JULGAMENTO, MORTE E RESSURREIÇÃO (Marcos 15 e 16)

Os capítulos 15 e 16 de Marcos concluem a biografia do Mestre, e não poderia ser diferente do que mencionando o seu julgamento e morte, mas também a ressurreição.


O versículo inicial diz: “logo pela manhã, entraram em conselho os principais sacerdotes, os anciãos, escribas e todo o Sinédrio; e, amarrando a Jesus, levaram-no e o entregaram a Pilatos.”


A sessão matutina do Sinédrio foi convocada para decidir sob que acusação dariam andamento à prisão de Jesus. Com certeza, Pilatos não daria qualquer importância à acusação de blasfêmia, e por isso resolveram que sustentariam a hipótese de que Jesus dizia ser rei. Dessa forma, o Sinédrio poderia levar os romanos a matarem Jesus por razões políticas, escapando assim de qualquer responsabilidade técnica. A responsabilidade pela morte que mudou o rumo da História estava com os líderes religiosos e com Pilatos, o governador civil gentio. De certo modo, diríamos que a Igreja e o Estado se uniram para crucificar a Jesus. Curioso, o leitor não acha?


Pilatos, que governou a Judéia de 26 a 36 da nossa era, recebeu a Jesus preso e com as mãos atadas. A fama de Pilatos, segundo escritos de Filón, estava marcada pela corrupção, violência, roubos, mal tratos, ofensas, numerosas execuções ilegais e crueldades incessantes. Ele não demorava muito para decidir matar a alguém.


A pergunta que Pilatos fez a Jesus, ou seja; “és tu o rei dos judeus?” é diferente da que havia sido feita pelo sumo-sacerdote: “Es tu o Cristo, o Filho do Deus bendito?” Pilatos estava preocupado com sua posição política, jamais desejaria alguém por perto, que se intitulasse rei e fosse popular.


Para que possamos ter um entendimento melhor do que se passou ali, vamos nos valer das palavras do comentarista que nos auxiliou ao longo deste período, o Dr. Raymnd Brown. Ele nos explica que, se o Sinédrio houvesse sugerido a Pilatos que Jesus era um pretendente ao trono, teria havido um exame mais aprofundado das declarações de Jesus, por parte de Pilatos. Isto porque, durante o primeiro século, a Palestina estava vivendo momento de inquietação política. O povo judeu, que estava buscando a sua independência deste 104 AC, somente a conseguiu em 63 DC.


Os zelotes, grupo de fariseus nacionalistas, estavam determinados a restaurar a liberdade do povo judeu e para isso usavam a violência como se com isso fossem ajudar a Deus a estabelecer o Seu reino. Eles tinham um grande zelo pela lei, mas cultivavam o ódio para com os gentios que viviam ali. Por isso podemos compreender a importância da pergunta: és tu o Rei dos judeus? Tu o dizes, foi a única resposta que Jesus deu.


O julgamento, então, não envolvia a pessoa de Jesus, mas sim Pilatos e os líderes religiosos. Jesus havia ensinado que o Reino de Deus era obra de Deus e não de homens, os zelotes pensavam diferente. Ele apregoara o amor, inclusive aos gentios; toda a sua vida havia sido vivida em poder espiritual, a partir da fé. Como poderia defender-se?


Pilatos cedeu à pressão da multidão e condenou Jesus, soltando Barrabás, sendo este um salteador. Libertou um culpado, condenou um inocente. Atado, açoitado, amaldiçoado, Jesus foi levado ao caminho da cruz. E estejamos certos, o fez em nosso lugar, sabia exatamente a razão de tanta dor.


Cerca de 600 soldados o acompanharam, colocando uma capa sobre ele e uma coroa de espinhos na cabeça. Mas também o maltrataram, cuspiram nele, enfim, humilharam-no enquanto percorria o caminho reservado aos rebeldes, escravos e criminosos. Sim, leitores, ele pagou toda e qualquer sorte de pecado naquela cruz. Nada ficou para trás, tudo ele carregou nos ombros e o fez por amor.


