CONSELHOS SÁBIOS: Preceitos para a Vida Prática (Provérbios 23 a 31)

 “Aplica o teu coração ao ensino, e os teus ouvidos às palavras do conhecimento” (Provérbios 23:12).

 

Mais do que um conselho, este provérbio contém um apelo para que se aplique o coração e os ouvidos às palavras do conhecimento. Que se preste completa atenção ao que o ensino diz, para abrigá-lo no íntimo do coração. 

 

Quando o assunto é a instrução que vem do Senhor, não basta a compreensão intelectual do ensino. É preciso mais que isso. Além da mente, é necessário que o coração esteja envolvido, melhor ainda, ocupado pelos ensinos que a Bíblia contém. 

 

Há razões para isso. A primeira delas é porque a base do relacionamento do homem com Deus só pode ser encontrada no coração: o amor. O amor de Deus pelo homem e do homem por Deus, a ponto de ser esse o primeiro de todos os mandamentos: “Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de toda a tua força”. E o texto prossegue dizendo: “Estas palavras que hoje te ordeno estarão no teu coração (Deuteronômio 6:5-6; Mateus 22:37-38). 

 

Se não estiverem no coração, o homem fica sujeito à hipocrisia, conforme Deus mesmo revelou por meio do profeta Isaías: “O Senhor disse: Este povo se aproxima de mim e com os lábios e com a boca me honra, mas o coração deles está longe de mim; o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, aprendidos de forma mecânica” (Isaías 29:13). Esta mesma denúncia fez o Senhor Jesus, citando Isaías: “Hipócritas! Bem profetizou Isaías a vosso respeito dizendo: “Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim; em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens” (Mateus 15:7-9).  

Para ser autêntico diante do Senhor, o procedimento do homem tem que vir do coração porque “como na água o rosto corresponde ao rosto, assim o coração do homem ao homem” (27:19). Então, o apelo: “Dá-me, filho meu, o teu coração, e os teus olhos se agradem dos meus caminhos” (23:26). 

 

Outras razões se associam à primeira. Ao fazer o apelo para que o homem aplique o coração ao conhecimento, o livro de Provérbios apresenta objetivos específicos: Dois deles estão sendo citados aqui:


1)    “Para que a tua confiança esteja no Senhor, quero dar-te hoje a instrução, a ti mesmo” (22:19). Quando guardados no fundo do coração, os ensinos divinos aprofundam a confiança no Senhor, o que representa grande bênção para quem a possui. A fé tem origem no ouvir a Palavra de Deus (Romanos 10:17).  

 

2)    “Para mostrar-te a certeza da verdade a fim de que possas responder claramente aos que te enviarem” (22:21). O conhecimento que vem de Deus produz convicção da verdade, capacitando-nos a transmiti-la a outros. 

 

Olhando para o Salmo 119:11, encontramos outro precioso objetivo: “Guardo no coração as tuas palavras, para não pecar contra ti”. As instruções da Palavra de Deus nos guiam e sustentam no bom propósito de não pecarmos contra o Senhor, se guardadas no coração. 

 

Duas coisas, então, são necessárias para que se obtenha a instrução do Senhor: a participação do coração e o empenho por conhecer os preceitos de Deus, registrados na Bíblia Sagrada.

O trecho do livro de Provérbios que estamos focalizando neste estudo nos oferece uma variedade de preceitos voltados para a vida diária dos que desejam andar com Deus. Certamente que o tempo limitado não nos permite examinar todos eles de uma só vez, porém alguns estão sendo observados nesta oportunidade.

 

Para aqueles que muitas vezes julgam haver mais facilidade, e até felicidade, pensam alguns, nos caminhos escusos trilhados por pecadores e pessoas desprovidas do temor do Senhor, a instrução que vem de Deus é a seguinte: “Não tenha o teu coração inveja dos pecadores; antes no temor do Senhor perseverarás todo dia. Porque deveras haverá bom futuro, e não será frustrada a tua esperança” (23:17-18). O justo sabe que a sua esperança nas promessas de Deus não é vã porque “fiel é o que prometeu” (Hebreus 10:23); ele guarda na mente e no coração o que o Salmo 37 diz a respeito do ímpio e do justo e se lembra que “o Senhor firma os passos do homem bom e no seu caminho se compraz”; que “vem do Senhor a salvação dos justos, ele é a sua fortaleza no dia da tribulação”; que “o Senhor os ajuda e os livra; livra-os dos ímpios e os salva, porque nele buscam refúgio” (v.23,39,40). Ao contrário disso, diz o livro de Provérbios que “o homem mau não terá bom futuro, e a lâmpada dos ímpios se apagará” (24:20).

