AH, SE NÃO FOSSE O SENHOR!

O adolescente Luciano sonhava em tocar guitarra. Tinha começado a estudar piano, mas o prazer de executar música veio quando começou a dedilhar o violão.

Aos 15 anos, o pai foi com ele a uma loja de música, em uma galeria próxima à praça Saens Peña, na Tijuca, Rio. Ali, encontrou a Fender Stratocaster. O sonho começava a se concretizar. Passou a estudar guitarra no Seminário do Sul.

Nos acampamentos e encontros dos adolescentes, o guitarrista ia convivendo com os vários grupos de louvor. Em 2004, a família mudou-se para Porto Alegre. A Fender sempre presente. Os estudos de música se aprofundaram, exigindo longas horas de exercícios em casa. A família suportou bravamente os sons das infinitas escalas. O guitarrista se enturmou na banda do amigo Alexandre Xavier (Xexê) e na JUBARS (Juventude Batista do Rio Grande do Sul).

Em junho de 2007, voltando de um ensaio, passou no Colégio Batista, para buscar a mãe, que dava aula no Seminário. Era noite. Parou em frente ao prédio e a mãe se apressou para embarcar. Dois bandidos armados renderam o motorista e a passageira. Levaram o carro. No bagageiro, a preciosa guitarra. Roubada. Silenciosa.

Foi um dia de muita tristeza e choro para o agora jovem Luciano. Um momento de crise teológica também. Como é que Deus deixava que levassem a guitarra que era usada só para o louvor? Decidiu: “Não toco nunca mais!"

Os amigos e a noiva o aconselharam a não enterrar o dom. Acabou mudando de ideia e voltou a tocar.

Na falta da Fender, uma Samick de 7 cordas foi a substituta precária. Só fazia aumentar a saudade da vermelhinha roubada.

O carro foi encontrado e a bolsa da professora também. A guitarra continuou sumida. Catorze anos e dois meses se passaram.

Conversando com o cunhado Guilherme, Luciano falou do instrumento que deixou saudade. Guilherme pegou o celular e começou a procurar por guitarra no mercado na mídia. Surpresa! Havia uma à venda, em Canoas, na Grande Porto Alegre. Pela foto, era muito semelhante à guitarra desaparecida. O pai localizou a nota fiscal e o amigo Carlos conseguiu cópia do Boletim de Ocorrência. Pequenas marcas confirmaram que era o tão procurado instrumento. Feito um acordo com o vendedor, a preciosa Fender retornou para casa. O guitarrista vai voltar aos estudos, para tirar o melhor som da sua vermelhinha sonora.

"E se o Senhor não estivesse ao nosso lado? Que todo o Israel diga:

E se o Senhor não estivesse ao nosso lado quando os inimigos nos atacaram?"(Salmos 124.1 e 2)

Se o Senhor não estivesse ao nosso lado, muitas coisas ruins poderiam ter acontecido. Desde a violência do assalto até à revolta de quem foi roubado. Nesses catorze anos, o guitarrista casou com a jovem Valéria, tornou-se pai de dois guris muito amados e prossegue com o desejo de aprimorar o louvor. O filho Victor já disse que quer aprender a tocar. O caçula Heitor tem demonstrado grande musicalidade. A guitarra retornou em boa hora. Há muito que fazer.

Ah, se não fosse o Senhor...


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