CONSELHOS SÁBIOS: Há Tempo para Tudo na Vida do Homem (Eclesiastes 1 a 6)

Livro de Eclesiastes ou Pregador, como também é denominado. A palavra vem do grego e significa “aquele que se assenta e fala a uma assembleia, ou a uma igreja”. Guarda correspondência com o termo hebraico, do Antigo Testamento, ligado à assembleia pública, cujo sentido é de “homem de assembleia”, indicando o ofício do homem que convoca a reunião ou aquele que é o seu porta-voz, o pregador. Daí, o título do livro: Eclesiastes ou Pregador.

 

A mensagem de Eclesiastes é dirigida ao público em geral, à humanidade toda. Pelo uso recorrente de uma de suas expressões características, “debaixo do sol”, equivalente ao que o Novo Testamento chama de o mundo – o kosmos, o livro trata do significado da vida terrena. O pregador de Eclesiastes analisa os diversos aspectos da vida, procurando mostrar ao seu público a inutilidade de se buscar a felicidade nos acontecimentos do mundo secular, usando para isso outra de suas expressões-chaves – “Vaidade de vaidades!” – cujo emprego se dá trinta e sete vezes dentro do livro. Seu significado se compara a “bolha de sabão”, “vapor” ou “sopro”; algo transitório, que passa e logo desaparece.

 

Contudo, não se trata de considerar que não haja nada de bom no mundo. Ele é criação de Deus. O alerta do Pregador é para o perigo de se colocar a esperança da felicidade e de toda a satisfação nesta vida temporal do mundo criado, esquecendo-se de que, em consequência da queda do homem (Gênesis 3:17-19), toda a criação também ficou sujeita à vaidade e à corrupção (Romanos 8:20).  

 

Até a sabedoria filosófica, obtida pelo esforço humano, se mostra deficiente ou insuficiente. Seu resultado final é o aumento de cansaço e tristeza (1:17-18). Somente pelo esclarecimento que vem de Deus a verdadeira sabedoria pode ser alcançada, visto que “em Cristo estão ocultos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento” (Colossenses 2:2-3).  

 

A conclusão da análise que o Pregador de Eclesiastes faz é de que a felicidade só pode ser encontrada em Deus, o que implica em confiança nEle. Ao homem cabe apenas desfrutar das dádivas divinas para esta vida, com gratidão e louvor a Deus por reconhecer que elas procedem das Suas bondosas mãos: “Nada há melhor para o homem do que comer, beber e fazer que a sua alma goze o bem do seu trabalho. No entanto vi também que isto vem da mão de Deus” (2:24), diz o Pregador.

 

Ao eliminar a falsa esperança de que a felicidade pode ser encontrada no mundo, o Pregador conduz os seus ouvintes, melhor dizendo os seus leitores, a outra esperança: aquela que é permanente, “segura e firme, e que penetra além do véu”, aonde Jesus nos aguarda (Hebreus 6:18-20).

 

Sendo assim, dois conteúdos principais formam a base do livro de Eclesiastes. De um lado, a vaidade de uma vida efêmera e, paralelamente, a fé em Deus que tem o governo do mundo e suas mãos.

 

Dentre os temas da vida cotidiana abordados pelo Pregador, encontra-se o tempo. Este que nunca foi tão mencionado como nos dias atuais. Ocorre que, enquanto o homem moderno se queixa de que não tem tempo para fazer tudo que o precisa, deveria ou gostaria, o livro de Eclesiastes diz que há tempo para tudo na vida do homem.

 

Precisamos, então, entender de que tempo está falando o Pregador. O conceito de tempo aqui empregado é mais abrangente do que simplesmente a contagem das vinte e quatro horas de um dia. Tem o sentido de ocasião adequada; oportunidade apropriada para a realização ou manifestação de alguma coisa.  Até mesmo em relação ao tempo físico, há características peculiares que fazem com que um tempo não seja igual ao outro, exigindo do homem algumas condutas correspondentes. Prova disso está nas estações do ano, conforme estabelecidas por Deus. 

