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A SOBERANIA DO REINO DE DEUS (ISAÍAS 18)

O último estudo foi concluído com o capítulo doze do profeta Isaias, que é um cântico de louvor pelas coisas grandiosas feitas pelo Santo de Israel. A ira corretiva do Senhor para com o seu povo havia durado um só momento, mas a sua misericórdia se tornara fontes de água da salvação. Todos os povos deveriam saber isso.

Fica evidente que os feitos de Deus e a sua salvação têm um alcance além de Israel como fora dito a Abraão: “Em ti serão benditas todas as famílias da terra”. Do mesmo modo, a ira corretiva do Senhor alcança igualmente todas as nações, além de Israel, pois o Senhor reina soberano sobre as nações.

O “Aquele Dia” anunciado no capítulo doze como de ações de graças, louvor e júbilo, vem rapidamente sucedido no capítulo treze pelo anúncio do “Dia do Senhor”, prenúncio de assolação para diversas nações. O dia do Senhor então tem dupla aplicação profética. Para o povo de Deus será dia de grande alegria e ações de graças. Para os ímpios será o dia da vassoura da destruição de Deus. Dia de dores e ais, pois serão como a moinha que o vento espalha.


1. BABILÔNIA

A Babilônia dos grandes reis dominadores do mundo é também a grande meretriz e símbolo de toda oposição a Deus. Há anúncio de misericórdia para o Egito, Etiópia e Moabe, mas não para a Babilônia. Ela não vai deixar descendência e seu lugar se tornará uma desolação eterna. Esta é a sentença de Deus sobre a rainha das nações. Será como Sodoma e Gomorra.

O anúncio do juízo de Deus sobre Babilônia diz respeito a fatos que ocorrerão num futuro além dos outros que seguem até o capítulo dezoito. Isto se dá, provavelmente, porque as profecias sobre a Babilônia têm uma dimensão apocalíptica e de maior abrangência que as demais nações. Vejamos como o profeta as anuncia: “Eis que vem o dia do Senhor, dia cruel, com ira e ardente furor, para converter a terra em assolação e dela destruir os pecadores. Porque as estrelas e constelações dos céus não darão a sua luz; o sol, logo ao nascer, se escurecerá, e a lua não fará resplandecer a sua luz”. Assim a narrativa do profeta Isaias tem em vista não apenas fatos presentes, mas, sobretudo os futuros, para os quais se dirigem os propósitos divinos.

O profeta Isaias, seguindo a revelação divina, insere em sua narrativa um hino triunfal sobre a queda da Babilônia, especialmente sobre o seu rei. No entanto tal narrativa de destruição é precedida de palavras de consolo para o povo de Deus de todas as épocas e nações; “Porque o Senhor se compadecerá de Jacó e ainda elegerá a Israel, e os porá na sua própria terra” - e isto - “No dia em que vier a dar-te descanso do teu trabalho, das tuas angústias e da dura servidão com que te fizeram servir”.

Quanto ao rei de Babilônia, o profeta se refere com extrema ironia. O vê como chegando ao lugar dos mortos onde jazem como sombras os reis das nações que antes foram derrotados e mortos por ele. Todos eles espantados dizem: “Tu também, como nós, estás fraco? E és semelhante a nós? A intenção do profeta é deixar claro que Deus domina soberano sobre tronos e nações e que todos são fracos perante Ele. O domínio mundial de seu reino levara o rei de Babilônia a desafiar o Deus de Israel. Em seu coração se tornara arrogante, soberbo e blasfemo, por isso a descrição de sua queda tem dupla significação. Ela descreve a completa derrota do rei e seu reino e também a completa ruína de satanás, o arquiinimigo de Deus. Assim diz o profeta: “Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filho da alva! Como foste lançado por terra, tu que debilitavas as nações! “Tu dizias no teu coração; Eu subirei ao céu, acima das estrelas de Deus exaltarei meu trono e no monte da congregação me assentarei, nas extremidades do norte”; “Subirei acima das mais altas nuvens e serei como o altíssimo”. A sentença de Deus contra tal atrevimento é o banimento e destruição eternos.


2. PROFECIAS CONTRA OUTRAS NAÇÕES


Proferida a sentença condenatória contra o maior culpado, Babilônia, Isaias agora profetisa contra os Assírios, Filisteus, e Moabitas, contra Damasco, Efraim, e Etiópia. O profeta deixa patente o caráter soberano do Reino de Deus, assim dizendo: “Jurou o Senhor dos Exércitos, dizendo: Como pensei, assim sucederá, e, como determinei, assim se efetuará”. “Porque o Senhor dos Exércitos o determinou, quem, pois, o invalidará? A sua mão está estendida; quem, pois, a fará voltar atrás?”.


3. BONDADE E JUSTIÇA DE DEUS

Um olhar superficial sobre estas profecias nos dará a impressão de um Deus que desfere o seu poder contra todas as nações e apenas protege o seu povo, Israel. Tal impressão é falsa, eis que a bênção prometida a Abraão se estende a todas as nações.

A ira de Deus se abate contra todos, pessoas e nações que renegam seu criador e cheios de orgulho desprezam seus mandamentos e sua lei, ou mesmo dizem: “Não há Deus” e adoram antes a criatura que o criador.

Em sua arrogância e incredulidade, os ímpios, não apenas se voltam contra Deus mas também perseguem o seu povo, aqueles que procuram servi-lo com integridade de coração. Inspirados pelo Diabo fazem com ele aliança para frustrar os planos de Deus para salvação dos pecadores. Por isso sua destruição não tarda.

O profeta Isaias tem sempre em mente a vinda do Messias, mesmo quando anuncia desgraças aos impenitentes: “Quando o homem violento tiver fim, a destruição for desfeita e o opressor deixar a terra, então, um trono se firmará em benignidade, e sobre ele no tabernáculo de Davi se assentará com fidelidade um que julgue, busque o juízo e não tarde em fazer justiça”.


4. PARA NOSSA MEDITAÇÃO

Como Igreja, estamos sujeitos às mesmas opressões sofridas pelos escolhidos de Deus no passado. Contudo, tenhamos sempre em mente que Jesus nos prometeu estar sempre conosco. Ele é o Senhor dos Exércitos a nosso favor. Corramos com perseverança a carreira que nos está proposta.


Bibliografia: J. Ridderbos – ISAÍAS – Introdução e comentários: Vida Nova

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