LEVÍTICO II – LEIS E PROIBIÇÕES (Levítico 13 a 20)

1. Introdução Neste estudo entramos na segunda parte do livro de Levítico, que vai do capítulo 18 a 27. Aqui são encontradas questões práticas sobre ética, direito civil, moralidade e santidade. Dos vários temas disponíveis escolhemos os abordados no capítulo 18, onde identificaremos três princípios que poderão nos auxiliar a compreender melhor as leis que encontramos nesse terceiro livro do Pentateuco e que se aplicam aos nossos dias [1a]. Princípio I: “Eu sou o Senhor” Quando Javé libertou os israelitas da escravidão no Egito, Ele fez um concerto ou um pacto com eles. Na apresentação dos Dez Mandamentos, que fazem parte desse concerto, Deus declara em Êxodo 20.2 “Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão”. A partir dos vários usos dessa expressão no Pentateuco, quase sempre no contexto de alguma lei ou norma que Deus estabelece, destacamos os seguintes pontos: a) A expressão lembra que foi Deus quem libertou os israelitas do Egito. Esta declaração se aplica também hoje ao Israel Espiritual, composto pelos crentes que aceitam Jesus como Salvador e Senhor. O Plano de Redenção que Deus preparou se aplica a todos os povos. b) A expressão lembra que a soberania de Javé não é apenas sobre Israel, mas também sobre os egípcios, seus deuses, sobre o Faraó e sobre os demais povos em qualquer tempo. c) Antes do Êxodo, Deus era conhecido como Deus dos patriarcas, mas agora passa a ser também reconhecido como Rei de Israel. Isso ocorre quando Javé liberta os israelitas do Egito e os leva rumo a Canaã, terra onde haveriam de se estabelecer como povo. Além da promessa da terra Deus lhes dá uma constituição (a Lei Mosaica), o que inclui não apenas as questões civis, mas as religiosas que regulariam o relacionamento do povo com Javé. d) Ela aponta para uma relação de propriedade ou posse de Deus em relação ao povo. Antes, eles eram servos de Faraó. Agora, passam a ser servos de Javé conforme vemos em Lv. 25.42 e 55. Nessa condição, Deus tem o direito não apenas de legislar, mas também de estabelecer leis para o seu povo. Princípio II: O povo de Deus não deveria seguir os estatutos dos egípcios ou dos cananeus (Lv. 18:3) Os israelitas não deveriam seguir as práticas, costumes e leis nem dos egípcios que ficaram para trás, e nem as dos cananeus que encontrariam à frente, uma vez que muitas delas eram contrárias aos caminhos do Senhor. Várias das abominações praticadas na época e a distância delas em relação aos propósitos de Deus para o seu povo podem ser parcialmente conhecidas a partir das proibições estabelecidas nas áreas do casamento, sexo, família, religião, ética e vida em sociedade. Princípio III: Os israelitas deveriam seguir os estatutos do Senhor (Lv. 18.4,5) Em essência, o que Javé estabelece para seu povo é oposto ao que praticam os egípcios e cananeus. Além disso, aquele que segue os caminhos do Senhor será poupado e terá vida. Será também um recipiente de bênçãos provenientes de Deus. 2. Três níveis de limites Lv 18.6-30 vai nos apresentar três níveis de limites para questões ligadas à sexualidade humana, de acordo com uma perspectiva divina. O primeiro nível proíbe o relacionamento sexual entre parentes próximos, o segundo, limita o relacionamento sexual apenas ao espaço do casamento e o terceiro, aborda a questão dos relacionamentos considerados não naturais. Na parte final (v. 24 a 30) encontramos o julgamento de Deus contra todas as nações que venham a ultrapassar esses limites. Uma questão importante para se compreender a questão da sexualidade dentro de uma perspectiva bíblica é que em havendo uma relação sexual entre um homem e uma mulher, na realidade estabelece-se um casamento [2]. Ou seja, diferentemente do que muitos aceitam hoje como prática e cultura, relacionamento sexual e casamento não são coisas distintas ou independentes, mas sim uma única coisa. Dessa forma, nem há muito sentido em se falar em relacionamento sexual “antes” do casamento uma vez que havendo a relação sexual, já ocorre um casamento. O problema aqui passa então a ser a existência de múltiplos casamentos, algo que se afasta do ideal de Deus para o ser humano, que é o relacionamento monogâmico. Limite I: Relacionamento sexual entre parentes próximos A palavra atual para este caso é “incesto”. Algumas culturas antigas achavam haver mérito diante dos deuses quando ocorriam uniões com mães, filhas e irmãs. Contudo, no caso de Israel a lei é clara ao proibir todo o tipo de relacionamento sexual entre parentes próximos conforme listado em Lv. 18.7-18. Limite II: Relações e casamento Em Lv. 18.20 encontramos uma clara proibição quanto ao adultério que, em termos Bíblicos, significa ato ou prática do relacionamento sexual que ocorre fora do casamento. O adultério faz com que o relacionamento sexual ocupe um status independente ou autônomo em relação ao casamento. Nesse aspecto, o ideal de Deus é comprometido. O adultério tem como objetivo essencial a busca da satisfação pessoal e não a busca de um relacionamento para a vida. Vale observar que alguém pode deixar de ser marido ou mulher, mas jamais deixará de ser pai ou mãe. Da mesma forma que alguém jamais deixará de ser filho ou filha de seu pai ou mãe. Isso nos lembra que o ato sexual entre um casal tem uma implicação de grande dimensão existencial porque este ato tem o potencial (e uma probabilidade não nula) de gerar uma vida. Talvez isso explique porque a questão do casamento é tratada de maneira tão séria. Limite III: Relacionamentos não naturais Ao se aceitar que o relacionamento sexual pode ser separado do contexto do casamento entre um homem e uma mulher, abre-se um flanco para experiências entre membros do mesmo sexo. Lv. 18.22 estabelece com clareza o erro desta atitude quando afirma “com homem não te deitarás, como se fosse mulher; abominação é”. No verso seguinte e como desdobramento maior do que alguém possa entender como liberdade sexual, vem a proibição da prática de relações com animais “Nem te deitarás com um animal, para te contaminares com ele; nem a mulher se porá perante um animal, para ajuntar-se com ele; confusão é” (Lv. 18.23). 3. Conclusão Dado que o povo de Deus hoje é o Israel Espiritual, composto por aqueles que aceitam Jesus como Salvador e Senhor de suas vidas, nada mais coerente e honesto do que esse povo seguir os princípios estabelecidos pelo Senhor, os quais permanecem válidos. Alguns desejarão discutir quais as normas e leis que foram revogadas. No presente caso, entretanto tratamos de princípios que permanecem. Eles foram apresentados em conjunto. Não há sentido em se defender que não haja a prática do incesto e revogar a prática do adultério ou do homossexualismo. Que possamos sempre procurar sabedoria do alto para identificar, compreender e aplicar esses princípios em nossas vidas. “Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão” (Êxodo 20.2).

Bibliografia: [1] “Leviticus: Sacrifice and Sanctification, Part III, Highlights in the History of Israel, [a] Obedience—The Obligation of Being Owned” [b] “The Boundaries of Godly Sexuality” Robert L. Deffinbaugh, Th.M. [2] Ética Cristã – Cap. 11 – Norman L. Geisler Edições Vida Nova

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