O PENTATEUCO – SEU CUMPRIMENTO NO NOVO TESTAMENTO (Gênesis 3.14-15; Deuteronômio 5.23-33; 18.18; João 1.45; 5.45-47)

Gênesis 3.14-15 é o primeiro lugar do Pentateuco onde encontramos uma indicação profética de Alguém que viria vencer o mal, esmagando a “cabeça da serpente”. Em Dt. 18.18 lemos de forma mais explícita menção a um profeta que viria semelhante a Moisés. O texto diz “Eis que lhes suscitarei um profeta do meio de seus irmãos, como tu, e porei as minhas palavras na sua boca, e ele lhes falará tudo o que eu lhe ordenar”. Alguns entendem que “profeta semelhante a Moisés” significa não apenas um profeta, mas vários, culminando com um maior de todos, Jesus, o Messias de Deus.

Profeta Semelhante a Moisés
A semelhança desse Profeta com Moisés se deu no fato de ambos terem sido judeus, nascidos dentre seu próprio povo, ambos foram ouvidos e obedecidos, ambos falaram com Deus “face a face”, tanto um quanto o outro providenciaram o sangue do sacrifício através do qual o povo seria salvo e ambos atuaram como intercessores, e mediadores entre o povo e Deus. Dt 5.23-33 relata do encontro dos israelitas com Deus no Monte Sinai, cerca de três meses após a partida deles do Egito e como eles consideraram Moisés como um tipo de mediador. Nessa ocasião o povo lhe pediu: “Chega-te tu, e ouve tudo o que disser o Senhor nosso Deus; e tu nos dirás tudo o que te disser o Senhor nosso Deus, e o ouviremos, e o cumpriremos” (Dt 5.27). No Antigo Testamento, sendo os israelitas um povo cheio de pecados não poderiam manter-se juntos ao Deus Santo de Israel. Caberia a Moisés fazer a ligação entre o povo e Javé. No Novo Testamento, esse mecanismo se repete, mas agora de forma completa com a mediação perfeita do Messias Jesus. Todos os que o aceitam como Salvador e Senhor têm seus pecados perdoados e passam a ter acesso direto a Deus. Passam a poder ouvir a sua vontade e receber suas bênçãos e orientações. Vivem circunstâncias, que muitas vezes, e pela direção de Deus, acabam por se tornar experiências valiosas de crescimento espiritual e amadurecimento pessoal. Jesus é o Mediador de uma nova Aliança, melhor do que aquela que Javé fez com o Povo de Israel histórico nos tempos de Moisés. João 1.45 mostra de forma clara a conexão entre Moisés e Jesus quando afirma “Filipe achou Natanael, e disse-lhe: Havemos achado aquele de quem Moisés escreveu na lei, e os profetas: Jesus de Nazaré, filho de José”. No tempo de Jesus, porém os líderes religiosos dos judeus não o identificaram como sendo um profeta semelhante a Moisés. Em parte porque falharam em compreender que semelhança seria essa. Esperavam por exemplo, que esse profeta concordasse com a interpretação que eles tinham da Lei, o que não ocorreu. Jesus não veio para rejeitar a Lei como os judeus o acusavam, mas para cumpri-la. O problema daqueles líderes era que não ensinavam a Lei corretamente e muito menos a cumpriam de verdade. Isso motivou Jesus a denunciá-los abertamente, chamando-os de “sepulcros caiados”. A Lei mostrou exatamente que aqueles líderes não eram justos o suficiente para merecerem a salvação, mas sim que eram pecadores e que necessitavam de um Salvador. Aqueles líderes e muitos com eles não quiserem aceitar Jesus como o Profeta anunciado por Moisés. Jesus, em um de seus debates com eles, lhes afirmou em Joa 5.45-47: “Não cuideis que eu vos hei de acusar para com o Pai. Há um que vos acusa, Moisés, em quem vós esperais. Porque, se vós crêsseis em Moisés, creríeis em mim; porque de mim escreveu ele. Mas, se não credes nos seus escritos, como crereis nas minhas palavras?”

A questão dos tipos teológicos de Cristo
Conhecer a ênfase e o tema teológico de um livro da Bíblia é fator importante para compreendê-lo [2]. No caso do Pentateuco, um aspecto importante encontrado ao longo dos temas dos cinco livros que o compõe, é a questão dos tipos teológicos de Cristo. Uma das formas pela qual Jesus é revelado nas Escrituras é através do chamado tipo, que pode ser definido como uma pessoa, objeto, instituição ou evento que possui, em adição ao seu significado histórico, um significado futuro divinamente apontado [2]. Nessa função o tipo teológico prenuncia uma pessoa, objeto, instituição ou evento reconhecido como o antítipo. Por exemplo, conforme veremos logo adiante Moisés foi um tipo teológico de Jesus e Jesus, o antítipo de Moisés. A seguir listamos um conjunto de tipos de Cristo revelados no Pentateuco: Adão, Melquisedeque, Isaac, José do Egito, Moisés, o Cordeiro Pascal, A rocha de Horebe, da qual saiu água para aplacar a sede dos israelitas no deserto, a serpente de bronze, dentre outros. Desses todos, nesta oportunidade destacaremos apenas dois.

a.    Adão é um tipo de Cristo: ambos vieram ao mundo através de um ato especial de Deus, como pessoas sem pecado. Adão é a cabeça da criação e Cristo a Cabeça da nova criação. Através do pecado de Adão toda a humanidade pereceu. Através do ato de Cristo na cruz todo aquele que Nele crê é salvo (Rm 5:15-19).
b.    Moisés é um tipo de Cristo: ele é a única pessoa na Bíblia, além de Jesus, a ser investido das funções de profeta, sacerdote e rei (não foi exatamente rei, mas teve essa função). Ambos foram preservados e envolvidos desde o nascimento, ambos renunciaram ao poder e às riquezas, ambos foram rejeitados pelos seus irmãos, foram libertadores, e legisladores. Tal como Jesus, Moisés, a seu tempo, se ofereceu para pagar os pecados do povo quando este pecou adorando o bezerro de ouro no Sinai. Deus não aceitou esse sacrifício, mas ouviu a súplica de Moisés e poupou os israelitas.

Conclusão
Ao finalizar este estudo e esta série sobre o Pentateuco gostaria de externar meu desejo de que as reflexões aqui trazidas possam ter contribuído para que o prezado leitor conheça cada vez mais o que a Bíblia tem para nos ensinar. Minha oração final é que esses ensinos, além de lhe ajudar a trilhar a sua jornada na terra, possam lhe dar vida abundante e certeza de sua salvação.

Bibliografia:
[1] “Profiting From the Prophets”
Estudo 4:  “False Prophets” (Parte II)
Robert L. Deffinbaugh, Th.M.  
The Biblical Studies Foundation

[2] “Pentateuch, an Analysis and Synthesis -
Introduction to the Pentateuch”
Frank DeCanio
The Biblical Studies Foundation

 

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