Jesus foi crucificado às nove horas da manhã. Recusou-se a tomar qualquer espécie de analgésico. Diz-nos do Dr. Brown que somente o relógio marcou o tempo da salvação de Deus e a vontade de Deus estava sendo cumprida, segundo as Escrituras. Durante seis horas, Jesus ficou ali sofrendo e às três da tarde, ele morreu. Suas últimas palavras, segundo o relato de Marcos, foram: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?


A sensação do pecado havia transmitido a Jesus a ideia da ausência de Deus, porque até hoje isto acontece. Quando sabemos que praticamos algo em desacordo com a vontade de Deus, parece que Ele se ausenta, temos a impressão de havermos ficado sós. O pecado afasta o homem de Deus.


Dando um grande grito, Jesus morreu e no exato momento, mostrando à Humanidade quem era Jesus, o céu ficou escuro em pleno dia. E mais: o véu do Templo, que separava o Homem da presença de Deus, rasgou-se de cima para baixo. O centurião romano, vendo aquela cena, não se conteve e exclamou: verdadeiramente este homem era Filho de Deus.


José de Arimatéia, aquele membro do sinédrio sobre o qual falamos, foi a Pilatos e pediu permissão para sepultar Jesus. Nicodemos, que havia estado com Jesus durante a noite para evitar ser visto, agora aproximou-se publicamente. José e Nicodemos preparam o corpo para a sepultura, segundo os procedimentos judeus. Maria madalena e Maria, a mãe de Jesus, observaram enquanto eles colocavam o corpo na sepultura. Mas, louvado seja Deus, a morte de Jesus não seria o final da história, mas um novo princípio.


Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago e Salomé, passado o Sábado, foram até o túmulo onde Jesus havia sido colocado. A pedra que antes impedia qualquer passagem estava removida e elas entraram no sepulcro. Encontraram-se com um anjo, que lhes disse: Ele ressuscitou, não está aqui. Bastaram três dias para a morte ser definitivamente destruída, a vitória estava conseguida por meio da obediência, do amor, da morte de um justo. Que grande bênção nós herdamos, ouvintes.

Havia, em meio àquela alegria, uma ordem: “mas ide, dizei a seus discípulos e a Pedro que Ele vai adiante de vós para a Galiléia; lá o vereis, como ele vos disse.”


Ide, falai com aqueles que o abandonaram que ele não os abandonou. Ide até o inconsolável Pedro e dizei que o Mestre quer falar com ele e dar-lhe uma missão. Ide, ele estará com todos na Galiléia.


Voltamos, então, ao lugar onde Jesus havia chamado os discípulos pela primeira vez. Agora, eles teriam outra incumbência ainda mais séria, receberiam uma comissão mundial. Era chegada a hora das dúvidas serem dissipadas para sempre e a visão do Cristo vivo dar, aos que a Ele se aproximaram pela fé, um novo sentido para a vida, uma esperança que ninguém poderia tirar: eles haviam estado durante três anos inteiros ao lado de uma pessoa diferente, agora compreendiam que haviam desfrutado da presença de Deus.


Vida, morte, ressurreição, três etapas vitoriosas em Jesus. O Filho do Homem estava pronto para ser recebido pelo Pai e glorificado. “Vemos, todavia, aquele que por um pouco, tendo sido feito menor do que os anjos, Jesus, por causa do sofrimento da morte foi coroado de glória e de honra, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todo o homem. Porque convinha que aquele, por cuja causa e por quem todas as coisas existem, conduzindo muitos filhos à glória, aperfeiçoasse por meio do sofrimento o Autor da salvação deles.”(Hebreus 2: 9 e 10).


Mas, atentemos, nada disso terá qualquer valor para nós, se a nossa resposta não for, pela fé, um sim a Jesus Cristo. Para alcançarmos nós também a vitória sobre a morte, o preço foi pago uma vez por todas, agora basta dizer: sim, Jesus, eu aceito o Teu sacrifício. Eu recebo o Teu amor. Façamos isso agora mesmo.

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