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ENSINOS E EXEMPLOS DE JESUS (Marcos 12)

há 22 horas
6 min de leitura

O capítulo 12 do evangelho de Marcos nos traz temas importantes e atuais. O início é uma parábola, forma de expressão muito usada por Jesus porque Ele gostava de provocar a capacidade de reflexão dos ouvintes.

No entanto, até mesmo essa oportunidade de desenvolvimento da criatividade era restrita aos que cultivavam a fé. Jesus, com a parábola que inicia o capítulo, desafiou os líderes religiosos, usando a linguagem que lhes seria familiar, se estivessem recordados do que temos em Isaías 5:1-7. A parábola falava de um homem que deixou tudo em ordem em relação à sua vinha e foi para um outro país.

No primeiro século, diz-nos o Dr. Raymond Brown, havia esse hábito entre as pessoas que residiam na Galiléia: a vinha era deixada com inquilinos, que recebiam uma quarta parte ou até metade do que cultivavam. O restante era entregue ao dono. Jesus fala de um senhor que mandou emissários receberem a parte que lhe competia, mas os inquilinos os matavam um a um. Finalmente, o dono mandou seu próprio filho, achando com isso que a irregularidade terminaria, mas até mesmo ao Filho, eles mataram.

Claro que o leitor já percebeu que a parábola falava de Jesus, o Filho de Deus e mensageiro do Pai. Os líderes religiosos haviam recusado os avisos proféticos, igualmente a João Batista, o precursor, e agora ao Filho amado.


A parábola sugere um significado alegórico, mas de fácil compreensão: Israel recebeu de Deus uma missão: deveria cuidar da vinha, zelar para que a vontade dEle fosse cumprida. Os líderes religiosos, aqui denominados inquilinos, tinham plena consciência de que a vinha não era deles e de que não eram livres para assumir a propriedade do mundo que tinha dono: o Criador. Os escravos, representados pelos profetas de Deus, vieram para dizer o que o proprietário mandara como, por exemplo, Amós 3:7 e Zacarias 1:4. Não foram escutados. O amado Filho, Jesus, foi enviado em um último esforço para obter a resposta devida ao dono da vinha, e para deixar claro que a ira de Deus viria sobre aqueles que conhecendo a verdade, matariam o Filho. Por isso, Deus, o proprietário da vinha chamaria outros, os gentios, para que fizessem o trabalho que antes havia sido oferecido aos judeus, o que conduziria à exaltação do Filho.


Ao final da parábola, Marcos passa a narrar conflitos que Jesus enfrentou com fariseus, herodianos, saduceus e algumas atitudes que precisou adotar. Jesus viveu sempre tendo que responder aos que o desafiavam; o ministério dele foi extremamente difícil e alvo de tentação diária, chamando-o para descansar e deixar de lado a sua missão. Por muito menos, queridos leitores, nós a todo instante pensamos em desistir. Que a força de Jesus possa ser a nossa força, para que não sejamos levados ao desânimo e à covardia.

O conflito entre fariseus e herodianos foi também algo que atingiu o ministério de Jesus. Recusando-se a ceder às vitorias conseguidas por Jesus, os representantes do Sinédrio enviaram alguns dos pertencentes ao partido dominante, os fariseus, acompanhados dos herodianos, ou seja, dos judeus que aceitavam o governo de Herodes Antipas e sua família.

A aproximação foi cordial: “chegando, disseram-lhe: Mestre, sabemos que és verdadeiro e não te importas com quem quer que seja, porque não olhas a aparência dos homens, antes, seguindo a verdade, ensinas o caminho de Deus: é lícito pagar tributo a César ou não? Devemos ou não devemos pagar?” Marcos 12: 14.

O assunto pagar tributos ou contribuições era polêmico entre os palestinos judeus do primeiro século. Na Galileia, as contribuições e tributos eram pagos a Herodes Antipas, filho de Herodes. Na Judeia, os tributos iriam para César, ou seja, para Roma. Os fariseus pagavam os tributos com má vontade, mas não os herodianos. Daí a reação de Jesus ao vê-los, mesmo com um discurso aparentemente manso:

“Mas Jesus, percebendo-lhes a hipocrisia, respondeu: por que me experimentas? Trazei-me um denário para que eu o veja. E eles lho trouxeram. Perguntou-lhes: de quem é esta efígie e inscrição? Responderam: de César. Disse-lhe então Jesus: daí a César o que é de César, e a Deus, o que é de Deus. E muitos se admiraram dele.” Marcos 12:16 e 17.

