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EVANGELHO DE LUCAS (Cap. 1 2)

Iniciamos nossa caminhada pelo Evangelho de Lucas. Durante nossos estudos aprenderemos mais sobre a vida e o ministério de Jesus, a partir dos relatos registrados por Lucas.

Lucas não se identifica de forma direta como autor do livro. No entanto, os líderes da Igreja nos primeiros séculos reconheciam que Lucas, o médico amado (Cl 4.14) e companheiro de Paulo (Atos 16.10-17; 20.5-15; 21.1-18; 27 1-28.16) havia escrito o terceiro evangelho.

Lucas não foi um dos doze discípulos e não acompanhou pessoalmente o ministério terreno de Jesus. Sua obra é fruto de uma pesquisa cuidadosa e detalhada e o objetivo de Lucas era ordenar e transmitir de forma sistemática e verdadeira os relatos acerca de Jesus.

Lucas era um homem letrado e de grande cultura. Ele escreveu do ponto de vista de um historiador dando precisão geográfica e cronológica. Em seus relatos, ele se preocupa em narrar detalhes que irão auxiliar o leitor no entendimento do contexto em que se passa a história. Ele também registra e dá atenção a pequenos detalhes pessoais daqueles que cercavam Jesus. À medida que você ler o evangelho de Lucas, observe a riqueza de detalhes oferecida pelo autor.

O público-alvo e o propósito de Lucas ao escrever seu relato estão claramente expressos logo no início do livro (Lc 1.1-4). Lucas endereça seu texto ao “excelentíssimo Teófilo”. Provavelmente Teófilo era um gentio, ou seja, alguém que não era judeu, de certa riqueza e importância. A referência formal feita por Lucas ao seu destinatário aponta para o fato de Teófilo ser um homem de prestígio. Lucas queria garantir que Teófilo tivesse informações precisas sobre a obra e o ministério de Jesus para que a sua fé no Cristo fosse fortalecida e ele tivesse certeza de tudo aquilo que tinha aprendido. O evangelista, no entanto, não se limitou a escrever os relatos sobre a vida e o ministério de Jesus. Ele também quis mostrar a Teófilo que a ação e o propósito de Deus para o mundo não havia terminado com o ministério terreno de Jesus, mas continuava com a vida e a missão da igreja. Para dar continuidade à história, Lucas escreveu o livro de Atos também endereçado a Teófilo. O evangelho de Lucas e o livro de Atos compõem dois volumes de uma mesma história (Lc 1.1-4; At 1.1). Os escritos desses dois livros juntos somam quase que um quarto de todo o Novo Testamento, e nenhum outro autor do Novo Testamento produziu tanto quanto Lucas.

Apesar de ser direcionado especificamente a Teófilo, o evangelho de Lucas se destina também a todos os cristãos gentios. Lucas tem a preocupação em mostrar que toda a humanidade fazia parte do plano de salvação de Deus. Mais do que os outros evangelistas, Lucas fez questão de reforçar o alcance universal da mensagem do evangelho pregando que a salvação é para todos os homens.

Nos dois primeiros capítulos do evangelho, Lucas começa a narrar a chegada do Messias. O relato registrado por Lucas sobre os eventos que antecederam a chegada de Jesus e seu nascimento é o mais extenso de todos os evangelhos e, como é característica de Lucas, está repleto de detalhes que nos mostram o cuidado e a direção de Deus em todas as coisas.

Nos capítulos 1 e 2 Lucas registra o nascimento de dois bebês que foram concebidos de forma inesperada. O primeiro era fruto de um casal idoso que já não tinha mais esperança de gerar herdeiros e o segundo era filho de uma moça virgem que nem sonhava em engravidar naquele momento.

A primeira história que Lucas registra é a história de Isabel e Zacarias, um casal idoso e sem filhos que vivia de forma justa e irrepreensível e obedecia a todos os mandamentos do Senhor. Tanto Isabel e Zacarias vinham de uma linhagem de sacerdotes que serviam diante do Senhor. Isabel era estéril e apesar de andar de forma piedosa ela não recebeu de Deus aquilo que desejava, um filho (Lc 1.6-7). Ter um filho era algo muito importante naqueles dias, significava que o favor de Deus estava sobre a sua casa. Coloque-se no lugar desse casal e imagine como eles se sentiam diante da sua comunidade.

Eles pertenciam á família dos sacerdotes, ou seja, daqueles que tinham contato mais direto com Deus, e além disso cumpriam os mandamentos. Como era possível que não tivessem filhos? Será que estavam sendo punidos por Deus ou será que sua fé era pequena? É provável que essas questões tenham passado pela cabeça de Isabel e Zacarias, mas isso não abalou o compromisso que eles tinham de permanecerem fiéis a Deus, ainda que seus sonhos estivessem frustrados.

Chegou o dia, porém, que Zacarias recebeu de Deus uma notícia que mudaria completamente sua história. Deus enviou um anjo para anunciar a Zacarias que ele e sua esposa teriam um filho que se chamaria João. O menino viria ao mundo com uma missão bem específica (Lc 1.16-17 de acordo com o que foi profetizado em Isaias 40.1-5). Ele viria para anteceder o Messias e prepararia o caminho para o Cristo ao pregar a necessidade do arrependimento.

Algum tempo depois Isabel, mesmo estéril e idosa, engravidou, conforme o anjo anunciara. Seu coração estava cheio de gratidão e ela reconheceu que a sua gravidez era algo que vinha do Senhor (Lc 1.25). O nascimento dessa criança era prova de que o Messias estava chegando.

