“FALSOS APÓSTOLOS, OBREIROS FRAUDULENTOS” (2 Coríntios 11)

Ensinos sobre os perigos dos falsos apóstolos e o preço da fidelidade ao evangelho.


Certamente que o apóstolo Paulo não sentia prazer em valorizar explicitamente o seu ministério. Não! Não era autopromoção. Ele rechaçava as críticas que sofria.

Pelo teor de suas respostas, depreendemos as ásperas afirmações e as sórdidas insinuações que eram feitas, para desfigurar a sua figura apostolar. Aqueles líderes achavam-se superiores a Paulo. Julgavam-se mais santos e espirituais, detentores de conhecimento e de revelações especiais. Qualquer semelhança daqueles líderes com alguns super apóstolos dos nossos dias, não é mera coincidência. O homem continua o mesmo. A ambição e a vaidade humanas continuam em evidência.

A imagem metafórica paulina apresenta a igreja como esposa de Cristo (II Coríntios 11. 2). O profeta Isaías já havia detectado e enaltecido este mesmo vínculo intimo de Deus com Israel (ver Isaías 54. 5). No cerimonial de casamento judaico, havia duas pessoas chamadas de “amigos do esposo”. Entre as muitas funções que recebiam, participavam da distribuição dos convites e buscavam assegurar a castidade da noiva. Paulo se sabia amigo do esposo (de Jesus). Era seu dever manter a noiva (a igreja) pura e consciente do privilégio de pertencer ao Senhor Jesus.


O PERIGO DOS FALSOS APÓSTOLOS

Conforme, sutilmente, o Diabo enganou Eva, Paulo temia que aqueles crentes, ouvindo versões deturpadas, viessem a afastar-se da simplicidade do Evangelho de Cristo. Insiste para que o ouçam. Sem dúvida, há a disposição paulina para salvaguardar o Evangelho. refletindo o zelo pela genuína Palavra. Também há responsabilidade em preservar e em alimentar o rebanho de Deus.

Paulo havia dispensado o sustento por parte da igreja de Corinto (II Coríntios 11. 6b-9). É interessante observar que, provavelmente, o apóstolo estava até sendo acusado, por aqueles usurpadores, de má administração dos recursos. Paulo era íntegro. Trabalhara com as suas mãos, para não ser pesado à igreja. Sempre estimulava os crentes a cooperarem, mas não o fazia em causa própria. O testemunho do apóstolo, apresentado em Filipenses 4. 10-18confirmava como foram supridas as suas necessidades.

A dispensa de Paulo, em relação às coletas que eram levantadas, não significa desprezo às mesmas. Ele não queria estar atrelado financeiramente aos interesses de seus ouvintes. Lamentavelmente ainda vemos muitos que, para manterem-se nos ministérios, pregam mais (e quase sempre) o que as pessoas querem ouvir. Há muitos que deixaram de denunciar o mal, que já se calaram. Sabemos que o silêncio é infenso. Urge que a verdade seja proclamada, contrariando a quaisquer interesses. Paulo fazia-se independente, não participando diretamente dos recursos ali levantados. Firmava-se, através da Palavra da verdade. Jesus é a verdade que liberta. Paulo, por conseguinte, era livre. Dependente? Só do Senhor Jesus!.


CRITÉRIOS INFALÍVEIS PARA DISCERNIR ENTRE O FALSO E O VERDADEIRO APÓSTOLO


Todo mestre, ao tempo de Paulo, era remunerado. A expressão do pensamento, quando bem articulado, conquista as pessoas. Aqueles falsos apóstolos angariavam vultosas quantias. Causava estranheza aos coríntios a abstenção paulina às remunerações. Os falsos apóstolos, no entanto, recebiam-nas e afirmavam que este era um reconhecimento da relevância de seus ministérios. Vamos observar dois critérios que nos permitem distinguir o apóstolo verdadeiro, do falso. Vejamos:

1- Critério do zelo pela igreja de Jesus – “quem ama não mata”. Este ditado popular não atinge a plena expressão de uma assertiva bíblica: quem ama dá vida. Os falsos apóstolos recebiam os recursos, dando vazão a sua cobiça. A preocupação constante de Paulo não passava pelo dinheiro. A orientação paulina demonstra intensa preocupação com o crescimento espiritual dos coríntios. Há um constante envolvimento das Escrituras em todo o discurso paulino, buscando preservar o Evangelho genuíno.

2- Critério da pregação do puro evangelho – As declarações de Paulo expressam sua extrema indignação. Paulo denuncia a situação crítica, revelando tratar-se da apresentação de outro Jesus, de outro Espírito e de outro evangelho. Tudo estava sendo determinado como falso (II Coríntios 11. 4). Aqueles homens haviam-se infiltrado entre os coríntios. Disfarçavam-se em apóstolos de Cristo. Eram desonestos. Eram mensageiros de Satanás. Eles até pareciam servos da justiça (II Coríntios 11. 13-15).


O PREÇO DA FIDELIDADE AO EVANGELHO

Aparentemente, o apóstolo Paulo se descontrolava, mediante tanta revolta com a atitude daqueles “crentes” golpistas e oportunistas. Discutia nos padrões humanos, expondo os seus motivos para orgulhar-se (II Coríntios 11.16-21). Questionado quanto à autoridade apostólica, em tom explosivo, exortava os coríntios. Constatava que aqueles irmãos, deixaram-se explorar, devorar e esbofetear. Foram fracos.

Paulo estava condenando a postura cômoda, que aqueles crentes tiveram. Toda comunidade, seja ela cristã ou não, estará sujeita a conflitos e a atritos. Sabemos que as questões delicadas do convívio eclesiástico devem ser tratadas internamente. Paulo extrapola. Não se contém em pregar mais um sermão. Ele, comovidamente, expõe a sua vida, num sermão convincente e extraordinário.


A DIMENSÃO DA DEDICAÇÃO

Parece que as palavras de Paulo crescem desvairadamente. Ele relata a sua folha de serviço. Embora se atinasse na falta de elegância ao enunciá-la, considerava indispensável proceder assim. Identificar-se-á como hebreu, como descendente de Abraão e como servo de Cristo. Declarar-se-á trabalhador cristão incansável, tendo estado preso em várias ocasiões, bem como tendo sido chicoteado e atravessado perigo de vida, por diversas vezes. Espancado, apedrejado, atravessando perigos no mar, em rios e no deserto. Tendo enfrentado noites sem dormir, fome, sede, frio, malfeitores, falsos irmãos, injúrias, porém jamais perdera a compaixão pela Igreja do Senhor Jesus, nas diversas cidades, por onde passou. Testemunhava a intervenção miraculosa divina em sua vida.


MAIS APLICAÇÕES PARA A VIDA

Não há dúvida em afirmar-se que os falsos apóstolos perduram nos arraiais cristãos. É muito fácil calar-se, afastar-se, sem querer tomar posição. O surgimento de novas igrejas e os desvios doutrinários tem relação direta com a interferência pérfida de hábeis líderes. A maioria não está interessada no crescimento do rebanho de Deus. Formam facções. Alguém já disse que são como gatos, quando “brigam” , algum filhote vai nascer.

Muitas igrejas cristãs também, da mesma forma, são assistidas por este tipo de gente, inspirada por Satanás para perturbar a vida dos crentes e a obra do Senhor. É o joio no meio do trigo. Só no juízo final serão separados.

Cuidado, irmãos, com este tipo de “apóstolo” e com esta praga de “crente”!

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