O INÍCIO DO MINISTÉRIO (Marcos 1)

Queridos leitores, é maravilhoso poder estudar a vida de Jesus, desta feita a partir dos escritos de Marcos, evangelista que nos deixou um precioso relato, onde pretendeu responder a algumas perguntas que estavam sendo feitas nos seus dias. Talvez, seus compatriotas tivessem curiosidade em saber; quem foi aquele que foi pendurado no tronco? De onde ele era? Por que morreu desse jeito? O que ele fez? O que ensinou? As respostas a essas possíveis perguntas foi o objetivo de Marcos ao escrever sobre a vida de Jesus.


Hoje trataremos do primeiro capítulo, repleto de experiências e de ensinamentos para todos nós. A história, para Marcos, começa com a presença de João Batista, o precursor, exatamente como Isaías, o profeta, havia anunciado em Isaías 40:3. É curioso observar que onde quer que o evangelho fosse anunciado, fatos eram imediatamente associados ao Antigo Testamento, que nos seus 39 livros tinha uma única mensagem: Jesus virá. Se quisermos conhecer bem a vida e o significado da obra de Jesus Cristo, devemos estar familiarizados com o conteúdo do Antigo Testamento.


João Batista efetivamente cumpriu o que havia sido apregoado nas Escrituras, e o fez a partir da mensagem ao arrependimento, mensagem esta que já era conhecida pelos essênios, movimento paralelo ao dos fariseus sobre os quais falaremos mais adiante, que a si mesmos se intitulavam comunidade do arrependimento. João veio do deserto, local que era conhecido como apropriado à purificação, e lugar onde os essênios habitavam. Curioso que estes praticavam banhos diários por imersão que eram conhecidos como banhos de purificação. Mesmo com todo esse rigor, João Batista igualmente os convocou ao arrependimento, que não significa simplesmente uma mudança de mente, de opinião, mas é mais: é um retorno completo para Deus. Com isso, percebemos que aqueles cerimoniais não significavam a presença de Deus, fato que Jesus fez questão de ressaltar, e que Marcos registrou com maestria.


João Batista apelou a toda a nação judia, exigiu confissão, arrependimento e batismo, mostrou que haveria alguém maior do que ele se aproximando, trazendo o batismo perfeito, o do Espírito Santo. Não foi surpresa para ninguém, então, quando Jesus de Nazaré da Galiléia, vindo ao Jordão, quis ser batizado por ele. O que aconteceu naquele momento sim, pode haver sido inesperado.


Marcos resume o batismo de Jesus em três simples versículos, mas que não omitem os acontecimentos que fizeram daquele batismo uma ocasião especial: os céus se abriram, o Espírito Santo desceu sobre Jesus e uma voz foi ouvida dos céus, dizendo: tu és meu Filho amado, em ti me comprazo. A voz é uma resposta que se segue à confissão de submissão à vontade de Deus, naquela hora proclamada, o que Adolf Pohl chama de um diálogo amoroso entre o Pai e o Filho: a confissão do Filho ao Pai é ratificada pela confissão do Pai ao Filho. Ainda hoje, Deus honra àquele que o confessa diante dos homens, e que se mantém fiel à sua soberana vontade. Atentemos para isso.


O relato prossegue, e agora vemos o deserto, conhecido em Jeremias 2:2 como terra onde não se semeia, sendo outra vez colocado em destaque. O local do batismo muda, entra na cena o lugar de provação, mas também a região onde o povo de Deus nasceu, onde a Lei e a Aliança foram promulgadas e para Israel também o lugar dos novos começos, mesmo em meio a terrores. É válido destacar que muda o ambiente onde Jesus se encontrava, e o convívio também. A voz do céu é substituída pela voz do tentador, mas a presença do Espírito Santo transforma aquela luta em vitória para todos nós. Marcos é conciso pois não estava interessado em mostrar o que Satanás fazia, mas sim como Jesus se tornava vitorioso. Se pensarmos bem, em todo o tempo que esteve entre nós, a vida de Jesus se resumiu ao conflito entre o bem e o mal, e pelo Espírito discerniu o caminho a seguir. É sempre assim, ouvintes, em meio às aflições e temores desta vida, é a doce companhia do Espírito Santo que nos ajuda e nos torna vitoriosos.