 

Sendo assim, afirma Eclesiastes, “tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu” (3:1). A palavra propósito chama a atenção para o fato de haver necessidades e finalidades associadas ao tempo físico, resultantes das circunstâncias que cercam o homem, e que dão significado existencial ao tempo. Estas circunstâncias não são estáticas, invariáveis. Elas estão sujeitas às modificações de uma vida transitória, por isso mesmo considerada como vaidade no livro de Eclesiastes. 

 

Cabe ao homem discernir a ocasião, se própria ou imprópria, para a realização daquilo que pretende ou necessita.  Seja para fazer bom uso das ocasiões, evitando desperdiçá-las pelo aproveitamento inadequado, ou para não deixar que passem sem que o devido propósito seja efetuado, o discernimento não pode faltar. 

 

Para tanto, alguns requisitos se fazem necessários. O primeiro deles é o temor do Senhor – o princípio da sabedoria. De forma semelhante ao que diz o livro de Provérbios, Eclesiastes também afirma que “Deus dá sabedoria, conhecimento e prazer ao homem que lhe agrada” (2:26). 

 

Como decorrência da sabedoria que provém do temor do Senhor, deverá haver sensatez, sobriedade e devida atenção aos acontecimentos da vida, sempre com a indispensável consulta ao Senhor a respeito do que deve ser feito em cada ocasião.

 

Assim deve ser porque na diversidade de situações da vida, os acontecimentos contrários ou opostos têm o seu momento de acontecer, diz Eclesiastes. Alguns ocorrem de forma natural, cabendo ao homem apenas reagir adequadamente a cada um deles: tempo de nascer e tempo de morrer, tempo de chorar e tempo de rir (3:2,4), por exemplo. Outros envolvem decisão humana: tempo de guardar e tempo de jogar fora, tempo de rasgar e tempo de costurar, tempo de falar e tempo de calar (3:6-7). É preciso o discernimento que vem do Senhor para tomar a decisão acertada em tempo oportuno.

Do mesmo modo, é necessário considerar que só Deus conhece por inteiro tudo o que já aconteceu, está acontecendo e virá a acontecer ainda debaixo do sol. Ele é o Senhor do tempo e tem o controle do planejamento completo. Assim está escrito em Eclesiastes: “Tudo fez Deus formoso no seu devido tempo; também pôs a eternidade no coração do homem, sem que este possa descobrir as obras que Deus fez desde o princípio até o fim” (3:11).

 

A expressão “pôs a eternidade no coração do homem” não deixa de ser curiosa. Afinal, o homem tem a sua existência limitada pelo tempo e está sujeito às circunstâncias temporais. A vida de todos os homens está demarcada pelo nascer e morrer. Mas, diz o texto, ele tem a eternidade no coração. 

 

Esta afirmação de Eclesiastes nos ajuda a entender porque o homem deseja viver para sempre, sendo-lhe a morte tão aversiva. Este é o projeto original de Deus. A entrada do pecado no mundo e no coração do homem se interpôs ao plano traçado, trazendo a morte porque, diz a Bíblia, “o salário do pecado é a morte” (Romanos 6:23). Contudo, a eternidade continua diante do homem. Seja separado de Deus, o que equivale à morte espiritual; ou vivendo para sempre com Deus.  

 

A boa nova da graça de Deus nos avisa que o seu propósito amoroso de conceder ao homem a oportunidade de ter a vida eterna não foi cancelado. Para isso, Deus enviou Jesus ao mundo que, morrendo na cruz em nosso lugar, pagou o preço do nosso pecado – o preço de morte – estabelecido pela lei. 

 

É possível viver para sempre “porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16).

Onde você passará a eternidade? 

 

Aceite a Jesus como seu Salvador pessoal, se ainda não o fez, e tenha a vida eterna. 

 

Consulta Bibliográfica

BÍBLIA VIDA NOVA. 16ª ed.
São Paulo: Vida Nova, 1992.

DAVIS, John D. Dicionário da Bíblia. 4ª ed.
Rio de Janeiro: Casa Publicadora Batista, 1973.

DOUGLAS, J. D. O Novo Dicionário da Bíblia. 2ª ed.
São Paulo: Vida Nova, 1995.

McNAIR, S. E. A Bíblia Explicada. 4ª ed.
Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembleias de Deus, 1983.

 

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