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O MINISTÉRIO SE AMPLIA (João 6 e 7)

As lições que estudamos até aqui nos apresentaram alguns dos milagres realizados pelo Senhor Jesus. Foram operações de poder que trouxeram bênção para a vida de quem estava em aflição e sofrimento, tanto quanto serviram como sinais que despertaram a atenção para a pessoa de Jesus.

 

O Senhor Jesus não perdia tempo nem ocasião para trabalhar pela causa que o trouxe ao mundo. Ele mesmo disse, respondendo aos judeus que o perseguiam: “Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também” (5:17).

 

Cada nova situação que surgia era uma oportunidade a mais para que Jesus fosse ampliando o seu ministério. Isso foi acontecendo em aspectos diversos: simultaneamente, Jesus ia ensinando mais e mais a respeito do reino de Deus, do Cristo e da obra redentora que veio realizar; multiplicavam-se as curas de enfermidades; crescia o número de pessoas alcançadas; os seus sinais e milagres iam se manifestando em diferentes situações, com poder sobre diversos elementos materiais e da natureza; Ele mostrava autoridade sobre demônios e espíritos imundos.

 

Os feitos de Jesus, caracterizados por bondade e poder, foram atraindo um crescente número de pessoas. Diz João que “grande multidão o seguia; porque via os sinais que operava sobre os enfermos” (6:2).

 

Não foi diferente quando de volta à Galileia, estando do outro lado do mar, em Tiberíades, Jesus subiu ao monte com os seus discípulos e logo grande multidão foi se aproximando; eram pessoas que vinham a pé de todas as cidades. Movido por íntima compaixão, Jesus passou a ensinar-lhes muitas coisas porque “eram como ovelhas que não têm pastor” (Marcos 6:34); pessoas que se encontravam sem a devida orientação a respeito das coisas espirituais e do reino de Deus e, por isso, vulneráveis a influências nocivas.

 

Avançada a hora e não tendo eles o que comer, Jesus realizou o milagre da primeira multiplicação dos pães, de modo que todos comeram até ficarem satisfeitos e ainda sobraram doze cestos de pães e peixes.  Este é o único milagre de Jesus narrado pelos quatro evangelistas. A sua sensibilidade pelas necessidades humanas, aliada à sua bondade, fazia com que o seu ministério se tornasse amplo e abrangente. Ele alimentou a alma e o corpo dos seus seguidores. A sua benevolência o levava sempre a fazer o bem e permanece assim.

 

Contudo, o ministério terreno de Jesus visava alcançar objetivos ainda maiores e chegar ao âmago da necessidade humana, muitas vezes ignorado pela própria pessoa. Foi com este propósito, logo após a multiplicação dos pães, enquanto muitos continuavam a procurá-lo e a segui-lo, que Jesus, estando desta feita em Cafarnaum, proferiu uma das principais mensagens do Evangelho.

 

A introdução do seu discurso foi uma revelação quanto à motivação errônea que se achava oculta no coração de grande parte daqueles seguidores: “Na verdade, na verdade vos digo que me buscais, não pelos sinais que vistes, mas porque comestes dos pães e vos saciastes” (6:26). O interesse era apenas de ordem material e temporal, quando Jesus veio com uma finalidade maior, mais ampla, de natureza espiritual e eterna.

 

O cuidado com o suprimento material e físico é legítimo. O Senhor Jesus sempre contemplou essa necessidade humana. O equívoco está em fazer disso o motivo para seguir a Jesus.

 

Querendo despertar os seus ouvintes para a realidade espiritual do seu ministério e valendo-se de que a impressão deixada pelo milagre da multiplicação dos pães ainda estava viva em suas mentes e emoções, Jesus passou a falar de Si, revelando-se aos seus seguidores como o pão da vida para os que creem. Neste intento, ele disse: “Eu sou o pão da vida” (6:48); “Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre” (6:51). O pão vivo, diferente do pão perecível que alimenta o corpo e até mesmo do maná no deserto, é perene e dá vida eterna a quem se alimenta dele.