Jesus queria que as pessoas fossem responsáveis para com o Estado, a partir de uma consciência que lhes fora dada por Deus. Os visitantes perguntaram a respeito de César, Jesus lhes respondeu mostrando a moeda que tinha a imagem dele e continuou: dai a Deus os vossos corações, os que têm a imagem de Deus. O episódio provocou em todos uma profunda admiração por Jesus.

Os conflitos não estavam concluídos: agora é a vez dos saduceus que, como vimos, era um grupo de líderes religiosos ricos e aristocratas, que não aceitavam a lei oral como válida. Não criam nos anjos, nem em espíritos e ignoravam a ressurreição dos mortos. Tinham domínio absoluto sobre o Templo e o dinheiro que entrava, porque pertenciam às principais famílias sacerdotais. Permaneciam no poder porque sempre estavam dando apoio aos políticos. Seu lema era: “entender-se e seguir a corrente”. Aproximaram-se de Jesus com uma pergunta hipócrita, que envolvia o matrimônio levirato, ou seja, morto um dos irmãos sem deixar filhos, a viúva era entregue a outro irmão e assim sucessivamente até que gerasse um filho, filho este que daria continuidade ao nome do marido morto. O leitor pode ler sobre este costume em Deuteronômio 25:7-1 e Rute 3:9-4:12. Como eles não criam na ressurreição dos mortos, por que fazer aquela pergunta a Jesus?

Três respostas lhes foram dadas: Jesus afirmou que eles não conheciam das fontes mais importantes da revelação, as Escrituras e o Deus vivo. Além disso, nada sabiam da natureza da vida futura. E terminou com uma solene declaração: “quanto à ressurreição dos mortos, não tendes lido no livro de Moisés, no trecho referente à sarça como Deus lhe falou: eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó? Ora, ele não é Deus de mortos, e sim de vivos. Laborais em grande erro.” Marcos 12: 26 e 27.

Depois de três episódios tão conflitantes, aproxima-se um escriba que manteve uma conversa amistosa com Jesus. Ele queria saber qual era o primeiro mandamento de todos. Esta pergunta não saiu do nada, era assunto discutido entre os eruditos, que apontavam itens que deveriam ser observados por aqueles que queriam ser chamados de fiéis.

Jesus foi eloquente em sua resposta: reafirmou os grandes mandamentos do amor que se encontram em Deuteronômio 6:5 e Levítico 19:18. Uniu os mandamentos sem torná-los idênticos. Constituiu o amor a Deus e aos Homens como sendo o coração da Lei. Ensinou que o amor à pessoa nasce do amor a Deus, verdadeira base do amor ao próximo. Mas ele foi além: insistiu em que o amor envolve toda a pessoa: mente, emoções e vontade colocados em ação. O amor, disse ele, é um modo de viver com Deus com tal intensidade, que o próximo chega a ser sempre bem-vindo. Em sua resposta, destruiu a exigência da dependência de leis e regras, ou seja, a religião do ritual. E mais: demonstrou com a própria vida o significado do amor em ação, colocando o amor como a força que une todas as relações da vida. Muito interessante perceber que, quando Jesus enxergava um coração puro, ele respondia de forma a alimentar aquela pessoa com a verdade.

Estamos caminhando para o fim, mas não poderíamos encerrar a análise deste capítulo sem mencionar o elogio de Jesus à viúva pobre. Quão notáveis eram os olhos de Jesus! Viram um homem rico que não quis deixar tudo para honrar a Deus. Viram os líderes religiosos que se aproveitavam dos pobres e os roubavam. Viram algumas pessoas que davam seu dinheiro a Deus, porque o tinham e abundância, mas se fixaram na mulher que deu menos de um centavo, deu tudo que tinha para viver.

Naquele ato, Jesus sentiu a profundidade da entrega a Deus: ela não reteve nada, ficou somente com Deus. O sacrifício, então, não consiste no que se dá, mas no que se retém para si. As pessoas ricas davam algo, a viúva deu tudo e por essa razão ficou na história do ministério de Jesus como a maior doadora de todos.

Amados leitores, os olhos de Jesus continuam a nos fitar. O que será que estão vendo em nós?

 
 
 

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