Quando Isabel estava no sexto mês de gestação, outra mulher também recebeu a visita de um anjo dizendo que ela engravidaria de um menino. Essa mulher se chamava Maria e era parente de Isabel. Maria era uma moça e estava noiva de um rapaz chamado José. Quando o anjo anunciou que ela engravidaria, Maria não compreendeu como isso poderia acontecer já que ela era virgem. O anjo então declarou a Maria que aquela criança seria concebida de forma sobrenatural pelo poder do Espírito Santo de Deus e que ela carregaria em seu ventre o Filho de Deus. Diante da missão que recebera, Maria tão somente se colocou à disposição dos propósitos de Deus e se permitiu ser usada por Ele para que o Salvador chegasse ao mundo (Lc 1.38). O anjo também contou a Maria que sua parente Isabel estava grávida e Maria logo foi visitá-la. Quando Isabel recebeu a visita de Maria ela muito se alegrou ao saber que aquela jovem havia sido escolhida por Deus para ser a mãe do Salvador.

Isabel e Maria são protagonistas histórias que parecem impossíveis. As duas engravidam em situações naturalmente adversas. Mas como Lucas nos diz “para Deus não há impossíveis em todas as suas promessas” (Lc 1.37). As histórias de Isabel e Maria nos ensinam que Deus tem um tempo e um propósito especifico para cada um de nós e não nos cabe ficar comparando a nossa vida com a vida das outras pessoas. Deus trata seus filhos de forma particular, única e exclusiva. Os animais são tratados em bando, não há individualidade, mas conosco é diferente.

Deus sabia do desejo de Isabel ter um filho e ela certamente orou por isso inúmeras vezes. No entanto, o tempo de Deus não era o tempo de Isabel. Maria não podia imaginar que mesmo virgem engravidaria. No entanto, o tempo de Deus não era o tempo de Maria. Às vezes Deus parece demorar em nos atender naquilo que queremos. Às vezes Deus nos surpreende com aquilo que não imaginávamos, mas em todos os momentos Ele sabe o que está fazendo e usa todas as circunstâncias para nos tornar pessoas mais parecidas com Ele.

Isabel podia ter ficado ressentida com o fato de Maria ter sido a escolhida para trazer o Salvador ao mundo. Afinal de contas, Maria era uma menina pobre de Nazaré e ela era uma senhora piedosa da família sacerdotal e esposa de sacerdote. Não seria mais justo que ela fosse a escolhida para ser a mãe do Messias? Ainda bem que essa não foi a reação de Isabel. Pelo contrário, ela reconheceu a mão de Deus agindo na sua vida e na vida de Maria. Se Isabel tivesse se deixado levar por sentimentos de inveja ou ciúmes ela não teria reconhecido a mão de Deus guiando a sua história.

Se você já é um filho de Deus alegre-se no fato de que Ele cuida da sua vida de forma única, exclusiva e pessoal. Deus não trata você como mais um. Ele conhece seus sonhos, medos, dificuldades e capacidades e dirige sua história de maneira especial. Não perca tempo comparando sua vida com a de outros ou achando que a “grama do vizinho é mais verde”. Viva a maravilha de se saber plenamente conhecido, amado e cuidado por Deus! Se você ainda não é um filho de Deus renda-se a esse Deus que cuida pessoalmente de cada filho seu.

É verdade que Deus conduz a história individual de cada um dos seus filhos e é verdade também o fato de que Deus controla a História geral do mundo e que tudo está em suas mãos.

Quando Maria já estava no fim de sua gestação foi decretado um recenseamento obrigatório pelo imperador romano a todos aqueles que vivessem em terras sob o domínio de Roma. Cada um deveria alistar-se na sua cidade. Apesar de José morar em Nazaré na Galileia, sua família era de Belém na Judeia, por isso era preciso que ele se deslocasse para Belém a fim de alistar-se no censo juntamente com Maria. Quando estavam em Belém Maria deu à luz e o Messias veio ao mundo, cumprindo a profecia do Antigo Testamento que dizia que o Salvador nasceria em Belém (Mq 5.2).

Deus estava preparando todas as coisas para a chegada de seu filho à terra. Isabel e Maria faziam parte do plano de Deus. O imperador César Augusto que decretou o recenseamento também. A diferença é que Isabel e Maria sabiam o que estava acontecendo e louvavam a Deus por terem o privilégio de participar do acontecimento que mudaria a história da humanidade para sempre. Para Deus não há surpresas, imprevistos e coincidências. Deus não apenas está no controle, mas Ele é controle. A sequencia de fatos cuidadosamente narradas por Lucas nos mostram como Deus vai de maneira soberana conduzindo a nossa história pessoal e a história da humanidade como um todo.

A história da minha vida e da sua é como uma página nas mãos de Deus e juntas elas formam o livro da história da humanidade. É Deus quem organiza as páginas e enumera cada coisa em seu devido lugar. Quer você esteja consciente disso ou não Deus está usando sua vida para cumprir seus desígnios. Você pode ter o privilégio que Isabel e Maria tiveram de poder participar ativamente do agir de Deus ou pode simplesmente seguir com sua vida sem se dar conta das maravilhas que Deus está fazendo ao seu redor. Isabel e Maria tiveram que lidar com algumas surpresas, mas a certeza da presença constante de Deus com elas lhes deu coragem para aceitar os novos desafios.

Meu desejo é que você reconheça a soberania de Deus em todas as coisas. Seja na história geral da humanidade seja na sua história pessoal. E lembre-se: Deus não apenas tem o controle. Ele é o controle e deseja usar a sua vida para cumprir seus planos!

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