A CARTA AOS EFÉSIOS II - PAIXÃO DE UM MISSIONÁRIO (Efésios 3)

Um bom título para o nosso estudo seria “O mistério do Evangelho”. Estamos no capítulo 3 de Efésios e nele Paulo discorre com maestria sobre o que havia significado a presença de Jesus neste mundo. Porque ele veio, o mistério de dissolveu e agora a Igreja estava em condições de apregoar a mensagem do Evangelho de forma clara e de modo que todos pudessem compreendê-la. De início, Paulo diz: “por esta causa eu, Paulo, sou o prisioneiro de Jesus Cristo para vós, os gentios.” Ef. 3,1 Por esta causa ele, Paulo, se colocou diante de Deus em oração, o que lemos nos versículos seguintes.

Por qual causa? Seria natural que nos ocupássemos com esta pergunta. É a que foi descrita no capítulo 2, versículos 20 a 22, onde lemos: “edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas de que Jesus Cristo é a principal pedra de esquina; no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para templo santo no Senhor, no qual também vós juntamente fostes edificados para morada de Deus em espírito.”

Paulo chama a atenção para o fato de que os gentios estavam sendo edificados sobre o fundamento que os apóstolos e profetas haviam plantado. Ele, Paulo, também se colocava ao lado da principal pedra, Jesus, para servir de fundamento para os que recebiam a mensagem. Jesus Cristo é o único fundamento do Evangelho e da Igreja, mas de acordo com o texto de 1 Coríntios 3,10-11, sobre este fundamento principal foram colocados os profetas e apóstolos, que trabalharam arduamente nos primeiros dias do cristianismo e nos deixaram, nas páginas do Noto Testamento, os alicerces para a nossa vida cristã.

Este processo não se esgotou. Nós somos convocados a servir de fundamento para outros. Neste exato momento, há pessoas olhando para nós, conferindo o que falamos com o que fazemos, moldando as suas próprias vidas pelo que enxergam em nós. Lembro-me do que ouvi de um pastor, há quase trinta anos. Ele me fez enxergar que a minha caminhada de fé deveria ser semelhante à escada que Jacó viu, quando dormia. Eu fui levada a entender que, enquanto eu subia, muitos viriam atrás de mim. Também fui advertida seriamente: tome cuidado para não cair, porque se você cair levará muitos com você. Sábios conselhos. De forma simplificada, foi a base do que Paulo estava mostrando aqui.

O pastor Israel Belo de Azevedo tratou desse tema em recente pastoral, intitulada “Memorial da Esperança”, publicada no boletim da Igreja Batista de Itacuruçá. Diz assim: “se o saudosismo é inadequado, é também inadequada a ignorância do passado. O passado é importante porque nos constitui: como igreja e como pessoa, não nascemos hoje; nós somos o nosso passado. O passado é importante porque nos inspira; olhando para ele, vemos as agruras atravessadas, como a dizer que também as atravessaremos. As gerações mais novas tendem a pensar que o passado passou. Não: o que passou continua, seja um prédio, um costume ou uma idéia. Neste sentido, não há nada de novo debaixo da terra. (Eclesiastes 1,9). O que passou nos molda. Então, é sábio conhecer este passado, escavar seus objetos, decifrar seus textos. O passado nos ajuda a entender o presente. Além disso, conhecer o que Deus fez no passado nos ajuda a entender o que Ele faz no presente. Conhecer o que nós, por nossos antepassados, fizemos ontem nos ajuda a entender o que podemos fazer hoje.”(ITA 9.2.2003).

Voltemos ao apóstolo Paulo e sua carta aos Efésios. “Por esta causa, eu, Paulo, o prisioneiro de Cristo Jesus, por amor de vós, gentios..”. Somos chamados a ser fundamentos de outras pessoas. Isto acontece porque a graça de Deus foi concedida a nós, assim como o foi a ele, Paulo. Este ministério, esta dispensação, aqui com o sentido de mordomia, era tão compreendida pelo apóstolo que ele se alegrava pelo fato de estar preso, como conseqüência dessa convicção de precisar ser alicerce para eles. “Eu me regozijo nos meus sofrimentos por vós.”

