O MINISTÉRIO NA GALILEIA (Marcos 2 e 3)

Queridos leitores, diante de nós um grande desafio, qual seja o de condensar dois capítulos do evangelho de Marcos, ambos tratando de assuntos da maior relevância para a nossa compreensão da grandiosidade de Jesus. Logo de início, deparamo-nos com Jesus curando um paralítico, que havia sido levado à presença dele por 4 amigos, e baixado pelo telhado. Ao vê-los, Jesus foi mais longe: compreendeu a fé que havia por detrás daquele gesto e, com ênfase, afirmou: Filho, os teus pecados estão perdoados.


Ao curar o coxo, Jesus desafiou os legalistas, pois declarou que tinha a autoridade de Deus para perdoar pecados e para curar. Aqui temos Jesus, pela primeira vez em Marcos, denominando-se Filho do Homem, expressão que tem, também, o significado de mensageiro de Deus no final dos tempos.


Perdoar pecados era um sinal invisível da sua autoridade e o curar era o visível: “ora, para que saibais que o Filho do Homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados, disse ao paralítico: eu te mando: levanta-te, toma o teu leito e vai para a tua casa.” Sendo assim, a cura do homem coxo é uma história da graça de Deus manifestada pela autoridade de Jesus, salvador dos pecadores.


Após o milagre, Jesus tornou-se a dirigir para a orla marítima, sendo seguido pela multidão que havia presenciado milagres. Olhando para o lado, viu um homem, cujo nome Marcos identifica como sendo Mateus, e ordenou: segue-me.


Precisamos compreender o que se passou aqui. Os coletores de impostos, como Levi ou Mateus, trabalhavam para os ricos agentes cobradores que tinham que entregar impostos ao governo romano. Eram, então, desprezados porque buscavam o bem de Herodes Antipas, além de roubarem o povo, aumentando aleatoriamente os impostos. Todos eles desejavam muito mais o dinheiro do que a Deus, mas Jesus não viu em Levi o que os outros diziam, Ele viu o futuro discípulo, o servo ao inteiro dispor do Mestre. Obviamente, isso contrariou bastante os líderes religiosos, que jamais iriam se aproximar de um homem considerado pecador. Que curioso, pecadores achando-se perfeitos porque cumpriam a lei, e vem o Filho de Deus e aponta o pecado neles e não em Mateus. Como é precioso saber que não estamos à mercê do julgamento de pessoas, podemos confiar no que Jesus vê em nós!


Entra em cena a questão do jejum, praticado pelos discípulos de João e pelos fariseus, mas não pelos doze. O jejum tinha um lugar de honra no judaísmo do primeiro século, sendo obrigatório um dia de expiação. Alguns praticavam o jejum como sinal de contrição e fidelidade, outros, por ser um ritual. Os discípulos de João e os fariseus ainda aguardavam a vinda do Reino de Deus, mas Jesus cria que esse reino estava em seu próprio ministério: os enfermos eram curados, os demônios saíam das pessoas, as boas novas eram pregadas, por que jejuar? Era hora para comemorar, para alegria porque o noivo estava entre eles, a redenção de Deus era maior do que qualquer vasilha judaica, aqui estava o vinho novo, era tempo de festa, não de choro.


Outro item que tinha um lugar de honra no judaísmo era a prática do Sábado. O leitor, quando puder, deve conferirr o que se encontra em Êxodo 20, e compreenderá que era um dia sagrado, destinado à adoração e ao descanso. Pela devoção ao Sábado, o povo judeu havia estado capacitado para nutrir sua fé em Deus e fortalecer a educação religiosa de seus filhos, diz-nos o Dr. Raymond Brown. Marcos nos fala, a partir do versículo 23, que os discípulos de Jesus cortaram espigas e comeram o trigo, ato que foi considerado descumprimento da lei.