Este capítulo introdutório é rico em episódios o que torna difícil o resumo neste momento. Após as tentações, e tendo João Batista sido preso, Jesus surge a proclamar também o arrependimento, pregando: o tempo está cumprido e o reino de Deus está próximo: arrependei-vos e crede no Evangelho! O tempo está cumprido, ou seja, o próprio Deus coloca fim à espera do Messias. Deus não quer mais olhar o seu povo sendo aprisionado pelo legalismo, à semelhança do que decidiu quando mandou Moisés terminar com a escravidão do Egito. Agora, diz Jesus, é tempo de salvação, liberdade e de possibilidade de erguer a cabeça e tornar a conversar com Deus. Para isso, basta dizer sim à mensagem do arrependimento e adotar um compromisso com Deus, qual seja, o de uma vida que reflita a comunhão com Ele. O amigo já conhece os benefícios desse arrependimento?

Marcos continua sua história, agora mostrando que o discipulado era conseqüência de uma chamada. Há uma diferença entre seguir a Jesus e ser enviado por Ele para um ministério. Normalmente, naquela época, uma pessoa que desejasse ser discípulo de um Rabi poderia buscá-lo e pedir que o aceitasse,. como se, após uma entrevista, fosse aceito em uma escola ou empresa. Aqui, vemos Jesus convocando quatro pescadores, que responderam de imediato. A chamada de Jesus foi para o serviço, para uma entrega incondicional, o que eles não tinham ainda maturidade para compreender naquele momento.


O Dr. Raymond Brown nos ajuda a compreender bem o que se passou naquele momento: Jesus deu aos quatro uma obra a realizar, e com isso mostrou o quanto acreditava nas pessoas comuns ao ponto de estar disposto a lhes entregar um trabalho sagrado. Jesus confiou em pessoas simples, comuns, mortais. Mostrou, desta forma, o quanto se preocupava com o ser humano, querendo oferecer-lhe redenção. A pesca, diz Dr. Brown, era uma das atividades mais importantes que um homem pudesse fazer na Galiléia. O peixe era o alimento básico para todos os que viviam ali. Essa chamada dos discípulos incluía quatro coisas: redenção de si mesmos, renúncia, companheirismo com Jesus e serviço aos demais. É a síntese do próprio ministério de Jesus, ou seja, o significado do Evangelho. A chamada de Jesus veio para aqueles que estavam em seus trabalhos diários, deixando tudo para servir ao Senhor. O ouvinte está disposto a ser chamado por Deus para uma obra especial? Pense sobre isso.


Os episódios que se seguem estão intimamente relacionados com a autoridade que Jesus tinha: ele curou um endemoniado, uma senhora doente e um leproso. Em todos os momentos ele foi levado a dar a ordem que libertaria as pessoas. Ao repreender o demônio, mostrou que era Senhor, pois ser Senhor, neste texto, significa ter condições de criar e de repreender, condenar. As pessoas em volta estavam admiradas, o demônio saiu, Deus chegou. Louvado seja Deus pela libertação que nos concede!


A sogra de Pedro, após haver sido curada, vê Jesus oferecendo-lhe a mão e ajudando no levantar. Com isso, Marcos demonstra a restauração da saúde naquela vida. Jesus quebrou naquele momento uma outra tradição, a que dizia ser humilhante para um grupo de homens ser servido por uma mulher, trabalho este destinado a escravos. Jesus, após restabelecer a saúde, inclui aquela senhora na comunhão à mesa com seus discípulos. Servir é um termo aplicado a discípulos, se ela os servia, entendido estava que também o seguia. Libertação completa: da doença, do preconceito, do sentimento de inferioridade.


Estamos concluindo, mas ainda nos resta tecer poucos comentários sobre a cura de um leproso que, de joelhos, rogou a Jesus: se quiseres, podes purificar-me. Como os doentes não podiam participar do culto em função da impureza, não teriam condição de ouvir Jesus que falava na sinagoga. O leproso fazia parte desse quadro e mostra que alguma coisa já conhecia de Jesus, porque afirmou: se quiseres, podes purificar-me. Com esta forma de tratamento, mostra que está tateando pelo Filho de Deus e ao encontrar-se com o Filho, na verdade Ele encontrou-se com Deus porque Jesus, desafiando toda e qualquer tradição, tocou-o e disse: quero, sê limpo!


Esse Jesus, cuja vida nos acompanhará durante treze lições, está vivo e continua a fazer milagres na vida de todo aquele que dele se aproximar, movido pela fé. Que seja assim na sua vida a partir de hoje!

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