 

As palavras de Jesus deveriam ser entendidas em sentido espiritual, assim como foram o novo nascimento para Nicodemos no capítulo três e a água viva para a mulher samaritana no capítulo quatro. Considerando a realidade espiritual, alimentar-se de Cristo significa receber as suas palavras e os seus ensinos para obedecê-los, porque eles são alimento que dá vida, à semelhança do que fez o profeta Jeremias, ao dizer: “Quando as tuas palavras foram encontradas, eu as comi: e elas eram para mim o regozijo e a alegria do meu coração” (Jeremias 15:16). O próprio Senhor Jesus ressaltou que as palavras ditas por Ele são espírito e vida (6:63).

 

Na base de sua mensagem, Jesus estava tornando conhecida a vontade do Pai em dar salvação e vida eterna a todo aquele que queira vir a Cristo (6:39), quando disse: “Porquanto a vontade daquele que me enviou é esta: que todo aquele que vê o Filho, e crê nEle, tenha a vida eterna” (6:40).

 

Lamentavelmente, a partir deste discurso, muitos dos seus discípulos retrocederam e já não seguiam mais a Cristo, achando que o discurso proferido era duro de ouvir (6:60). A deserção de muitos seguidores não causou surpresa ao Mestre, que conhece o íntimo do coração humano. Ele fez desse acontecimento a oportunidade para tratar da necessidade de se estabelecer a diferença entre quem está seguindo a Cristo por razões certas, espiritualmente válidas, e os que O seguem por motivações equivocadas, de caráter material, egoísta e social; quem é o verdadeiro e quem é o falso discípulo.

 

Essa é uma inevitável divisão a ser feita no discipulado de Cristo. Prova disso é encontrada no fato de que, enquanto muitos desertaram, os doze permaneceram. Permaneceram e foram testados por Jesus: “Quereis vós também retirar-vos?”, perguntou. A resposta veio de Pedro, numa das mais lindas e profundas declarações de fé: “Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras de vida eterna”. Seguidamente, falando em nome de todos, ele disse: “E nós temos crido e conhecido que tu és o Cristo, o Filho de Deus (6:68-69). Muitos vinham seguindo a Cristo por razões puramente materialistas, com o coração fechado para as necessidades espirituais, os doze, exceto Judas Iscariotes, haviam encontrado a motivação correta: estavam atraídos pelas palavras de vida eterna que somente Jesus possui, crendo e conhecendo que Jesus era o Cristo, o Filho de Deus.

 

Crer e conhecer que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, é indispensável à salvação que conduz à vida eterna. Essa é uma experiência pessoal, individual. É necessário que cada indivíduo, um a um, tenha um encontro com Cristo e, por experiência pessoal com Jesus, creia nEle e O receba como Senhor e Salvador. Considerar-se cristão por pertencer a uma família de cristãos não é suficiente para levar alguém à salvação. O evangelista João registrou uma nota lamentável a respeito da incredulidade dos próprios irmãos do Senhor Jesus.

 

Depois de feita a identificação dos verdadeiros discípulos, Jesus permaneceu na Galileia, evitando andar pela Judeia em razão da perseguição que recebia dos judeus. Os seus irmãos, no entanto, o incitavam a ir a Judeia, por ocasião da Festa dos Tabernáculos. Em tom de dúvida e descrença, eles alegavam que Jesus deveria mostrar ao mundo as obras que fazia, porque, diz o texto “nem mesmo os seus irmãos criam nEle” (7:5). Eles tinham conhecimento das obras que Jesus fazia, mas não conheciam o Salvador; viam as obras, mas não viam Cristo, o Filho de Deus, através das obras. Para ver Jesus, o Salvador, é preciso ter olhos espirituais abertos e coração receptivo.

 

Felizmente, mais adiante, após a morte e ressurreição de Jesus, os seus irmãos se converteram e passaram a crer em Cristo. Dois deles, Tiago e Judas, escreveram dois livros da Bíblia.

 

Se há alguém entre os leitores que tem adiado a decisão de receber a Jesus como Salvador pessoal, para segui-lo pelas corretas motivações espirituais, não espere mais. Aceite a Jesus. Ele é o Cristo, o Filho de Deus que desceu do céu para dar vida eterna a todos os que creem em Seu nome.

 

Consulta Bibliográfica

 

BRUCE, F. F. Introdução e Comentário

São Paulo: Vida Nova, 1987.

 

MACLEOD, A. J. João, in O Novo Comentário da Bíblia. Vol. III

São Paulo: Vida Nova, 1963.

 

McNAIR, S. E. A Bíblia Explicada. 4ª ed.

Rio de Janeiro: CPAD, 1983.

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