A CARTA AOS COLOSSENSES I – OS COMBATES AO MINISTÉRIO CRISTÃO (Colossenses 1 e 2)

Para melhor compreendermos a carta de Paulo aos Colossenses, precisamos nos aproximar de algumas informações históricas. A primeira delas diz respeito à cidade de Colossos. Colossos estava a 20 quilômetros de Laodicéia e a 160 km de Éfeso. Região sul da antiga Frígia, foi o local onde se originou o misticismo oriental.

Informações da Bíblia de Estudo Indutivo (p.1833) nos dizem que muitos judeus, gregos e habitantes da Frígia iam a Colossos, porque a cidade se localizava na rota principal do comércio. Também porque havia a atividade comercial, a cidade se beneficiava do intercâmbio cultural: ali todo tipo de novas idéias e doutrinas do oriente eram estudadas e discutidas.

Um bom caminho para compreendermos melhor o resultado dessa influência na vida e crescimento da Igreja é nos aproximarmos de uma outra igreja, a de Laodicéia, que também crescia em ambiente globalizado. Para Laodicéia, o Anjo da Igreja, o Senhor Jesus Cristo, mandou um importante recado. Podemos lê-lo em Apocalipse capítulo 3, a partir do versículo 14. Parte do problema era a incapacidade de se definir em relação aos preceitos do evangelho. A Igreja os compreendia, mas fazia concessões às demais filosofias. Justamente por isso, ouviu dos lábios de Jesus as seguintes palavras: “Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; quem dera foras frio ou quente!” Ap.3,15.

O caminho da indiferença, da neutralidade, da adaptação aos costumes enfraquece a Igreja de Jesus. Quando uma Igreja se descuida dos rudimentos da fé, perto está de deixar de ser igreja e de se tornar apenas um clube onde, com alguma freqüência, pessoas se reúnem para conversar sobre assuntos em comum. Não era, ainda, o caso dos colossenses, mas seria o resultado que colheriam, se não colocassem em prática as orientações recebidas de Paulo, apóstolo a quem provavelmente nunca haviam visto pessoalmente.

A carta é endereçada aos santos e irmãos fiéis em Cristo que estão em Colossos. Importante percebermos que o apóstolo delimitou bem seu público-alvo: deveriam ser santos e irmãos fiéis. A fidelidade a Jesus Cristo seria percebida no relacionamento entre irmãos e somente estes compreenderiam as instruções que se propôs a dar, por escrito, ao rebanho pastoreado por Epafras. Damos graças a Deus porque, porque escritas, nos foram preservadas.

Há outro conceito que precisa ser aqui citado, porque o encontramos como pano de fundo da argumentação de Paulo, principalmente quando adverte a Igreja sobre o perigo de se deixar influenciar por falatórios, tagarelices, homenagem a anjos e a quaisquer outro símbolo que estivesse dissociado dos valores ensinados por Jesus, o único a quem a igreja deveria seguir.

Curioso é perceber que, tantos anos depois do ano 64 da nossa era -- provavelmente a data em que a carta foi redigida -- ainda estamos a nos debater com o mesmo tipo de problema: permitimos que a Igreja seja contaminada pelas vãs filosofias e também pelas discussões que não se encontram fundamentadas na Palavra de Deus. Fazemos concessões demais. Será que esta carta não teria sido escrita para a nossa Igreja?

Pensemos no gnosticismo. Trata-se de antigo movimento religioso grego de amplas proporções. A palavra gnosticismo deriva-se do termo grego gnosis, que significa “conhecimento”. Os gnósticos acreditavam que os seus devotos adquiriam um tipo especial de iluminação espiritual. Por isso, tinham acesso a segredos que eram vedados aos demais. Consideravam a matéria má e valorizavam a esfera espiritual em detrimento da matéria. Claro que aqui temos uma definição simplificada, apenas para que nos situemos diante dos dois primeiros capítulos desta epístola.

A igreja em Colossos estava também sendo influenciada pelo judaísmo. Judaísmo e gnosticismo foram os responsáveis pela admoestação de Paulo aos colossenses, quando, para destacar a supremacia de Cristo, diz: “Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação, pois nele foram criadas todas as coisas, nos céus, e na terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos ou soberanias, poderes ou autoridades; todas as coisas foram criadas por Ele e para Ele. Ele é a cabeça do corpo, que é a Igreja; é o príncipe e o primogênito dentre os mortos, pois para que em tudo tenha a supremacia. Pois foi do agrado de Deus que nEle habitasse toda a plenitude, e por meio dele reconciliasse consigo todas as coisas, tanto as que estão na terra quanto as que estão nos céus, estabelecendo a paz pelo seu sangue derramado na cruz.” Cl.2, 15-20.

