COMO ENCARAR O SOFRIMENTO
- Ana Maria Suman Gomes

- 2 de mar.
- 4 min de leitura
Hoje, temos outro texto básico grande, pois tem início no capítulo 25 terminando, somente no de número 30, o que torna muito difícil resumir em poucas palavras o que ali está escrito. Nada obstante, a leitura de todos os capítulos poderá ajudar o amado leitor a compreender melhor o que agora vamos tentar resumir.
Bildade toma a palavra outra vez, para o seu último discurso. Na verdade, ele não tem muita coisa a acrescentar pois a discussão estava quase esgotada. Ansioso por dizer algo, repete ideias expressas antes por Elifaz e aceitas por Jó. A repetição aponta para a realidade de que os filósofos esgotaram os seus recursos de sabedoria. Para Bildade, Jó, um insignificante verme do pó, não deve ter esperanças de comprovar sua inocência diante de Deus. Seu discurso é reverente, mas irrelevante para aquela situação.
Ele afirma que o homem insignificante não vale nada no espaço infinito da mente de Deus. Mais tarde encontramos Jó afirmando que Deus, exatamente por causa da Sua capacidade ilimitada para o conhecimento, pode dar a cada indivíduo a mais completa atenção pessoal, embora seja, o ser humano, tão pequeno se comparado ao Criador. E nós podemos dizer Amém, uma vez que sentimos, por intermédio de Jesus Cristo, a presença viva de Deus entre nós, chamando-nos pelo nome, consolando-nos, amparando-nos em nossa caminhada.
A esta altura podemos afirmar que teria sido melhor se os amigos de Jó atentassem para a limitação do próprio conhecimento pois, desta forma, teriam evitado os erros de interpretação e deixado de desagradar a Deus. Tentar consolar alguém a partir de ideias próprias é perigoso. Melhor será ouvir a voz do Senhor, quando chegar o seu momento de ajudar a alguém que sofre.
Em sua réplica a Bildade, Jó domina o palco no maior discurso feito por uma só pessoa em todo o livro. Divide a sua fala em duas partes. A primeira delas é resposta irônica ao pequeno e pouco convincente discurso final de Bildade. Na segunda parte, demonstra compreender perfeitamente as palavras que ouvira acerca do poder de Deus. Nada havia de mais certo do que a anuência de Jó à realidade do inesgotável e supremo poder de Deus. A controvérsia que ele vinha sustentando não se baseava nessa compreensão da onipotência divina.
Para se fazer entender, utiliza-se do último recurso de um homem sendo processado. Empregando um juramento poderoso, entrega sua causa a Deus. O nome de Deus é solenemente invocado como sendo o guardião da justiça, o punidor de todo perjúrio. Essa poderia ser a única proteção de um homem inocente contra o falso testemunho: somente Deus poderia indicar que as acusações dos amigos eram falsas. Jó havia apelado a Deus em muitas ocasiões mas agora, jurando, grita: tão certo como vive o Senhor nunca os meus lábios falarão injustiça nem a minha língua proferirá engano!
O capítulo 28 tem a função de um agradável interlúdio. Vem em forma de poema onde aparece o estribilho que pergunta: mas, onde se achará a sabedoria e onde está o lugar do entendimento? Este refrão divide o poema em três partes. A primeira, composta pelos onze versículos iniciais, poderia ser resumida como: a pesquisa humana não descobriu a sabedoria. A seguinte, de 13 a 19, afirma que as riquezas humanas não podem comprar a sabedoria. A última, de 21 a 27 afirma com ênfase: somente Deus possui a sabedoria que permanece sendo dádiva dele. O último versículo define sabedoria: O temor do Senhor é a sabedoria e o apartar-se do mal é o entendimento.
Os dois capítulos finais fazem um retrospecto da sua vida que se tornou conhecido pela sua importância para o estudo da ética israelita. Seu esboço positivo da vida na sua melhor condição e sua confissão negativa indicam os padrões morais mais elevados. Na consciência de Jó, os pecados não são apenas coisas erradas que as pessoas fazem desobedecendo às leis conhecidas da parte de Deus ou da sociedade. Para ele, omitir fazer o bem a qualquer outro ser humano, qualquer que fosse sua posição ou classe seria um delito grave contra Deus.
Também para Jó as palavras chegam ao fim. Ele lamentou as suas agonias físicas, a sua enfermidade e a falta de um alívio oriundo de uma palavra bondosa ou um toque amistoso. Seus amigos estavam realmente sentados junto a ele, mas não choraram com ele. Isso doía; era a hora de o patriarca também se calar.
Vamos compreender um pouco melhor esta parte, a partir de uma pequena retrospectiva. O primeiro ciclo de discursos apresentou interpretações mais genéricas a respeito de Deus, quando afirmaram que a maneira de Deus tratar os homens estava relacionada com a fidelidade ou não dos homens. O segundo ciclo abordou o destino dos perversos e o último mostrou acusações mais diretas e abertas, chegando a um estágio tal que Jó ficou impossibilitado de dialogar com seus amigos.
Meu leitor, quando Jó parou de falar, Deus começou a ser ouvido. Mais algumas poucas lições e aprenderemos o que Deus pode fazer na vida de alguém, quando os lábios ficam fechados e os ouvidos abertos para entender a revelação de Deus. Como tem sido a sua vida? Quais as reclamações que tem repetido? Que questionamentos tem feito?
Jó foi conduzido ao silêncio e, quando isso aconteceu, Deus apareceu e Se revelou a ele de forma magistral. Que possamos meditar a respeito desse desafio.


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