Exatamente neste momento em que estudamos a Palavra de Deus, há servos dEle sofrendo com a perseguição religiosa, perdendo a liberdade, a família, o direito de falar. E se alegram com o que padecem porque, por meio deles, toda a Igreja é fortalecida. Graça, privilégio de servir para alcançar outro para Cristo. Aqui temos mais um alerta: para que sirvamos de alicerce, é necessário que a nossa fé seja provada. Isto traz sofrimento. Nesse sofrimento, enxergamos a mão de Deus e chegamos a nos alegrar porque o Espírito Santo testifica em nós de que estamos sendo colocados como “pedra viva” para edificação de muitos.

Nós, os gentios, fomos chamados de co-herdeiros com Abraão, com Jacó, com Gideão, com José e com todos os santos do Novo Testamento, nos lembra o Dr. Russell Shedd (Tão grande salvação, p. 45/6). Estamos incluídos plenamente no povo de Deus ao qual eles pertenciam. Somos também co-incorporados ou de um mesmo corpo, ou seja, estamos em relacionamento espiritual entre todas as gerações e indivíduos, dentro do Povo salvo por Deus. E também somos co-participantes da promessa de Cristo: “a saber, os gentios são co-herdeiros e de um mesmo corpo e participantes da promessa em Cristo pelo evangelho.” Ef. 3, 6.

Tão grande era a responsabilidade que Paulo sentia que ele começa a orar. O normal era que as orações fossem feitas em pé, mas o coração de Paulo sente o peso da responsabilidade que tem de ser pedra para sustentar a igreja que estava em crescimento e se coloca de joelhos. Era o sinal externo da urgência e da angústia que ele sentia, precisava entregar a Igreja a Deus, que era Pai. Mais uma importante pergunta para nós: qual foi a última vez que sentimos urgência, angústia ao orar pela Igreja que cresce e que se apoia em nós como pedras vivas que somos?

“Por causa disto me ponho de joelhos perante o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, do qual toda a família nos céus e na terra toma o nome, para que, segundo as riquezas da sua glória, vos conceda que sejais corroborados com poder pelo seu Espírito no homem interior; para que Cristo habite pela fé nos vossos corações, a fim de estando arraigados e fundados em amor, poderdes perfeitamente compreender, com todos os santos, qual seja a largura, o comprimento, a altura e a profundidade e conhecer o amor de Cristo que excede todo o entendimento, para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus.” Ef.3, 14-19.

Quando uma vida está fortalecida, Cristo tem o domínio. Ele dita as ordens. Ele mostra o que deve ser feito e aquilo que precisa ser evitado. Ele aponta para as áreas da vida ainda não dominadas e deseja entrar ali. É o homem interior que se torna subjugado ao domínio de Cristo. Este império de Cristo em nós produz um fundamento em amor, onde os frutos são originados do amor. São as ações de amor, provenientes de um alicerce firme no amor. Isso nos leva a poder compreender corretamente as dimensões do Evangelho.

As dimensões mencionadas podem ser bem compreendidas. O evangelho é tão largo que inclui membros de toda tribo, língua, povo e nação. O comprimento diz respeito à operação de Deus no mundo para produzir o seu propósito de salvação. Até o dia em que Jesus voltar, todo ser humano poderá ter acesso ao Reino de Deus pela fé em Jesus. A altura fala do mais alto do céu ao mais baixo inferno, ou seja, todo o Universo. Profundidade acena para todo tipo de pecador. Não há qualquer pecador que não possa ser incluído nessa tão grande salvação.

Paulo ora para que os crentes em Éfeso e todos nós possamos compreender essas dimensões e nos assegura que este pedido é apenas uma amostra daquilo que Deus pode fazer. Deus está pronto a fazer muito mais além do que ele pensou ou pediu e isto através do poder que opera em nós. E para este Deus seja a glória em todas as gerações, e certamente aqui estamos nós incluídos.

Sim, “àquele que é poderoso para fazer muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos segundo o poder que em nós opera, a esse glória na igreja, por Jesus Cristo, em todas as gerações, para todo o sempre. Amém.” Ef. 3, 20 e 21. Que também nós compreendamos essas dimensões do amor de Cristo. Amém.

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