Se a matéria era má, conforme apregoavam os gnósticos, por meio dela Deus escolheu salvar o mundo, quando mandou Seu Filho tornar-se um de nós e o primogênito de toda a criação. Sutil a diferença, mas essencial para o desenvolvimento da vida cristã. Eliminar a humanidade de Jesus é anular todo o plano de salvação.

A igreja deveria demonstrar para a sociedade as conseqüências de haver conhecido a vontade de Deus e não ser influenciada pela sociedade. Por isso, Paulo escreve: “Por essa razão, desde o dia em que o ouvimos, não deixamos de orar por vocês e de pedir que sejam cheios do pleno conhecimento da vontade de Deus, com toda sabedoria e entendimento espiritual. E isso para que vocês vivam de maneira digna do Senhor e em tudo possam agradá-Lo, frutificando em toda a boa obra, crescendo no conhecimento de Deus e sendo fortalecidos com todo o poder, de acordo com a força da Sua glória, para que tenham a perseverança e a paciência com alegria, dando graças ao Pai, que nos tornou dignos de participar da herança dos santos no reino da luz.” Cl. 1, 9-12.

Podemos destacar cinco itens importantes aqui (SHEDD, R. Andai nele p.22/24): o único propósito da vida cristã é agradar a Deus. Como se faz isto? Uma das respostas é: ao frutificar em toda boa obra. Isto não aponta para ações praticadas para se conseguir méritos, mas são atos tão cheios de amor que somente são explicados a partir da operação de Deus na vida de quem o pratica.

Outro elemento que a igreja deve cultivar para agradar a Deus é crescer no pleno conhecimento dEle. Estamos pensando aqui na aproximação de Deus na forma mais íntima que nos for possível, para que as nossas ações reflitam a essência do próprio Deus. Será por meio dessa busca contínua pelo conhecimento de Deus que a Igreja alcançará o fortalecimento. A palavra grega usada aqui para definir o poder é comparável à força dominadora que tem a glória de Deus. Foi o que os guardas que guardavam o corpo físico de Jesus viram, quando Ele ressuscitou: poder que remete à glória de Deus. Esse conhecimento de Deus é alcançado pela perseverança, longanimidade e alegria, ensina Paulo.

O quinto ponto para agradar a Deus é a adoração. Gratidão e louvor são a conseqüência natural de uma conduta digna da igreja que busca viver na presença de Deus, aprender plenamente dEle e agir de acordo com os ensinamentos que Ele mesmo nos deixou.

Se a Igreja estiver preocupada em focalizar todas as suas atividades na adoração a Deus, com certeza não sobrará tempo para se distrair com as filosofias que a cercam. A alegria de conhecer a Deus será suficiente para eliminar a influência das magias, do misticismo, das respostas rápidas que a sociedade tenta oferecer por intermédio dos mais diferentes recursos.

É necessário o fortalecimento na fé, porque a linguagem da mente pós-moderna se utiliza também dos escritos bíblicos, citando-os como amuleto e confundindo aos que são novos na fé em Cristo. Apresentam soluções baseadas no esforço pessoal, na mudança a partir da vontade, na chamada teologia da prosperidade, na força do pensamento voltado para o poder de cada pessoa para burlar os condicionamentos que identificam no seu comportamento.

Aquele que pensa que, porque foi retirado do texto bíblico é vontade de Deus, rapidamente se descuida e passa a assimilar as inverdades que o inimigo da Igreja de Cristo não se cansa de apregoar. O conhecimento superficial da Bíblia nos torna despreparados para identificar as armadilhas que os movimentos do século 21 trazem, como, para a igreja em Colossos, a sutileza da doutrina gnóstica era um foco perigoso.

Para os colossenses e também para nós o desafio é zelar pelo pleno conhecimento de Deus, possível somente pela mediação de Jesus Cristo e perseverança no caminho da fé. Que Deus nos ajude a caminhar com Ele de modo que O agrademos sempre em tudo.

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