Respondendo aos fariseus, Jesus cita o Antigo Testamento, ou seja, a mesma base que os fariseus usavam para criticá-lo, e lembrando a todos o episódio relatado em I Samuel 21:1-6, afirmou que a necessidade humana tinha preferência sobre a Lei, que o Sábado não existia para escravizar as pessoas, mas para liberá-las e que, como Filho do Homem, ele era senhor do sábado. Deus é o dono da Lei e não prisioneiro dela.


Tenhamos em mente uma realidade: o que Jesus estava fazendo era mostrar o perigo de uma prática desvinculada de um sentido, o que até hoje enfrentamos.


Quantas vezes fazemos algo sem refletir no que representa, cantamos hinos sem pensar no que estamos dizendo, repetimos palavras em forma de oração sem que efetivamente estejamos nos dirigindo a Deus. O princípio é o mesmo, e o que Jesus denunciou continua sendo uma advertência para todos os que desejamos ser seus discípulos.


O capítulo 3 de Marcos fala-nos de vários e importantes assuntos. Vamos escolher, dentre eles, a chamada dos doze, o que podemos ler a partir do versículo 13. Esse assunto foi abordado por todos os evangelistas sinópticos, com pequenas variações. Marcos destacou que a convocação dos discípulos foi um dos aspectos mais significativos do ministério de Jesus. Os doze seriam o núcleo do povo de Deus reunido ao redor de Jesus e participariam do trabalho que Ele estava realizando.


Algumas coisas ficaram bem definidas para a equipe de Jesus e seu trabalho tinha três aspectos. Primeiro, os doze teriam que estar sempre com ele. Estariam andando com ele e unidos pelo amor. Aprenderiam sobre a fé, a sua obra redentora e compreenderiam que competiria a eles continuar o trabalho. Em segundo lugar, eles foram chamados para pregar as boas novas do Reino de Deus. Eles não foram atrás desse trabalho, foram comissionados a executá-lo. O terceiro aspecto tem a ver com o poder que receberiam de Jesus. Ele expulsariam demônios, fariam milagres, apregoariam a chegada do reino de Deus.


A seara continua branca, e os ceifeiros ainda poucos. Será que Deus errou na conta que fez dos que seriam necessários ao estabelecimento do Reino neste mundo ou estamos deixando de ouvir o seu chamado e perdendo a oportunidade de realizar um grande ministério para Deus? O leitor tem alguma resposta para esta pergunta?


Finalmente, bom é que nos detenhamos nos versículos finais do capítulo 3, onde percebemos Jesus enfrentando dificuldades com a sua própria família. Desta vez, o grupo que dele se aproximou com a intenção de interromper o seu trabalho incluía sua mãe, Maria, e seus irmãos, os demais filhos de Maria. Neste relato, Marcos desejou mostrar que Jesus considerava o seu ministério de apresentar a obra redentora de Deus como um laço maior do que o das relações familiares. Jesus, diz-nos Marcos, chama homens e mulheres de todas as nacionalidades e classes sociais; judeus ou gentios. Ele não recusou ou abandonou a família, ele a ampliou porque aceitou como sendo parte dela todo aquele que aceita o seu ministério de redenção.


O Dr. William Barclay apresenta 4 sugestões daquilo que considera ser um verdadeiro parentesco: ele se encontra em uma experiência comum, descansa em interesses comuns, cultiva uma obediência comum e persegue uma meta comum. Jesus ofereceu como meta de vida o companheirismo e a implementação do Reino de Deus em sua família. Qualquer pessoa que aceitava de coração a Jesus, tinha acesso imediato à comunhão com Deus e passava a esperar uma vida com Deus, no futuro. Aqui vemos um alerta às famílias de obreiros: cuidem para não servirem de empecilho à obra do Senhor.


Diante de nós, então, dois importantes chamados: ao discipulado e a pertencer à família de Jesus Cristo, aquela que mantém com Ele uma experiência comum, interesses comuns, obediência fiel e busca um só objetivo: fazer, de todas as formas, a vontade de Deus neste mundo.


Um chamado não exclui o outro, antes o complementa. Para ambos, Jesus espera o nosso sim. Ele mesmo nos ajudará a caminhar nessa trajetória de fé.

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