 

Nos encontros e desencontros da vida diária, não são raras as vezes em que alguém descobre ter sido prejudicado pela maldade de outrem. É hora de cuidado e vigilância íntima! O momento é favorável, para não dizer convidativo, a que o sentimento de vingança venha bater à porta do coração que se sente ferido por deslealdades, traições, injúrias ou injustiças várias. 

 

A Palavra de Deus oferece ensinos quanto ao que não devemos fazer nessas situações. O livro de Provérbios instrui: “Não digas: como ele me fez a mim, assim lhe farei a ele” (24:29). Seria uma vingança ativa, que não nos compete exercer. Essa é da alçada exclusiva do Senhor, que diz: “A mim me pertence a vingança; eu retribuirei” (Deuteronômio 32:35), de modo que o apóstolo Paulo reitera essa instrução aos crentes, em Romanos 12:19, acompanhada da advertência: “Não vos vingueis a vós mesmos amados”. Mas, o perigo do pecado da vingança não termina por aí. Existe a forma passiva do sentimento vingativo, igualmente condenada pelo Senhor, conforme registro no livro de Provérbios: “Quando cair o teu inimigo, não te alegres, e não se regozije o teu coração quando ele tropeçar; para que o Senhor não veja isso, e lhe desagrade...” (24:17).

 

Instruindo-nos quanto ao que não devemos fazer diante da possibilidade de vingança, a Bíblia ensina também o que deve ser feito, nesses casos, por aquele que teme ao Senhor. Está escrito em Provérbios 25:21-22: “Se o que te aborrece tiver fome, dá-lhe pão para comer; se tiver sede, dá-lhe água para beber, porque assim amontoarás brasas vivas sobre a sua cabeça; e o Senhor te retribuirá”. Pagar o mal com o bem é a maneira de incomodar a consciência do inimigo, simbolizada pela expressão “brasas vivas sobre a sua cabeça”, deixando que o Espírito de Deus faça a obra de persuasão que julgar deva ser feita. Jesus amplia este ensinamento, acrescentando detalhes à forma de retribuir o mal com o bem: “Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos do vosso Pai celeste (Mateus 5:44-45); fazei bem aos que vos odeiam; bendizei aos que vos maldizem” (Lucas 6:27-28).


Para os ímpios, este é um princípio incompreensível, muitas vezes inaceitável, porque “Os homens maus não entendem o que é justo, mas os que buscam o Senhor entendem tudo” (28:5). 

 

Por ter o entendimento que vem de Deus, o justo prossegue sereno em seu caminho de obediência ao Senhor, observando confiantemente os demais preceitos que Deus estabeleceu para a vida diária dos homens. Ele é leal e dedicado às suas amizades porque “o amigo ama em todo o tempo” (17:17) e o preceito para isso diz: “Não abandones o teu amigo, nem o amigo de teu pai” (27:10), mas ele também sabe que deve ser comedido e usar de bom senso na prática desse relacionamento, evitando, por exemplo, as hospedagens ou visitas demasiadamente prolongadas: “Não sejas frequente na casa do teu próximo, para que não se enfade de ti, e te aborreça” (25:17). Ele trabalha com diligência e honestidade pelo seu próprio sustento, sabendo que “o homem fiel será cumulado de bênçãos” e “o que lavra a sua terra virá a fartar-se de pão, mas o que se ajunta a vadios se fartará de pobreza” (28:19-20). 

 

Por ter em seu coração o princípio da sabedoria – o temor do Senhor – o justo conhece, entende e confia que “na transgressão do homem mau há laço, mas o justo canta e se regozija” (29:6).

 

“Feliz o homem constante no temor de Deus” (Provérbios 28:14). 
   
Amém.

 

Consulta Bibliográfica

BÍBLIA VIDA NOVA. 16ª Ed.
     São Paulo: Vida Nova, 1992.

 

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