O 1º DIA E A LUZ ANTES DO SOL - 3ª PARTE

De acordo com a cronologia dos seis dias da criação, na parte final do primeiro dia, ou seja, a partir do verso três até o verso cinco, chegamos a outro ponto importante da Criação divina – o surgimento da luz. O texto afirma:

“3. Disse Deus: Haja luz; e houve luz.

4. E viu Deus que a luz era boa; e fez separação entre a luz e as trevas.

5. Chamou Deus à luz Dia e às trevas, Noite. Houve tarde e manhã, o primeiro dia”.

Devemos observar que a luz, aqui gerada pelo Criador, não se trata da luz das estrelas distantes, nem do sol (o luzeiro maior para governar o dia), nem da luz refletida da lua (luminar menor para governar a noite), que foram todos criados somente no quarto dia (no verso 16). Neste ponto, uma pergunta relevante deve ser feita: Se o sol, a lua e as estrelas só foram criados no quarto dia, como explicar a existência dessa luz misteriosa que Deus criou no primeiro dia antes da criação dos luminares?

A fim de solucionar essa aparente contradição, exegetas das Escrituras têm proposto algumas interpretações:

1. de que essa luz teria vindo de alguma outra fonte astronômica, como uma supernova ou outro evento cósmico; - não podemos concordar com esta posição porque o próprio cosmos ainda não existia, pois, no primeiro dia havia sido criado o tempo e o espaço onde foi colocada apenas a Terra; e não os demais corpos celeste, que surgiram somente depois no quarto dia;

2. que tal luz vinha do Sol e teria sido criada com a Terra, “no princípio”;- este argumento não procede, pois, o texto bíblico é bastante claro quando afirma que a Terra foi criada no primeiro dia e os luminares (sol, lua e estrelas) no quarto dia;

3. que o sol e demais corpos celestes do universo teriam sido criados pouco antes da Terra no primeiro dia, e que a luz deles já existia desde o “Haja luz e houve luz”, mas ainda não havia penetrada na escuridão da Terra por causa de uma espessa camada de nuvem que existia na atmosfera sobre toda a Terra; - também não podemos concordar com esta interpretação, pois, contraria outros detalhes da cronologia do texto;por exemplo, se a luz só apareceu no quarto dia e a vegetação tendo sido criada antes,como explicar o fenômeno da fotossíntese necessária à produção do próprio alimento, se não havia luz no terceiro dia da criação?

Após estas considerações, podemos entender a razão de muitos intérpretes não serem capazes de levar em conta um Deus onipotente e infinito. Talvez o façam desta forma, porque pensam que é possível harmonizar os textos bíblicos com as narrativas modernas da pseudociência baseada na filosofia do naturalismo, que não mede esforços para tentar explicar a realidade do mundo e da vida pelo viés materialista e evolucionista, rejeitando toda ação sobrenatural proveniente do Criador divino.

Para nós, que temos a palavra de Deus como verdadeira e suficiente para o entendimento das coisa que foram criadas, o único argumento aceitável que nos resta à luz da Bíblia é que essa luz do “haja luz e houve luz” do primeiro dia da criação, procede do próprio Deus que não necessita do sol, da lua e nem das estrelas para fornecer luz, porque, antes de tudo, Ele é a própria fonte de toda luz.As Bíblia nos revela que Deus é luz! 1 João 1:5, declara: "Ora, a mensagem que, da parte dele, temos ouvido e vos anunciamos é esta: que Deus é luz, e não há nele treva nenhuma." Também em 1 Timóteo 6:16, encontramos: “O único que possui imortalidade, que habita em luz inacessível, a quem homem algum jamais viu, nem é capaz de ver. A ele honra e poder eterno. Amém!

O propósito do Criador ao prover luz antes de criar os luminares na expansão do céu, é mostrar que Ele é a fonte de toda luz.Tudo no universo criado depende do Seu poder, pois, Ele é a causa primária a partir do qual tudo existe e subsiste. Para existir, o próprio sol dependeu de Deus, que é luz.Sl. 74:16 diz:“Teu é o dia e tua é a noite; tu preparaste a luz e o sol.”

Em seu livro “A Criação - na Bíblia e na Ciência”, Christiano P. da Silva Neto nos apresenta um admirável testemunho sobre a criação da luz, como segue:“Uma das supostas discrepâncias atribuídas pelos céticos à narrativa da criação de Gênesis é o fato de que já havia luz no primeiro dia da criação, embora o sol não tenha sido criado até o quarto dia daquela primeira semana. É, entretanto, interessante observar que a moderna cosmologia, profundamente enrraizada no evolucionismo, não encontra problema em conceber a luz antes do sol. De acordo com sua reconstrução especulativa da história cósmica, a luz foi produzida na explosão Big-Bang por eles imaginada 15 bilhões de anos atrás, enquanto que o sol teria evoluído nos últimos 5 bilhões de anos. Assim, mesmo tencionando destruir a consistência da narrativa de Gênesis, eles são forçados a retornar aos conceitos ali propostos. A luz, de algum modo, teve que ser “preparada” antes que o sol e outros corpos luminosos pudessem dela se utilizar para iluminar a vastidão do universo. O fato de que a luz é uma entidade independente desses corpos celestes é um dos mais notáveis “insights” científicos da Bíblia.”

Portanto, durante os três primeiros dias da criação, o próprio Deus era a fonte preliminar de luz posicionada fora da Terra. Em referência a esta fonte de luz é que a Terra, ao girar num movimento de rotação, passava por um ciclo de dia e noite, pois, já estava ocorrendo tardes e manhãs. Da mesma forma como no princípio da Criação, também nos novos céus e na nova terra na eternidade futura, o grande luzeiro (o sol) não mais será necessário para produzir luz. O Senhor mesmo proverá sua própria luz para tudo iluminar. Ap. 22: 5 , nos garante isso:

“Então, já não haverá noite, nem precisam eles de luz de candeia, nem da luz do sol,

porque o Senhor Deus brilhará sobre eles, e reinarão pelos séculos dos séculos”.

Erisson Machado Moreira

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