"A 1ª Bem-aventurança.” - Mateus 5.3
Jesus disse:³ — Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus.
O sermão do monte
¹ Ao ver as multidões, Jesus subiu ao monte. Ele se assentou e os seus discípulos se aproximaram dele. ² então ele passou a ensiná-los.
As bem-aventuranças
Introdução
Neste conjunto de estudos bíblicos, exploraremos as “Bem-aventuranças” pronunciadas por Jesus e registradas pelo evangelista Mateus, o primeiro livro do Novo Testamento, conforme a ordem apresentada nas Escrituras.
O Sermão do Monte, também chamado de ensino do monte, foi transmitido por Jesus no Monte das Bem-aventuranças, também conhecido como Monte da Beatitudes. Esse local tem uma inclinação direcionada ao Mar da Galileia, proporcionando uma bela paisagem, ambiente tranquilo e acústica favorável, situado entre Cafarnaum e Taba, na região da Galileia.
A escolha do Monte das Bem-aventuranças como cenário para o ensino de Jesus à multidão foi feita de maneira consciente e estratégica, demonstrando sua intenção de atingir a todos com sua mensagem.
Vejamos, portanto, o que o texto nos ensina.
O termo “Bem-aventurado” pode ser compreendido como “feliz” ou “abençoado”. Assim, dizemos que uma pessoa é verdadeiramente bem-aventurada quando encontra felicidade e bênção ao praticar os ensinamentos de Cristo apresentados no sermão do monte.
Referente à primeira bem-aventurança, algumas traduções bíblicas utilizam a expressão “pobres de espírito”, porém uma tradução mais fiel seria “humildes de espírito”. O termo “pobre” pode induzir ao entendimento de carência material, mas não era essa a intenção de Jesus ao proclamar esta bem-aventurança. Se a tradução apresenta “pobre de espírito”, refere-se a uma pobreza espiritual, ou seja, ao reconhecimento da necessidade interior de Deus, e não à falta de recursos materiais.
É importante salientar ainda que o reino mencionado é o dos céus, e não da terra. Este reino tem início em Deus, antes mesmo da criação do mundo, sendo o céu a morada da família celestial. Ali, coexistem a Trindade Santa e o exército de anjos, que adoram e servem diante do trono divino. Dessa forma, a origem do reino é divina, e não terrena, e seu alcance é universal, abrangendo pessoas de todas as classes sociais e condições econômicas.
O Reino dos Céus, conforme apresentado por Jesus, tem origem divina e não humana. Ele é oferecido gratuitamente a todos, independentemente de classe social, nacionalidade ou qualquer outro critério humano. Essa universalidade revela que o acesso ao Reino não depende de méritos ou status, mas da disposição interior de acolher a graça de Deus. Todos são convidados a participar, desde que reconheçam sua dependência e vulnerabilidade diante do Criador.
Portanto, o reino dos céus é destinado não àqueles desprovidos de bens materiais, mas àqueles que reconhecem sua total dependência e fraqueza diante de Deus, assumindo uma postura de humildade espiritual.
Qual a origem da palavra humilde?
A palavra hebraica traduzida por "bem-aventurança", ‘esher, como aparece no Salmo 1, significa literalmente "quão feliz". Nesse contexto, expressa a ideia de felicidade e ventura, ressaltando a satisfação profunda de quem confia em Deus, encontra refúgio Nele, caminha segundo a Sua lei, tem os pecados perdoados e vive em comunhão com o Senhor. O teólogo norte-americano R. C. Sproul destaca que, na mentalidade hebraica, ser abençoado é "ter a alma cheia da capacidade de experimentar o encanto, a excelência e a doçura do próprio Deus", apontando para uma experiência espiritual intensa e transformadora.
Por outro lado, para os gregos antigos, o conceito de bem-aventurança estava mais relacionado a bens terrenos, como saúde, bem-estar, filhos e riquezas, além da ideia de beleza e harmonia. Essa diferença evidencia como, na tradição bíblica, a bem-aventurança transcende o material, sendo uma felicidade fundamentada na relação com Deus, enquanto na cultura grega ela se liga mais ao êxito e às realizações humanas.
No latim a palavra humildade vem de “húmus” e significa “chão”, “algo da terra.” – a palavra Humildade significa terra fértil, que vem de húmus significando: solo, terra, como vimos. Na língua portuguesa significa baixeza, vileza. A humildade é a qualidade de ser humilde, com contraste com a arrogância. – Incorpora ideia de gentileza e submissão.,
Assim, Jesus procurou transmitir o conceito de humildade de espírito, e não simplesmente de pobreza de espírito. Em vez de enfatizar a pobreza, Ele destacou que são bem-aventurados os “humildes de espírito”.
Segundo Herminster Maia, no livro Felicidade segundo Deus, a verdadeira bem-aventurança não está relacionada à condição de pobreza material, mas sim ao reconhecimento da própria pobreza espiritual e da total dependência de Deus – (MAIA, Herminster – A Felicidade segundo Deus, p.24).
Ser humilde significa esvaziar-se de si mesmo e permitir-se ser preenchido por Deus. É reconhecer a grandeza do Senhor e se abrir para ser guiado por Ele, admitindo que todo poder e glória pertencem somente a Deus.
De acordo com Martyn Lloyd-Jones, trata-se de um processo de “esvaziamento”. Não é possível ser cheio de Deus sem antes se esvaziar de si próprio. Existe um momento de esvaziamento, necessário para que o enchimento espiritual aconteça plenamente (Lloyd-Jones, Estudos no Sermão do Monte. Fiel, p. 37).
Esta atitude de humildade foi exatamente o que Cristo praticou e nos ensinou no ensino paulino registrado em Filipenses 2.5-8, que assim diz Sobre o exemplo de Cristo na humilhação:
5” Tenham entre vocês o mesmo modo de pensar de Cristo Jesus, 6 que, mesmo existindo na forma de Deus, não considerou o ser igual a Deus algo que deveria ser retido a qualquer custo. 7Pelo contrário, ele se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se semelhante aos seres humanos. E, reconhecido em figura humana, 8 ele se humilhou, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz.”
Conclusão
"Pobres de espírito" versus "Humilde de espírito"
Ao mencionar "bem-aventurados os pobres de espírito", Jesus não se refere à pobreza material, mas àqueles que reconhecem sua limitação e dependência diante de Deus. "Pobres de espírito" são aqueles que, conscientes de suas fragilidades, abrem espaço para a ação divina em suas vidas. Já a expressão "humilde de espírito" também aponta para essa atitude de reconhecimento das próprias limitações, mas enfatiza ainda mais a disposição interior de se colocar com simplicidade e entrega diante de Deus. Assim, a bem-aventurança não está atrelada à condição socioeconômica, mas sim à humildade espiritual, à abertura sincera do coração para Deus.
A verdadeira bem-aventurança está em reconhecer nossa pequenez e necessidade de Deus. Ser "pobre de espírito" ou "humilde de espírito" é assumir uma postura de abertura, confiança e entrega total ao Senhor, permitindo que Ele conduza nossa vida. O Reino dos Céus é promessa para todos que, com humildade, se colocam nas mãos de Deus, reconhecendo que a verdadeira felicidade não se encontra nas riquezas ou no status, mas na comunhão com o divino.
Que o Senhor nos dê um coração humilde na presença dele e das pessoas que convivemos para que sejamos bem-aventurados, felizes, abençoados. Até o próximo estudo que versará sobre a segunda bem-aventurança.


Comentários