às escondidas: “O perverso aceita suborno secretamente, para perverter as veredas da justiça” (17:23). Portanto, perverso é tanto o que oferece como o que aceita o suborno. 

 

Como todo perverso, ele se torna abominável ao Senhor, que o distingue do homem reto e justo pelo tratamento que dispensa a um e a outro: “O caminho dos perversos é abominação ao Senhor, mas este ama o que segue a justiça” (15:9); “o sacrifício dos perversos é abominável ao Senhor, mas a oração dos retos é o seu contentamento” (15:8) porque “exercitar justiça e juízo é mais aceitável ao Senhor do que sacrifício” (21:3).

 

Isso explica porque o homem reto, em cujo coração há temor do Senhor e desejo em cumprir a Sua vontade, compreende e aceita com facilidade, e até alegria, que “melhor é o pouco havendo justiça, do que grandes rendimentos com injustiça” (16:9). O homem reto sabe que “balança enganosa é abominação ao Senhor, mas o peso justo é o seu prazer” (11:1); “peso e balança justos pertencem ao Senhor” (16:11).

 

O homem reto sabe também que “não há sabedoria, nem inteligência, nem mesmo conselho contra o Senhor” (21:30) que, santo e soberano como é, age com amor, bondade, misericórdia, verdade e justiça. Por isso, “o que atenta para o ensino, acha o bem, e o que confia no Senhor, esse é feliz” (16:20). Há um abrigo seguro para o homem reto porque “torre forte é o nome do Senhor, à qual o justo se acolhe e está seguro”.

 

Glória seja dada ao nome do Senhor! Amem.
 

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