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COMPANHIA CERTA

As irmãs Katy e Gerda costumavam cantar em dueto o hino "Sombras". As belas vozes de soprano e contralto repetiam, seguras, no refrão: "Sombras, Deus está nas sombras, firme é seu amor em cuidar de nós. Sombras, Deus está nas sombras, não nos deixará lutar, em dor, a sós." Uma das filhas da Gerda, na época ainda menina, saiu para o pátio e ficou procurando algo, embaixo de uma árvore. Quando perguntada, explicou: "Estou procurando Deus. A música diz que ele está nas sombras."


Nestes dias de pandemia assustadora, às vezes nos flagramos procurando Deus nas sombras que nos amedrontam. Sentimo-nos como o poeta, do Navio Negreiro de Castro Alves, que exclama: "Ó Deus, onde estás que não respondes? Em que céu, em que estrela tu te escondes, embuçado nos céus?"


O salmista retrata, no salmo 107, a situação do povo que estava se sentindo abandonado por Deus: "Assentaram-se nas trevas e na sombra mortal, aflitos, desesperados." (v.10)


As sombras nos trazem aflição, medo, desespero. Vemos pessoas queridas sucumbindo à doença. Recebemos a notícia de uma criança que também não resistiu. Sofremos com famílias que perderam vários membros durante a pandemia. Vemos governantes e médicos confusos e angustiados com os índices que não querem baixar. Sombras e mais sombras.


O salmista registra a volta da esperança, quando diz que "ele os tirou das trevas e da sombra mortal, e quebrou as correntes que os prendiam." (v.14)


No salmo do pastor, Davi afirma que, mesmo no vale da sombra da morte, não temerá mal algum, pois o Senhor está com ele. Ele nos acompanha e nos liberta das sombras aterradoras. Nestes dias difíceis e tempestuosos, apeguemo-nos ao Senhor. Como afirma o hino, ele "não nos deixará lutar em dor, a sós".

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